Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Aproveitei o sossego do início da tarde para me entregar às páginas do meu livro. Já estava no segundo volume da saga "A Empregada" e a leitura era uma delícia — viciante como uma sobremesa esquecida na geladeira. Falando em sobremesa, bastou a palavra "doce" cruzar minha mente para uma vontade absurda de pêssego em calda tomar conta de mim. Grávida é isso: uma mistura de leitura e gula, tudo no mesmo suspiro.
— Acho que tô enlouquecendo de vez... — murmurei, indo até a sala. Encontrei Pedro esparramado no sofá. — Pensei que já tivesse ido embora.
— Tô passando mal — respondeu congestionado, a voz abafada e os olhos caídos. Aquela expressão abatida lembrava tanto o Gabriel nos raros dias em que adoecia.
— Mal de quê?
— Febre... dor de cabeça... — fungou.
Aproximei-me e toquei seu ombro.
— Prefere remédio ou um chá?
— Chá... — respondeu baixinho, arrastando-se até o quarto de hóspedes.
Fui pra cozinha e, entre panelas e folhas de hortelã, preparei uma sopa de legumes com carne vermelha e um chá com mel. Quando levei a bandeja até ele, estava quase dormindo.
— Cuidado, tá quente — avisei, entregando. — Vê se gosta. Preparo a comida do Bento do mesmo jeitinho... só que com menos tempero.
— Obrigado... — arfou.
— Você tá mal assim mesmo ou é um pouco de cena?
— Gripe em homem dói mais do que parto, Vívian.
— Não dói, não. Nem perto! — retruquei com o dedo em riste. — Toma logo esse chá. Vai ver que isso tudo é só drama.
Depois de deixá-lo lá, fui cuidar dos cachorros. Lavei o canil, troquei os panos, coloquei os brinquedos e os ursos pra lavar. Quando terminei, os cachorros correram até o portão latindo — sinal de que alguém chegava.
Gabriel entrou sorrindo.
— Que baderna é essa?
Bento olhou pra mim, com o biquinho de choro já formado.
— Tá fazendo o quê aí? — Gabriel se aproximou, o olhar sério. — Não tô acreditando no que eu tô vendo...
Fechei o portão do canil, limpando as mãos no short.
— Só lavei o que tava sujo. Ficar olhando isso bagunçado me dá agonia.
— Mas você não pode! Espera eu chegar... — o tom dele subiu. — Eu fico preocupado, não só com você, mas com o bebê também.
— Vamos tomar banho? — beijei a cabeça do Bento, que brincava com meu cordão. Gabriel ainda falava, mas eu não escutava mais. Não queria escutar.