Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Eu desejava estar a par de tudo, mas, tomada pelo cansaço e pelo estresse, resolvi delegar todas as pendências ao Gabriel e retornei para casa de Uber. Preparei o almoço para Bento e aproveitei o tempo para me distrair; levei os cachorros e Bento para a pracinha.
— Sai! — afastei o gato que ameaçava se lançar sobre os cachorros. — Sempre acabo parecendo uma louca insistindo em vir com vocês quatro para a rua.
Miumiu estava acomodado confortavelmente no carrinho, junto ao Bento. "Queria estar no conforto deles", pensei. Ao chegar, notei que a pracinha era um espaço cercado, com portão que podia ser fechado, o que permitia aos cachorros correrem livres com mais segurança.
— Meu Deus, preciso muito que este salão dê certo! — balancei as pernas enquanto Bento repousava em meu colo. — Tenho que encontrar uma manicure e outra cabeleireira experiente em mechas — suspirei.
— Boa tarde, vizinha! — uma voz firme soou atrás de mim e me virei.
— Boa tarde! — respondi sorrindo. — Veio correr? — perguntei, observando o tênis de corrida dela.
— Sim! — respondeu, um pouco ofegante. — Vim passear com o bebê. — Sorriu para Bento, que retribuiu com um sorriso.
— Ele e os cachorros precisam disso.
— Nossa, moro praticamente ao lado e nunca tinha percebido que vocês tinham cachorros.
— Eles são silenciosos. — Entreguei o mordedor ao Bento. — Você mora aqui há muito tempo?
— Pouco mais de dois meses — refletiu, com o sotaque típico do Sul. — Acabei de me separar! — riu nervosamente.
— Sério? — arqueei a sobrancelha, surpresa. — Nem sei o que dizer. — Percebi que não tinha perguntado seu nome. — Sou Vívian.
— Patrícia — respondeu, apertando minha mão.
— Decidiu mudar para cá em busca de novos ares?
— Na verdade, minha irmã morava aqui e deixou a casa para meu sobrinho, então estamos morando lá.
— E como tem sido morar aqui?
— Não é ruim, o salário é ótimo — suspirou. — Só é difícil para ele, que ainda não conhece quase ninguém. Está tentando se enturmar agora que entrou em um cursinho.
— Adolescentes sempre enfrentam desafios, não é? Quantos anos ele tem?
— Dezenove — os olhos dela brilharam. — Mas para mim, sempre será meu bebê! Quando o peguei para criar, ele era do tamanho do seu Bento. Agora já é um homem, ao menos para quem vê de fora, mas para mim continua sendo um menino. Protejo-o tanto do mundo que temo parecer uma sogra excessivamente cuidadosa.
— Eu também sou ciumenta, até dos meus cachorros — disse, rindo. — Eles são castrados e nunca cruzaram, mas o ciúme persiste.
— Engraçado que não tenho tanto ciúmes do meu marido. Claro, há carinho, mas nada exagerado.