Proprietária.

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Xaviera, a dona da loja, sorriu com a alegria sincera de quem vê um sonho ganhar forma.
— Estou muito feliz em assinar esse contrato com você, Vívian. Que você seja muito feliz aqui e que este seja só o começo de tudo que merece.

Segurei as chaves e os papéis com as mãos ligeiramente trêmulas. Por dentro, sentia o misto de ansiedade e euforia que só os novos começos trazem. A loja era perfeita: espaçosa, iluminada, cheia de possibilidades.
"Um salão de beleza aqui seria um sonho..." pensei, quase em voz alta.

Gabriel, que estava ao meu lado, sorriu com um brilho no olhar, como se já soubesse o que eu pensava.
— Já pensou em abrir o salão? — sua voz era suave, mas firme, uma proposta embalada por confiança.
Me virei para ele, semi-sorrindo, os olhos semicerrados.
— Tá lendo minha mente.
Ele negou com a cabeça, mordendo os lábios, e eu continuei:
— Na verdade, estava insegura sobre abrir uma loja de roupas aqui. Mas um salão? Acho que seria perfeito.
Gabriel se aproximou devagar, e com um gesto terno, seus lábios tocaram meu pescoço, despertando um calor que me fez fechar os olhos.
— Um salão vai ser perfeito — murmurou, tão perto que o mundo ao redor pareceu se apagar por um instante.

Depois de alguns minutos ali, entre sonhos e planos, fechamos tudo e eu fui para a consulta com a psicóloga. Compartilhei com ela os acontecimentos mais importantes da semana, sentindo meu coração se abrir em cada palavra.

— Como está seu dia? — ela perguntou, olhando para mim com um olhar acolhedor.

— Está bem, por enquanto. — Dei de ombros, com um leve sorriso. — Ah, assinei o contrato da loja, e vou abrir um salão de beleza.

— Então você vai seguir com seus planos de não ficar só em casa.

— Sim. Eu amo ser dona de casa, mas também quero trabalhar, sentir que faço algo para mim. Acho que consigo equilibrar os dois, com uma boa rede de apoio.

A conversa fluiu leve, e por alguma razão, quando falava com ela, minha mente se abria e eu me sentia mais forte. Depois da consulta, fui à pediatra e, em seguida, comprei uma salada de frutas para mim antes de ir procurar coisas para o quarto do bebê.

Entramos na primeira loja, à procura de papel de parede. Toquei um exemplar texturizado, deixando a ponta dos dedos deslizar sobre a superfície delicada.

— Olha essa coelhinha com seus filhotes! — Gabriel apontou para a luminária pendente.
— Lindo mesmo, mas já comprei uma luminária — respondi sorrindo.

De repente, uma mulher grávida passou apressada, acompanhada por dois meninos pequenos que corriam e quase derrubaram um vaso de cerâmica. Gabriel franziu o cenho, preocupado.

— Meu Deus! — exclamou, apertando os lábios.
Eu o cutuquei, rindo.
— Daqui a pouco são seus filhos assim.
Ele me olhou, surpreso.
— É... — disse, acariciando minha barriga, como se o toque pudesse trazer alguma resposta. — Vai ser uma bagunça, vai deixar meu cabelo branco.
— Quero que sejam bons seres humanos — murmurei, e nos perdemos em um silêncio doce.

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