Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Gabriel entrou pela porta com o cheiro agridoce de estrada, saudade e ausência — e eu, que em qualquer outra ocasião teria torcido o nariz, dessa vez só queria me perder no calor do peito dele. Bento, em meu colo, usava um body que dizia "senti sua falta" — e, diante da cena, minha coragem de bancar a durona evaporou. Meu coração já estava amolecido antes mesmo do primeiro abraço.
Entreguei a ele uma cestinha com doces, como quem oferece um gesto simples carregado de tudo. Ele me abraçou forte, respirando fundo contra meu pescoço, como se quisesse guardar meu cheiro pra nunca mais esquecer. Fechei os olhos por um instante e me permiti ficar ali, imóvel, acolhida naquele reencontro silencioso que dizia mais do que qualquer palavra.
Logo ele se afastou, sorrindo para os pequenos e acariciando os cachorros, como se cada presença na casa lhe devolvesse um pedaço do que havia deixado para trás. Sentamo-nos à mesa com o restante da família, e Gabriel, no maior gesto de ternura disfarçada, foi distribuindo os doces para as crianças.
— Sabia que você ia fazer isso — murmurei, sorrindo.
Ele deu aquela risada baixa que só ele tem, um som que sempre me pareceu lar.
— Deixando os vermes alegres — Gustavo provocou, fazendo as crianças gargalharem.
Alisei a perna de Gabriel por debaixo da mesa, um carinho silencioso que dizia "fique perto" com a delicadeza de um sussurro.
— Quer tomar um banho gelado? — brinquei.
Ele fez uma careta engraçada.
— Tem que ser frio? Aceito um quente, se for com você.
Seguimos para o quarto e, enquanto ele tomava banho, me deixei cair sobre a cama. A ausência dele ainda pairava no ar, mas agora havia o conforto de tê-lo de volta.
— Como foi lá? — perguntei, a voz embalada pela maciez dos lençóis.
— Normal — respondeu, com um tom tranquilo, puxando a nécessaire. — Comprei um presente pra você.
Me estendeu um colar delicado, com pequenas pedrinhas que reluziam discretamente.
— Que fofinho... é simples, mas eu adorei.
Me aproximei para beijá-lo, selando nossos lábios com a naturalidade de quem já não precisa pedir licença para amar.
— É diamante de verdade — murmurou com um sorriso torto.
Ri junto, sem acreditar nem um pouco.
— Tá bom então, senhor sofisticado. — Coloquei o colar e me admirei no espelho. — Ele é lindo.
Claro que levei como uma brincadeira — Gabriel não precisa de luxo pra me encantar.
— Passei no shopping hoje — comentei, sentando ao lado dele. — Pensei em comprar um relógio pra você, mas você já tem o seu.