Nos detalhes do sim.

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Carlos ergueu a sobrancelha, inclinando-se ligeiramente sobre a mesa, com um sorriso curioso nos lábios

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Carlos ergueu a sobrancelha, inclinando-se ligeiramente sobre a mesa, com um sorriso curioso nos lábios.

— Quer dizer então que a senhorita tem uma irmã? — disse, com aquele entusiasmo contido de quem descobre algo interessante.

— Uma só. Mais velha. Tem um casal de filhos — respondi, sorrindo com naturalidade.

— Que legal. Gabriel gostou das crianças?

Fiz um gesto com as mãos, meio termo entre o sim e o não.

— Olha, ele até que tem mais paciência do que eu, mas... esse negócio de filhos, sinceramente, não parece muito a nossa praia.

Ele soltou uma risada breve, baixa, que por um segundo me fez lembrar a risada do Gabriel — a mesma cadência discreta, quase tímida, mas verdadeira.

Foi então que Gabriel surgiu na cozinha, com sua habitual expressão de serenidade e um toque de ironia nos olhos.

— Nem de longe. Gosto de dormir quando quero e comer quando tenho vontade — declarou, sentando-se ao meu lado.

— Com filho vocês vão perder toda a liberdade — comentou Helena com aquele tom de quem sabe bem do que fala, embora desejasse o contrário. — Mas bem que eu queria uma netinha.

— Difícil sair uma menina. Nessa família só nasce cueca — provocou Pedro, fazendo todos rirem.

— E se depender de mim, vai continuar assim. Só menino. Porque bebê... não quero — completou Gabriel, já acomodado ao meu lado com familiaridade.

O assunto filhos nunca havia surgido entre nós de maneira direta, mas confesso que o tema sempre me parecia envolto em um trabalho exaustivo. Talia que o diga, com os dois pequenos que ela mal dava conta.

— Te honro com três filhos! — brincou Murilo, segurando o braço de Gabriel como quem sela um pacto.

— Profetizo! — completou Pedro, em tom teatral.

— Embrulho e passo pro próximo — rebateu Gabriel, apontando para Murilo com o canto dos lábios curvado num meio sorriso. — Tu que é casado há séculos, por que não tem filhos?

— Ano que vem a gente engravida — respondeu Ester, com um brilho de determinação nos olhos. — Mas antes, temos metas a alcançar.

— Esse "ano que vem" já dura uns quatro anos — provocou João, arrancando mais uma risada coletiva.

— Um dia chega — disse Murilo, resignado.

Assim que todos terminaram o café, Helena me chamou para irmos ao shopping. Peguei a chave do carro de Gabriel e nos preparamos para sair.

— Pensei que não chegaria viva. Na volta dirige com mais calma, por favor — disse Helena, com sua costumeira preocupação.

— Que isso, dona Helena... cinco anos de carteira! — respondi, rindo.

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