Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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— Mimada do papai! — Gabriel beijou a Miumiu, fazendo aquela cara de quem sabe que é o chefe da casa.
Eu estava estirada no sofá do escritório, fingindo que descansava enquanto as crianças estavam ocupadas — na verdade, era meu cochilo pós-academia, daqueles que a gente finge que não gosta, mas ama.
— Vivan! — Gabriel alisou meu braço com aquele jeito dele, que me tira do sono até quando eu não quero. — Eduardo se matou.
Levantei rapidinho, quase tropeçando no sofá.
— Como assim? — perguntei, o coração apertando. — Tem certeza que não mataram ele?
Ele me puxou devagar para o quarto das crianças, onde Adair dormia, como se ali fosse o melhor lugar pra essa notícia pesada.
— Não teve mistério, ele ficava sozinho na cela, ateou fogo no próprio colchão.
Eu tentava assimilar, ele estava em choque, e o telefone não parava de tocar — no meu também. Antes mesmo do sol aparecer, a casa já estava cheia de familiares. Pedro foi até fazer exame de DNA pra reconhecer o corpo carbonizado.
— Como alguém faz isso consigo mesmo? — disse ao meu pai, que suspirou pesado.
— Se perdeu na própria ruindade, infelizmente.
Me aproximei do João, que chorava baixinho. Abracei ele forte, e ele retribuiu — desde que o pai foi preso, ele vive conosco, já maior de idade, mas meio perdido. Era nosso dever ajudar.
O enterro foi no dia seguinte, rápido e fechado — caixão fechado, mas o cheiro do queimado parecia insistir em ficar. Nada pra ver, só pra enterrar.
Nos dias seguintes, parecia que o mundo pesava no meu peito. Parecia que a gente tinha que fazer esforço olímpico pra não lembrar. Teve julgamento da racista — também presa, "só" por dois anos — e minha mãe nos chamou pra passar uns dias com ela. Melhor coisa.
— Não! — João molhou os pés da Maria na água, e ela só ria.
— Sua sem vergonha! — cheirou ela, fazendo careta.
João estava abatido, mas com as crianças tudo mudava. Nossa missão era fazer eles dormirem no fim do dia inteiros, sem escoriações, e com todos os membros no lugar.
— João Manézão! — Bento falou e eu o repreendi na hora.
— Respeita o primo! — João pegou Bento no colo.
— Eu que ensinei, mané é você!
As crianças só tinham olhos para João, mas quando Tília e Jorge chegaram, tudo mudou — parecia mágica. Maria Helena ficava encantada com a Tília.