Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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DOIS DIAS DEPOIS.
— Bento, Bento! — bati palmas com entusiasmo, tentando animar o pequeno aniversariante.
Hoje ele completava seu primeiro ano de vida, e eu e Gabriel não íamos deixar passar em branco. Fizemos uma festa simples, só para o pessoal que estava na pousada — nada de extravagâncias, só bolo e sorrisos.
— Eeh! — Bento bateu palminhas, erguendo os braços como se fosse um mini mestre de cerimônia.
— Quem vai ganhar o primeiro pedaço do bolo? Mamãe ou papai? — perguntei, sorrindo.
— Biel... — ele apontou pra mim com aquela carinha de quem sabe o que quer. — Vivi!
Rimos.
— É do papai e da mamãe! — cortei o bolo, enquanto os convidados começaram a se servir.
— Hoje é dia de comer docinho! — Tália colocou o bolo bem na frente do Bento, que virou o rosto todo envergonhado.
— Não...
— Vai, come um pedacinho! — insisti.
Ele negou com a cabeça, mas aí fez uma coisa que me derreteu: colocou o dedinho no bolo e entregou para o pai comer.
— Olha só, ele quer que o papai coma o bolo por ele! — brinquei.
A tarde passou gostosa na piscina.
— Vai! — mergulhei de olhos abertos e encontrei Gabriel com a cabeça de fora, rindo.
— Safado! — dei um tapa na mão dele. — Mergulha também!
Segurei a nuca dele e afundamos juntos.
Já estava acostumada a prender a respiração, e pelo jeito ele também. Quando finalmente subi, ofegante, ele já estava na superfície.
— Pode subir! — segurei o pulso dele. — Ficou mais tempo que eu.
— Eu sou o Aquaman! — ele passou a mão na careca brilhante. — Às vezes esqueço que tô careca.
— O careca mais gostoso do mundo! — subi no colo dele, dando um beijo rápido.
Gabriel me selou com um beijo que, embora proibido de ir além, tinha toda a intensidade do desejo.
— Você também tá gostosa! — beijou meu pescoço. — Amo seu cabelo assim. Acho que combina com você, com seus olhos.
— É porque eu te olho apaixonada, e meus olhos brilham quando eu te vejo.
— Não sabia que você era apaixonada por mim — ele me abraçou forte, caminhando para a parte mais funda da piscina.
— Era não, sou... — entrelacei as pernas nas costas dele. — Você me laçou...
— Às vezes acho que você gostava menos de mim quando eu estava sem memória — sussurrou.
— Passei por tanta coisa... não foi só o coma, foi o bebê, a segunda gravidez, o desespero. Não tive tempo pra pensar em mim.
— Você me amava.
— Gostava, mas era estranho, confesso que te achava um pouco distante!
— Raso talvez...
— Eu também estava confuso.
— Imagina só acordar com uma mulher e um filho!
— Com uma mulher grávida, e logo depois descobrimos que eram dois — ele me beijou no ombro. — Mas só tenho a agradecer. Por ter você.
— Mudou tudo — sorri.
— Convencida, hein?
— Um pouco.
Ficar ali com Gabriel foi como nos reencontrar. Não falamos do restaurante, nem do salão, nem dos filhos — só da gente.
— Queria ter te conhecido na adolescência.
— Tipo, com 16 anos? — ri.
— Mas eu teria uns 10 ou 11... — falei, com cuidado.
— Acho que nos encontramos na hora certa.
— Será? Com 20 anos seria bom.
— Eu era menor de idade.
— Você com 20!
— Eu estava noiva de outro!
— Ah, esquece esse mane! — mergulhou nossa cabeça, deixando só os olhos de fora. — Quem você mais amou na vida?
— Acho que a mim mesma... — respondi sincera. — O amor próprio é o melhor dos amores. Mas eu te amo.
— Acho que sei — rimos. — Só um pouco também.
Se pudesse, ficaria horas ali, mas nossos filhos começaram a chorar. Bento, com meu pai, estava na beira da piscina chamando.
— Mamãe! — choramingou.
— Vem, mamãe! — meu pai incentivou.
— Vem, mamãe! — sorri.
— Eh, Gabriel, bora sair da piscina que a criançada tá reclamando.
Ele beijou a barriga do Bento, que riu.
— Porquinho! — trocou a fralda fedida. — Já fala, já pode largar a fralda.
— Quase usando fralda geriátrica! — rimos.
— Engraçado ele não estranhar você careca — Bento segurou a orelha do pai e deu um tapa brincalhão.
— Não faz isso! — segurei a mão dele. — Sem bater!
— Não pode! — Gabriel falou mais calmo. Bento fez um beicinho e soltou um suspiro de drama.
Depois disso, ele não quis mais brincar. Ficou triste, até dormiu.
— Tenho dó de brigar, parece que ele fica sentido — alisei o cabelo do Bento.
— Tem que corrigir, senão ele acha que pode tudo.
Gabriel deitou com Bento no quarto da Maria, e dormiram enquanto eu ficava na cadeira de amamentação.
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