Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Que loucura. Eu, pai, casado, com três cachorros. Se alguém contasse isso ao meu eu de vinte e quatro anos, ele teria dado risada, desacreditado e seguido em frente. Mas aqui estou.
— Quantos anos você tem? — perguntei à Vívian, ainda intrigado por ter confundido Gustavo com meu cunhado, quando na verdade ele era... meu concunhado?
Ela sorriu, com aquele jeito que parece esconder respostas dentro dos olhos.
— Quantos anos você me dá?
Saber a idade de uma mulher, pra mim, era como perguntar o salário de um homem: algo que a gente evita por instinto de sobrevivência. Mas eu sabia que ela não tinha a mesma idade que eu. Nem fodendo.
— Uns... — respirei fundo, observando seu rosto com mais atenção. — Vinte e três?
— Quando me conheceu eu tinha vinte e três. Agora tenho vinte e quatro.
— Quase acertei. — sorri. — E eu? Quantos anos eu tenho?
— Trinta. — respondeu com naturalidade.
Engoli seco. Eu caí com vinte e seis e acordei com trinta. Perdi quatro anos da minha vida — no papel, ao menos.
— Quando meu pai soube da nossa diferença de idade, deu indícios de que ia surtar. Mas eu não liguei. — ela suspirou, como quem relembra e descarta um incômodo de outras épocas. — Quer entrar? Descansar?
— Ah, quero sim.
Ela chamou meus irmãos e eles me ajudaram a caminhar até o quarto. Curiosamente, eu andava melhor agora do que no hospital. A presença dela parecia fazer tudo fluir.
— Seria bom comprar uma bengala pra você — Vívian disse em tom de brincadeira, fechando a porta do quarto.
— Ele não vai ficar aqui, não. Coloquem ele no nosso quarto. A cama lá é mais confortável.
Tudo o que ela falava, meus irmãos obedeciam. Sem questionar. Minha mãe sequer opinava. Me levaram até o quarto. Vívian me ajudou a me acomodar na cama. O colchão cedeu sob meu corpo e um suspiro escapou.
— Tá confortável? — perguntou, já ligando o ar-condicionado central.
— Tô. — falei, observando o movimento dela ao se esticar pra fechar a cortina. O vestido longo desenhava o corpo com exatidão. Meus olhos caíram inevitavelmente na curva da sua cintura e na firmeza da bunda.
— Gabriel! — Pedro riu. Eu acompanhei o riso, meio envergonhado.
— Que foi? — tentei disfarçar.
Vívian colocou o Bento ao meu lado e cruzou os braços, desconfiada.