Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Estávamos na área externa, concentrados numa animada partida de dominó, quando Gabriel entrou bufando feito um furacão, pisando fundo no chão como se fosse atropelar o mundo. Meus pais trocaram olhares e eu só fingi que aquilo ali era cena de novela — normal, né? Só que não.
— Vou ao banheiro! — anunciei, colocando o Bento no balanço, que já começava a balançar sozinho, no ritmo das nossas risadas.
Entrei no banheiro e, para minha surpresa, a porta estava aberta. Lá estava Gabriel, dando leves (e um tanto barulhentos) tapas na parede, fazendo um verdadeiro concerto de rock ali. Quando percebeu que eu estava na porta, parou imediatamente.
— Vai para lá, Vívian, por favor! — pediu, meio envergonhado.
— O que está acontecendo? — perguntei, enquanto ele ligava os dois chuveiros na tentativa de abafar o barulho. — Para de se fazer de doido, meu amor! — falei com aquela voz pausada que só a gente sabe usar.
— A gente conversa depois? — ele sugeriu, e eu, claro, concordei.
Fui ao banheiro, fiz meu "serviço", enchi minha garrafa de água de um litro e voltei para a área onde os outros estavam. Bento, claro, choramingava — mas minha sogra já vinha em seu auxílio com a mamadeira.
— Esse menino parece um bezerro! — comentou meu sogro, dando risada.
— E eu pareço a vaca leiteira! — respondi, quase em segredo, para não perder a piada.
Depois de dez rodadas, finalmente vencemos!
— Finalmente ganhamos! — fiz toque de mãos com Giulia, campeãs invencíveis.
— Tália e Pedro comeram poeira! — Giulia se gabou com sorriso vitorioso.
— Poeira? — Tália arregalou os olhos, chocada. — Me poupe! Antes de vocês ganharem, a gente já tinha feito vocês comerem poeira com arroz e feijão!
— Ah, é? Até que foi bom vocês ganharem, porque estava ficando chato — provocou Pedro, sempre o brincalhão.
Enquanto assistia a disputa, Gabriel voltou e se sentou na poltrona ao lado da mãe, parecendo precisar desabafar. Notei que ele me olhava de soslaio; eu desviei o olhar, sorrindo por dentro. Mesmo no caos e nas birras, aquele era o nosso caos — e eu não trocaria por nada.
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