Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
— Isso é um absurdo. Vou atrás de alguém agora mesmo. — saiu do quarto determinado, como quem carrega um afeto antigo e incondicional.
Fiquei sozinho por alguns minutos, escutando apenas os ruídos abafados do corredor e o pulsar constante do meu próprio coração. Era estranho estar ali, consciente, mas ainda preso a uma névoa de incertezas. Eu não sabia ao certo quem eu era, tampouco por que todos à minha volta demonstravam tanto alívio ao me ver acordado.
Minutos depois, os passos apressados anunciaram a chegada de alguém. Meu peito se apertou por um motivo que eu não sabia nomear. A porta se abriu com suavidade e, por ela, entrou uma mulher de olhos úmidos e expressão incrédula.
— Gabriel...? — sua voz saiu quase num sussurro, como quem não acreditava na própria sorte.
Fiquei em silêncio. Havia algo na maneira como ela me olhava — um misto de amor e dor — que me paralisou.
Ficamos em silêncio por um instante. Lá fora, a vida continuava com seu barulho habitual, mas dentro daquele quarto havia apenas nós dois, cercados por memórias que, por ora, pertenciam apenas a ela.
— Vai ficar tudo bem, Gabriel — ela sussurrou, acariciando minha testa. — Eu estou aqui. E não vou a lugar algum.
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Estava na praia com Bento e os cães. Os dias na casa dos meus pais haviam sido serenos, quase anestesiantes — a ponto de, por instantes, eu me esquecer da gravidade da situação de Gabriel.
— Merlin! — Bento apertou meu nariz com as mãozinhas pequenas. — Que foi, menino? — perguntei, divertida. Ele me encarou com um sorriso inocente. — Sem dente — disse, antes de deitar a cabeça sobre meu peito e tentar morder meu ombro com a gengiva. — Ei! Nada de morder. E vocês, parem de se morder também! — adverti os cachorros, que se encaravam como quem está prestes a iniciar uma briga boba.
O relógio vibrou em meu pulso. Era uma mensagem da minha sogra:
— "Estou chegando ao Rio. Podemos nos encontrar amanhã na sua casa?"
— "Claro. É algo sério?"
— "Não muito, fique tranquila!"
Recolhi os cães, chamei Bento e seguimos para casa. Após o jantar e um banho reconfortante, dei banho no Bento e, já na sala, sentei-me com meus pais para assistir à novela.
— Minha sogra me ligou agora há pouco, pedindo que eu vá até lá amanhã — comentei.
— Quer que eu a leve? — ofereceu minha mãe. Concordei com um aceno.
— Estou sem ânimo para dirigir. Na verdade, confesso que ando sem ânimo pra quase tudo. O Perececo me fez colocar todo o café da manhã para fora — desabafei, arrancando risos dos dois.