Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Gabriel sentou-se no banco do carro com a cautela de quem carregava um corpo ainda sensível, delicado em cada movimento. Hoje, ele enfrentara a vasectomia — um ato silencioso, um pacto de amor e entrega que ecoava na quietude do momento.
— Está tudo bem? — perguntei, observando pelo retrovisor seu semblante contido. Bento, alheio a tudo, repousava sereno no bebê conforto, embalado por um sono doce.
— Estou, só incomoda um pouco — respondeu, soltando um suspiro que parecia carregar um mundo de sensações. — Parece que o peso é maior do que eu imaginava.
— Logo essa dor vai suavizar — garanti, sentindo um afeto profundo que só um marido recém-vasectomizado poderia inspirar.
O caminho até casa foi lento, quase um ritual de cuidado. Gabriel caminhava entre o desconforto e a força, arrastando-se quase em reverência ao próprio corpo ferido. Nem mesmo eu, depois do parto, sentira tamanha fragilidade.
— Foi assim que se sentiu depois do parto? — indaguei, com um sorriso leve, quase brincando.
— Nem de longe — respondeu ele, e entramos no elevador em silêncio, o ar pesado de cumplicidade.
Ao cruzar a porta do apartamento, Maria já nos esperava, acolhendo Bento em seus braços. Eu conduzi Gabriel até a cama, e ela, com a eficiência suave de quem conhece os pequenos ritos do cuidado, trouxe gelo e remédios.
— Obrigada — murmurei, recolhendo Bento para perto, sentindo o calor da vida pulsar em seu corpo minúsculo.
Gabriel tomou o remédio, desprendeu a roupa com esforço e aplicou o gelo com mãos cuidadosas sobre o lugar dolorido.
— Quer um café da tarde? — ofereci, buscando acalmar a alma dele.
Ele negou, exausto.
— Vou dormir — anunciou, e em instantes a respiração ritmada anunciou seu sono profundo.
Afastei-me com a leveza de quem deixa um guerreiro descansar, e, sentada na sala, abracei Bento contra o peito. O telefone tocou com a voz dos meus pais, um fio de conexão que atravessava a distância.
— Tudo bem? — ouvi a voz do meu pai, firme e doce.
— Está melhor dos seios — respondi, o coração aquecido. — E Gabriel fez vasectomia hoje.
— Sério? Ele está bem?
— Está sentindo dor, mas dorme tranquilo. — Bento agarrou meu cabelo em um gesto carinhoso, e eu gravei o momento, sabendo que ali morava a verdadeira felicidade.
— Tá gordinho, hein? — brincaram.
— Me sugando — sorri, tocando o lábio inferior com carinho. — Agora ele mama mais, parece que quer compensar o tempo perdido. Dei fórmula alguns dias no início, mas ele recusou. Acho que vou tentar dar fórmula à tarde e à noite.