Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Dois dias antes do Natal.
— Vívian: É inacreditável que eu esteja enfrentando essa multidão, nesse calor absurdo, pra comprar enfeites de Natal! — murmurei, apertando a alça da bolsa como se ela fosse me proteger da minha própria ideia.
— Tália: Você que quis, viu? As crianças até já tinham esquecido disso. — respondeu com aquele tom cínico que só irmã sabe usar, me fazendo revirar os olhos.
— Vívian: Tô doida pra ir embora...
Depois de dois anos longe da minha família no Natal, tudo o que eu queria agora era reviver as tradições. Queria os enfeites espalhados pela casa, os cheiros das comidas típicas no ar e, mais do que tudo, criar memórias bonitas pras crianças.
— Tália: Espero que o Gustavo não tenha comprado nada com muito volume... — comentou, fechando o porta-malas com um suspiro. — E essa boca branca aí?
— Vívian: Tô com sede. — resmunguei ao entrar no carro e agarrar a garrafinha d'água como um prêmio.
— Tália: Depois fala de mim, que desmaio no centro! — ela riu.
— Vívian: Eu não desmaiei. Só estou cansada. Diferente de você que cai que nem banana podre.
— Tália: Um dia você ainda vai realizar meu sonho: desmaiar no centro da cidade. — disse com um sorriso sonhador.
— Vívian: Não vai, porque eu me alimento bem. — Ela apenas levantou as mãos, rendida.
Passamos no shopping pra buscar Gabriel e Gustavo.
— Tália: Falei pra não trazerem coisa grande e olha quem aparece cheio de sacola... — murmurou, ao ver Gustavo arrastando pacotes. — Mas também, né? O carro é dele. Nem posso reclamar.
Os dois colocaram as compras no carro com certa dificuldade, e seguimos pra casa.
— Vívian: Esses presentes são pra mim? — perguntei, entrelaçando os dedos aos de Gabriel.
— Gabriel: Aham. — respondeu com a cara mais cínica do mundo.
— Vívian: Aham sei... acho que não vou gostar muito, viu? — estalei os lábios em leve deboche.
Em casa, descarregamos o carro enquanto as crianças mal conseguiam disfarçar a empolgação. Queriam montar a árvore agora.
— Vívian: Posso ao menos tomar banho? Me alimentar?
— Jorge: Pode, mas vai rápido! — respondeu, impaciente, com o pisca-pisca na mão.
Depois de um banho rápido e uma comidinha na barriga, lá fui eu montar a árvore — com ajuda das crianças e do Gustavo.
— Gustavo: Vai ficar só olhando? — resmungou.
— Tália: Tem que ser algo espontâneo e energizado! Você já tá cobrando da árvore agora? — respondeu, fingindo indignação. — Você é o Grinch?