Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Parecia que o peso do mundo desabava sobre mim, uma sombra que crescia a cada instante, sufocando minha calma. Ele permanecia em silêncio, e eu me calava, temendo ser invasiva demais, respeitando o silêncio que nos afastava. Tentava ajudar à minha maneira — quitava contas, pagava seguros — mas o dinheiro era escasso e o futuro, incerto.
Naquele dia, a vontade de fugir da rotina me dominou. Precisava do ar morno da cidade, de um pouco de movimento que confundisse os pensamentos. Por isso, me deixei levar até o shopping. Queria tantas coisas, desejos que não se misturavam ao bolso apertado, pois a realidade me chamava com sua voz dura: havia contas a pagar, prioridades a cumprir.
Foi então que Eduarda surgiu diante de mim, surpresa estampada no rosto.
— Vívian? — sua voz, cheia de preocupação, cortou o ar. — O que houve? Seus olhos estão fundos, como se o cansaço tivesse feito morada neles.
Pensei no peso das noites mal dormidas, no amargo da insônia que me visitava com frequência.
— Só insônia — respondi, tentando esconder a tempestade interna.
Ela não se convenceu.
— Melatonina ajuda — disse, puxando-me pela mão para caminharmos juntas, buscando distração nas vitrines e no vaivém do lugar. — Mas olha, mesmo assim, você está linda.
Paramos diante de uma vitrine, um par de sapatos caros que piscavam para mim como uma promessa distante.
— Se não fosse tão caro — murmurou Eduarda, brincando e ao mesmo tempo lamentando —, para você isso não é nada, deve faturar bastante na plataforma, não?
Sorri, mas o sorriso não chegou aos olhos.
— Não trabalho mais para a plataforma. Só com a loja agora.
— Que bom — ela respondeu, mas a dúvida ainda pairava —. E o faturamento?
— Queria que fosse o mesmo — suspirei.
Ela conhecia a realidade dura por trás do meu silêncio.
— Tá difícil, né? Já estive aí. Volta para a plataforma, amiga.
Minha mente tremeu, mas a decisão era firme. Voltar seria trair a confiança dele, meu amor, nosso sonho.
— Nem pensar — disse, firme.
Ela riu, como se desafiando o mundo:
— Olha, tem gente ganhando só com fotos dos pés, das mãos, coisas simples. Os casados são os clientes mais fáceis de enganar.
Olhei para ela, surpresa e um pouco desconfortável.
— Minhas mãos são bonitas, mas isso para mim é traição.
— Não se for para ajudar o seu homem — retrucou, com um sorriso meio cínico.
— Manter o padrão aqui é um jogo arriscado — concordei, enquanto a pressão da vida urbana apertava o peito.