Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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— Você não imagina como é bom passar essa Páscoa com você... — sussurrou Vívian, com um sorriso sereno, antes de colar nossos lábios em um beijo leve. Eu retribuí com um selinho breve e recuei. — Achei que nunca mais viveríamos isso...
Ela encostou o rosto no meu, como quem busca abrigo, mas minha expressão denunciava o cansaço. Eu tentava concluir um relatório que exigia mais do que minha mente conseguia oferecer naquele momento. Estava frustrado. Agitado. Não conseguia corresponder à ternura dela.
— Te amo. — disse com doçura.
— Também te amo, grudenta. — respondi de forma automática, afastando-me quando ela se aproximou para me beijar outra vez.
Vívian parou de imediato. Encostou-se à cadeira, os olhos fixos em mim. Havia algo em seu silêncio que me incomodou — uma seriedade que não costumava ver nela.
— Não vou te incomodar mais. — murmurou, levantando-se e sentando-se diante do próprio notebook, o olhar fixo nas planilhas. Seu tom era neutro, mas eu sabia que escondia desapontamento.
Embora fosse domingo, o restaurante abrira por ser feriado. Vívian me auxiliava com a parte que me causava maior sobrecarga: relatórios de desempenho, contabilidade. Enquanto eu levava dias tentando resolver as contas, ela, com paciência e objetividade, finalizou em poucos minutos.
— Aqui. — disse ela, aproximando-se, os cabelos soltos caindo sobre o ombro. — O problema era simples: você não havia definido com clareza o que queria mensurar. Por isso os resultados se contradiziam.
— Foi uma grande distração da minha parte. — passei a mão em seus cabelos, com um gesto que tentava agradecer. — Obrigado, mesmo. — inclinei-me para beijá-la, mas ela virou o rosto.
— De nada. — respondeu, fria. No mesmo instante, o choro dos gêmeos ecoou pelo corredor. — Depois conversamos.
Ela saiu com passos rápidos. Levantei e a segui.
Quando entrei no quarto do Bento, Vívian amamentava os pequenos enquanto assistia o mais velho brincar com um carrinho minúsculo.
— Bento, não passa esse carrinho nos pelos da Miumiu. — adverti, e ele me olhou surpreso.
— Bom dia. — disse com a voz miúda, como se minha presença fosse inesperada.
Todos ainda estavam de pijama. O almoço de Páscoa seria na casa da Talia.
— Papai! — correu até mim e se aninhou no meu colo. Eu o beijei.
— Ah, ele você quer beijar! — Vívian comentou, olhando para Bento, não para mim. — Quando entrei, ele se escondeu. Hoje você e seu pai acordaram com o humor trocado.
— Chuva de beijos na mamãe! — falei, tentando aliviar o clima, e preenchemos o rosto dela de beijos.