Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Quando chegamos ao evento, percebi de imediato: eu era a mais nova dali. E a única com um bebê no colo.
— Acha mesmo que foi uma boa ideia eu vir, dona Helena? — perguntei em voz baixa, tentando disfarçar o nervosismo com um sorriso, justo quando uma mulher passou por mim sorrindo e acenando.
— Claro que foi, querida. Elas vão nos receber muito bem — garantiu, com aquele tom confiante que só a experiência concede.
A casa tinha um jardim amplo e muito bem cuidado. No fundo, havia uma área aconchegante, onde um grupo de mulheres conversava com animação. Fomos bem recebidas, para meu alívio. O Bento, no meu colo, distribuía olhares curiosos e alguns sorrisos, chamando atenção.
Uma mulher de meia-idade, de cabelos pretos e pele morena, se aproximou. Era linda, daquelas que parecem ter o tempo ao seu favor.
— Ele é a sua cara! — disse, olhando para o Bento. Sorri, mesmo sem ver semelhança. — E o Gabriel, como está? O que aconteceu com ele... foi um verdadeiro milagre.
— Ele está bem... — comecei, mas antes que pudesse completar, minha sogra tomou a palavra.
— Está em casa, ainda se recuperando. Mas logo haverá oportunidades de nos reunirmos — respondeu, seca.
— Que assim seja — disse a mulher, ainda sorrindo.
Sentei-me com o Bento no colo e soltei um suspiro. Não estava gostando nada da situação.
— Te interrompi porque ninguém aqui precisa saber da nossa vida — murmurou dona Helena, colocando a bolsa do bebê na cadeira ao lado.
— Precisava mentir? Podia ter me avisado antes. Eu saberia omitir. Mentir não é a melhor escolha... parece que tem vergonha dele ter ido embora. Ele não fugiu — respondi, sem conter a frustração.
— Tudo bem, Vívian — disse ela, passando a mão pelo meu braço. Franzi o cenho e neguei com a cabeça.
— Tem que ter paciência — sussurrei, desviando o olhar.
Ofereci o mordedor ao Bento, que já mordia meu dedo com força. Os dentinhos estavam nascendo — a pontinha branca era visível.
— Não sabia que você participava dessas reuniões! — disse uma voz atrás de mim, e eu virei para ver Dandara, sorridente. — Tudo bem?
— Tudo sim. Vim com a minha sogra — respondi, enquanto ela se aproximava e cumprimentava dona Helena. Bento, como sempre, agarrou o cabelo dela.
— Vai começar a vir sempre? Esse é um lugar só nosso, de mulheres. É bem interessante.
— Ainda não sei. É minha primeira vez aqui — confessei, balançando a perna enquanto tentava acalmar o Bento, que queria descer.
— Venha mais vezes! — disse ela, olhando para ele com carinho. — O que você quer, neném? — pegou-o com delicadeza. — Como é grande! Parece com os meus filhos — disse, alisando o cabelinho dele. O olhar do Bento se fixou no colar que ela usava, idêntico ao meu.