Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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No dia seguinte.
— Que saudade que eu senti da mamãe, meu amor... — murmurei ao acolher Bento nos braços, afundando o rosto em seu cheirinho adocicado de infância. Ele gargalhou alto, espalhando alegria pela sala. — Sua dindinha cuidou bem de você?
Sentamo-nos juntos no chão, como numa pequena roda de afeto. Giulia também se sentou ao meu lado, com um brilho diferente nos olhos.
— Cuidei, sim! — respondeu, ajeitando os cabelos atrás da orelha. — Consegui um jeito de quitar minha faculdade e continuar com o estágio.
— Sério? — perguntei, surpresa e animada. — Os juros baixaram?
Enquanto o bebê na minha barriga mexia suavemente, como se também prestasse atenção, repousei a mão sobre ele, acariciando sua presença ali, silenciosa e viva.
Giulia contou como a dívida da faculdade havia se arrastado por anos, fruto de uma decisão impensada da mãe, que se recusara a deixar que ninguém ajudasse. Dez mensalidades em aberto haviam virado um peso, um entrave para a conclusão do curso.
— O Eduardo se ofereceu pra me ajudar. Disse que depois eu pago, mas que era hora de resolver isso logo.
Sorri com o canto dos lábios, acariciando novamente a barriga. O bebê se mexeu mais forte, como se sentisse o alívio da tia.
— Isso é maravilhoso. Que bom que ele teve essa atitude.
— Ele está vendo se consegue reduzir judicialmente. Eles estão cobrando 16% de juros mensais, o que é completamente abusivo.
— Pode até rolar uma indenização — comentei. — De todo modo, você merece esse recomeço, sem culpa.
— Eu só aceitei porque não vi saída, mas não quero depender de ninguém — disse com firmeza.
— Às vezes aceitar ajuda também é força — comentei, enquanto Bento se equilibrava em meu ombro, curioso.
— Ele foi embora naquele dia? — perguntei.
— Sim, à noite. Tinha que trabalhar cedo no dia seguinte.
— Tá gostando dele?
Giulia hesitou. Minha irmã, que havia chegado sorrateira, entrou direto na conversa.
— Tô... — ela riu, quase envergonhada. — Sem compromisso, claro. Só não sei se ele quer me comprar ou me ajudar.
— Paga pra ver — Tália disse, debochada. — O juro tá tão alto que vale o risco.
— O que é bom tem que durar — Giulia brincou, imitando o tom do irmão, nos fazendo rir.
Enquanto contava para elas sobre o evento e o constrangimento com a ex de Gabriel, senti o bebê dar um chute e levei a mão à barriga, sorrindo.