Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Vívian decidiu esperar alguns dias antes de contar à família sobre a gravidez gemelar. Queria ter certeza, queria absorver a novidade sozinha. Mas a barriga já começava a se insinuar, e a ansiedade transbordava pelos olhos e pelos gestos. Quando não conseguiu mais segurar, mandou as fotos dos exames no grupo da família. Foi um alvoroço: gritos de alegria, figurinhas de bebê e promessas de enxoval em dobro.
— Minha vida acabou... agora eu só vou cuidar de criança. — desabafou, se afundando numa cadeirinha baixa da sala, com as mãos cobrindo parte da barriga. Parecia exausta, mais emocionalmente que fisicamente.
— Que exagero, mulher. — Dandara deu uma risada leve. — Você tem uma família inteira atrás de você, tem condição de pagar ajuda, e graças a Deus essas crianças têm pai. Respira.
— Não quero mais saber de bebê depois dessa. — suspirou, passando as mãos pela barriga com delicadeza. — Eu tô preparando tudo com tanto amor, mas... tô morrendo de medo.
Vívian estava tão nervosa que, antes de ir pra casa e encarar o churrasco animado que a família preparava, tomou por conta própria um calmante dos meus — o que não recomendo, mas ela parecia saber o que fazia naquele momento.
— Titia! — Tália deu um gritinho ao ver a irmã. Beijou a barriga sem cerimônia. — Essa menina aqui é espaçosa demais, tia! — mudou o tom da voz, imitando uma criança.
— É menino, Tália. — Vívian fez uma careta dramática, depois revirou os olhos arrancando gargalhadas da amiga Patrícia, que também estava indo com elas.
— Como foi o trabalho hoje? — Pedro perguntou, alisando a barriga da cunhada com certo cuidado.
— Cansativo pra elas. Pra mim foi só ansiedade mesmo. — sorriu, mas era um sorriso tenso.
— Calma, logo logo elas estão aqui nos seus braços.
— Para com isso, Pedro. Você só me deixa mais desesperada. — todos riram, e ela também, embora ainda estivesse tensa.
Ao chegarem na casa da Vívian, Pedro deixou a cunhada com Patrícia e seguiu com a amiga até sua casa.
— Tá cansada? — perguntou olhando pelo retrovisor.
— Um pouco. Mas pode me deixar na esquina mesmo, sem cerimônia.
— Que nada, faço questão de te deixar na porta.
Patrícia indicou o caminho, e logo estavam parados em frente ao portão.
— Obrigada. Só de não ter que subir essa ladeira já me sinto grata. — ela sorriu, pegando a bolsa e descendo.
Pedro ficou parado dentro do carro, esperando. Patrícia percebeu ao girar a chave — ele não tinha ido embora. Tentou abrir o portão, mas ele travou.