Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Gabriel reagiu bem à notícia da gravidez — ao menos no que pôde controlar. Mas nos olhos dele, havia um traço claro de desespero. E eu não estava muito diferente.
— E agora? — murmurou, alisando minhas costas. — Como vai ser... mais um bebê?
— Normal — tentei soar firme. — Semana que vem tem o pré-natal. Vai ser junto com a consulta do Bento na pediatra. Talvez a gente já descubra o sexo. — Ficamos em silêncio por alguns segundos. — Tem preferência?
Ele balançou a cabeça, sem dizer nada.
— Preferia que fosse mentira, né? — perguntei, sem rodeios.
Ele me lançou um olhar de relance. Nem precisou responder.
— Um menino seria bom... — suspirou. — Vão ter idades próximas, poderiam crescer juntos, brincar...
— Eu acho que é outro menino. Eu sinto isso. — Gabriel pousou a mão na minha barriga, em um gesto suave.
— Se for menina, quero que seja Maria Helena.
— Lázaro Vitorino! — disse, e ele franziu o cenho com uma careta.
— Vitorino!?
— "Deus ajudou o vencedor".
— Bonito o significado... O do Bento é qual mesmo?
— "Bendito presente de Deus". E o seu é "homem de Deus".
— E Vívian? Deve ter algo a ver com vida.
— Mais ou menos isso. Vem de vivacitas, cheia de vida. — Me deitei de bruços e o encarei. — Até combina... não paro quieta.
Ele tocou meus olhos com os dele, firmes.
— Essa gravidez é de risco, né?
Concordei em silêncio.
— Quando voltarmos pra casa, repouso absoluto.
— Já estou sentindo umas cólicas. Ele está crescendo... tá doendo.
— Não vai doer mais. — Beijou meu pescoço. — O papai tá aqui.
Me joguei sobre ele, e Gabriel cheirou meu rosto antes de selar nossos lábios.
— Senti tanta falta disso... você cheirando meu rosto. E olha que antes eu nem gostava.
— Agora gosta. — Sorri.
Ele estava quase dormindo, respiração lenta, olhos semiabertos. Quando tentei levantar pra pegar água, me puxou de volta.
— Vai pra onde?
— Pegar água...
Mas ele entrelaçou as pernas nas minhas, me mantendo colada nele. O calor da pele dele me distraiu completamente. Só quando começou a me cutucar foi que lembrei da sede.