Dengo.

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— Você acha que a minha família não sabe que você só se casou com o Gabriel por interesse no que ele tem? — a voz de Murilo cortava o ar com a acidez de quem se afoga na própria frustração

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— Você acha que a minha família não sabe que você só se casou com o Gabriel por interesse no que ele tem? — a voz de Murilo cortava o ar com a acidez de quem se afoga na própria frustração. — Foi esse o assunto dele — murmurei, como quem narra uma tempestade já anunciada. — Disse que engravidei por interesse. E eu só ouvindo. — E ainda tem a audácia de achar que pode me tirar dos negócios que envolvem eu e meu irmão.

— Já deu por hoje, Murilo — a voz de meu sogro soou firme, como se pusesse fim a uma peça encenada vezes demais.

Eu já estava farta. O silêncio havia sido o suficiente. Era hora dele calar a boca.

— Não! Ela tem que escutar! — vociferou, como um homem ferido que late antes de cair. — Chegou agora e já quer sentar na janela!

A esposa dele, sem saber onde se esconder, segurou seu braço num gesto inútil de contenção.

— Todo mundo já entendeu seu ponto. Já gritou, já esbravejou, tá bom, cara. — Pedro, ao lado dele, tentou apaziguar.

— Vai tomar as dores dela agora?! — Murilo se levantou bruscamente, abrindo os braços num desafio que durou o tempo de um suspiro. Porque foi exatamente nesse instante que Daniel cravou-lhe um soco certeiro, e o corpo de Murilo tombou no chão como um saco de ressentimentos.

Com eles era sempre assim. Tudo se resolvia na porrada. E, honestamente, já nem me causava espanto — apenas cansaço.

— Vou buscar um pouco de álcool pra ver se ele acorda! — alguém sugeriu.

Mas nem foi preciso. Murilo abriu os olhos num rompante de fúria e, cambaleando, arrastou a esposa porta afora. Fim do espetáculo.

— Me desculpa, Vívian. — minha sogra estava corada de vergonha.

— Eu não quero mais contato com o Murilo, dona Helena. — falei com uma calma definitiva. — Ele extrapola. Não respeita o Gabriel, não me respeita, não respeita meu filho... e muito menos a própria família.

— Compreensível — murmurou. — Vai ser melhor assim.

Único filho dela que eu ainda suportava era o Gabriel. E, ultimamente, nem ele, já que resolveu me dar férias involuntárias da sua presença.

Dias depois — Colômbia

— Não sabia que iríamos pra casa dos meus pais — comentei, surpresa, largando a bolsa.

— Vai ter uma confraternização na vinícola. Minha mãe me convidou — disse Gabriel, como se fosse a coisa mais comum do mundo. — Vai me esperar em casa?

— Acho que sim. Vou chegar muito cansado — suspirou. — Tô doido pra deitar na nossa cama. — Fechou os olhos. — Fiquei sabendo da confusão. Não sabia que o Murilo não repassava o dinheiro da clínica que eu tenho com ele.

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