Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Ao chegarmos à casa onde, aparentemente, vivi os últimos tempos, fui conduzido à sala. O ambiente me pareceu familiar e estranho ao mesmo tempo. Havia porta-retratos sobre a estante: um deles mostrava-me ao lado de uma mulher de olhar caloroso e sorriso sereno — Vívian. Em outro, estávamos com um bebê nos braços, de olhos muito semelhantes aos meus irmãos. Pensei, instintivamente, que fosse filho do Murilo. Sempre desconfiei de sua ânsia pela paternidade — esse nunca fora o meu desejo, ou ao menos, não que eu me lembrasse.
Havia algumas pessoas ali. A funcionária da casa, que me recebeu com alegria genuína, meus irmãos, João e Eduardo, e uma mulher de semblante gentil, que me foi apresentada como a mãe de Vívian.
— Preparei suco de acerola com laranja, aquele que você adorava... Gostaria de comer alguma coisa agora? — perguntou ela, com um sorriso acolhedor.
— Quero sim. Estou com fome. — respondi, sentindo uma súbita familiaridade com aquele cuidado.
— E o Murilo? Não vem? — perguntei à minha mãe, enquanto observava os olhares atentos ao meu redor, exceto o de Vívian, que permanecia no quarto onde despertei.
— Ele chega amanhã — respondeu ela com delicadeza, como se escolhesse cada palavra para não me sobrecarregar.
— Ela cuidou tanto de você... — disse Eduardo, ajeitando meus pés sobre o apoio da poltrona. — Você não tem ideia.
— Abriu mão de si mesma — completou João, com uma expressão grave. — Quando todos nós já havíamos perdido as esperanças, ela ficou. Ela acreditou por todos.
— Ela é minha esposa...? — perguntei, com a estranha certeza de que já sabia a resposta antes mesmo de ouvir a confirmação.
— É, sim — respondeu minha mãe com suavidade. — Estão juntos há pouco mais de um ano.
Esforcei-me para ajeitar a postura e me sentar com mais dignidade.
— Eu... a amava?
— Amava profundamente. Cuidava dela como ninguém. — disse minha mãe, passando a mão pelos meus cabelos com ternura.
— Você já até me bateu — provocou Pedro, entrando na conversa com um sorriso enviesado. — O outro ali agiu na covardia!
— Vai querer falar de covardia? — Pedro retrucou com uma careta, enquanto João ria. — Você deu um soco nele, mas como ele é mais forte, estava em vantagem. Então, pra equilibrar, eu o joguei no chão e você terminou a briga.
— Isso não é covardia? — indagou Eduardo, indignado.
— Se eu apanhei, é — respondi como se fosse óbvio, arrancando risos dos que estavam ao redor.
— Fiquei sabendo que, por pouco, a Vívian não te fez dormir no sofá — comentou João, com evidente sarcasmo.
— Ela te colocou pra fora de casa! — completou Pedro entre gargalhadas.