Dia do papai.

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  PEDRO

— O que foi...? Está sentindo medo? — perguntei, com um sussurro entre o riso e o arrepio, ao sentir algo roçar as pernas sob a água morna da maré.

— Você é uma sereia, não é? Quer me arrastar para o fundo do mar... — brinquei, tentando ocultar a inquietação que me invadia.

— Já me viram com você... e eu prefiro o mistério daquilo que ninguém vê — respondeu, com um sorriso de canto que parecia guardar um segredo antigo.

— Sem testemunhas, sem provas... — disse, enquanto ela mergulhava suavemente, como quem desaparece entre véus de água e luz. — Volta aqui, maluca, essa onda está puxando!

— "Malhucá" — ela repetiu, zombando do meu sotaque. Rimos. Ela ria com os olhos, e era impossível não acompanhá-la.

— O que foi agora? — perguntei, imitando o jeitinho irritadiço dela, que estalou os lábios e fechou o semblante.

— Sem graça... — murmurou, voltando a mergulhar. A espuma parecia dançar ao redor do seu corpo. Eu molhei o cabelo, tentando disfarçar a vontade de olhá-la demais.

Ficamos em silêncio, só o som das ondas preenchia o espaço entre nós. Quando ela voltou a passar por mim, a mesma sensação me assombrou: algo roçara minhas pernas de novo.

— Que estranho... — murmurei, olhando ao redor.

— Não fui eu — disse ela, com as mãos no cabelo, tentando domá-lo em vão. Tinha tanto cabelo que ele parecia ter vida própria. — O que foi?

— Será que se eu deixar meu cabelo crescer, ele fica assim? — brinquei, passando os dedos pelos fios dela.

— Talvez... — ela sorriu e, com doçura, ajeitou meu cabelo, como se me lesse em silêncio.

— Seu cabelo é lindo. — deslizei a mão por ele, admirado. — Sua pele... — acrescentei, tocando levemente seu braço.

Ela me deu um tapa leve, nadando para longe com um riso debochado.

— Pra cima de mim, Pedro? — disse, fingindo indignação.

— Só estava te elogiando.

— Hum... — lançou um olhar desconfiado, mas havia brilho ali, não censura.

— Acha mesmo que eu estava dando em cima de você?

— Não sei... só estava estranho. Parecíamos um casal.

— Não éramos?

Depois, recolhemos nossos pertences da areia, e Giulia foi direto pegar a chave do carro. Na saída, se voltou para um senhor que vendia artesanato e perguntou:

— O senhor acha que parecemos um casal?

— Casal de filme — ele respondeu, com um sorriso que aquecia até o vento noturno.

— De terror... — completou um garoto de uns quinze anos, arrancando uma risada nossa. — Tipo aquele casal bonito que sempre morre primeiro.

— Não sou bobo a esse ponto — rebati.

— Pelo menos não somos os feios — disse Giulia. — Aqueles que são lindos demais, mas ficam com uma blusa quadriculada e já perdem o charme...

— Os malvestidos sobrevivem. São os mais espertos — arrematei.

Voltamos para a casa da Vívian e Gabriel. Ela estava na varanda com os cachorros e nos observou com olhos curiosos.

 Ela estava na varanda com os cachorros e nos observou com olhos curiosos

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