Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Vívian estava entregue ao caos do próprio exagero. Jurava que havia tomado apenas cerveja, mas seus passos vacilantes e o cheiro adocicado dos drinks que a rodeavam contavam outra história. A mistura a vencera — e agora, entre lágrimas e vômitos, ela se agarrava à ideia de que a morte a espreitava.
— Acho que eu tô morrendo, amor... — soluçou, o rosto úmido e os olhos marejados.
— Você não tá morrendo, Vívian... só está pagando o preço da farra. — tentei não rir, embora a cena tivesse algo tragicômico que me arrancava um sorriso contido.
— Que vergonha... aah! — choramingou outra vez, se encolhendo como uma criança flagrada em traquinagem.
— Vem, vamos tomar um banho. — falei baixo, passando o braço ao redor de seus ombros frágeis. Sua pele estava fria e o orgulho derretido.
A conduzi com paciência até o banheiro, onde o vapor quente ajudou a lavar não apenas o corpo, mas a ressaca da alma. Vesti seu pijama preferido e ajeitei seus cabelos sobre o travesseiro. Já deitada, ela suspirou, meio alheia ao tempo.
— Obrigada... — murmurou, com voz rouca. Sentou-se com dificuldade e me olhou como se só então me visse. — Bonitão... — puxou-me pelo casaco, envolveu minha cintura num abraço lento e carente. — Pensa que eu não vi aquela moça se aproximando de você? Depois você sumiu.
— É mesmo? Tá observando tudo, hein? — sorri, nervoso. — Ela é esposa de um amigo meu. Nada demais.
Vívian se deixou cair outra vez sobre os lençóis. Estava exausta.
— Quer comer alguma coisa?
— Não, não mesmo. — a resposta veio rápida, firme, como quem já aprendeu a lição. Tirei a roupa e deitei ao seu lado.
— Hummm... — ela riu, enlaçando os dedos pela minha cintura e tocando meu abdômen com um carinho despretensioso. — Que isso, hein, novinho?
— Vamos dormir. — puxei o edredom até seu queixo e ajeitei sua cabeça no travesseiro.
— Ainda bem que você não virou médico... tem uma paciência. — murmurou com ironia, mas havia ternura na voz.
— Eu seria um ótimo médico. O problema é que sou prático demais. — retruquei, rindo.
— Huh-rum... — sussurrou, fechando os olhos e se rendendo ao sono.
Fiquei ali, observando o ritmo lento da sua respiração. Quando me dei conta, estava dormindo também.
Acordei por volta das dez. Ela ainda dormia, o rosto tranquilo agora, como se a tempestade da noite anterior nunca tivesse acontecido. Tomei banho, preparei o café da manhã com cuidado e levei a bandeja até ela, ainda na cama.
— Que dor de cabeça... — murmurou, esfregando os olhos.
— Come que melhora. — incentivei. Ela comeu uma torrada, bebeu o suco devagar e recusou as frutas. Dei-lhe um comprimido e ela se deitou outra vez, derrotada pela ressaca.