Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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A Vívian tinha um jeito sério, daqueles que escondem um mar de sentimentos por trás do olhar contido. Eu sentia o amor dela por mim em cada gesto, mas quando mencionei a Clarice, percebi uma sombra passar pelo rosto dela — não gostou nem um pouco. Por outro lado, tinha um lado bom: meu relacionamento com a Clarisse já era passado. Lembro bem do dia em que caímos na briga, uma memória que parecia distante, mas ainda me apertava o peito.
— Tem previsão de quando ele pode voltar a se lembrar de tudo? — perguntei, enquanto ela disparava perguntas, atenta, preocupada.
Vívian era naturalmente bonita, sem esforço, e seu corpo mostrava uma elegância discreta. Mas algo me chamou atenção: uma aliança enorme no dedo, reluzindo com um diamante amarelo. Um anel desses só podia pertencer a alguém com dinheiro. Tirei o olhar rápido, mas não pude evitar reparar.
— Mas você vai ficar bem, não é, Gabriel? — Pierre tirou-me dos pensamentos, com o tom paciente de quem já viu muita coisa. — Eu digo que logo você vai se lembrar de tudo. É bom evitar grandes surpresas, grandes emoções.
— Pra falar a verdade, tô me sentindo ótimo — respondi, tentando ser sincero.
— Mas precisa repouso. No final da tarde eu assino sua alta — ele sorriu, e eu retribuí com um aceno.
O médico saiu, e ficamos todos ali, em silêncio, me olhando.
— Parece mentira, né? — Gustavo comentou, com um olhar meio incrédulo. — Quando eu vi ele pedindo água, pensei que era coisa da minha cabeça. A enfermeira ficou ainda mais nervosa que eu.
Tentei ajeitar o travesseiro, mas meu corpo não obedecia. A fraqueza, consequência dos meses acamado, ainda me dominava.
— Eu falei pra ela que ouvi ele pedindo ajuda — Gustavo continuou, ajeitando meu travesseiro. — a enfermeira disse que era coisa da minha cabeça. Agora tá bom? — perguntou.
Neguei, e ele levantou minha cama mais um pouco, ajeitando tudo para me deixar confortável.
— Obrigado — sorri, com a voz ainda fraca.
— Acho que é melhor a gente ir arrumar a casa para quando você chegar — sugeriu Gustavo, e eu vi que não era apenas preocupação, era cuidado genuíno.
Eles começaram a conversar, e eu só conseguia olhar para Vívian, que ficou ao meu lado, dizendo que ficaria comigo. Então uma moça alta que eu não conhecia entrou e perguntou se eu queria algo.
— Quero suco de acerola com laranja — respondi, com um leve sorriso.
— Vou preparar tudo — ela disse, beijando minha cabeça. Meus pais e Eduardo se despediram, e saíram.