PEDRO
Giulia vivia dizendo que eu era metódico — e talvez fosse mesmo —, mas naquele dia foi ela quem implicou até com a ordem das caixas. No fim, deixei que organizasse tudo do jeito dela. Ficou melhor, eu admito.
— Cadê aquele seu carro vermelho? — perguntou, num tom casual.
— A Porsche? — ergui uma sobrancelha. Ela deu de ombros, como se nem soubesse o nome. — Troquei por algo mais útil.
— Gostava daquele estilo.
— Em miniatura, sim. Mas pra andar todo dia, prefiro um carro igual ao meu atual.
— Presente da Vívian, né? — sorriu. — Que presentão! Eu não ganho nem bombom dos meus irmãos, quem dirá carro. Na verdade, a única coisa que já ganhei do meu irmão foi uma punhalada nas costas.
— Você não tá querendo ficar comigo só porque ele tá com a Patrícia, né?
— Claro que não! — fechei a mala do carro. — E eu nem quero ficar com você. — Abri a porta do carro dela, e ela entrou séria. — Já passei dessa fase... ou você não acha? — apoiei os braços na janela, olhando-a nos olhos.
Havia algo no olhar dela — uma doçura quase infantil — escondida sob uma armadura que fingia força. Mas ela não era tão forte quanto aparentava.
— Não sei — respondeu com os ombros. — Às vezes a gente nem tem o direito de achar nada. — Virou a chave e saiu devagar.
— Me espera aí, malucona! — pedi, e ela reduziu a velocidade. Acompanhei o carro dela durante o trajeto.
Horas depois, já em casa, coloquei as malas no quarto e Giulia, é claro, foi direto arrumar tudo.
— Deixa isso pra depois...
— Depois você não faz nada. Lá em casa, você não fazia nada!
— Não fazia!? Fui eu quem pediu o pão!
— Cara de pau... — murmurou, abaixando-se diante de mim.
Organizamos tudo juntos — ou quase tudo. Depois, ela se sentou na varanda, os olhos perdidos no mar.
— O homem que morava aqui ajudava muita gente no bairro, anos atrás.
— E o filho dele é um cara bacana.
— Essa casa é enorme. Vai mesmo morar sozinho aqui?
— A não ser que você queira se mudar. Tem uma casinha ali ao lado, se quiser mais privacidade...
— Que casinha? Deve ser casinha de cachorro.
— E se for do seu gosto, você mora?
— Me mudo hoje mesmo! — recostou-se na cadeira, empinando um pouco o corpo como se me provocasse.
— Jura de dedinho? — estendi o meu, brincando.
— De dedinho. — E foi nesse gesto simples que me aproximei, sentindo o perfume floral que vinha da pele dela. Inclinei o rosto, pronto para beijar o pescoço, mas ela segurou meu rosto com delicadeza.
— Que foi? — perguntei, frustrado.
— Tá cansado, né? Eu também tô.
— Tô sim... mas vamos passar lá antes.
Seguimos pela ponte que passava sobre as pedras, a caminho da tal casinha.
— Ai, que medo! — segurou meu braço com firmeza.
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Noivos por acaso.
RomantikApós receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
