Entre toques e suspiros.

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  Eu estava adorando tudo aquilo — a música que embalava sorrisos, pessoas gentis, o aroma dos petiscos frescos, o riso leve vindo da água

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  Eu estava adorando tudo aquilo — a música que embalava sorrisos, pessoas gentis, o aroma dos petiscos frescos, o riso leve vindo da água. Mas, como tudo que é bom, também chegou a hora de partir.

— Eu viria mil vezes mais... — comentei ao descer do barco, sentindo o vento fresco na pele. — Não tem nada melhor do que isso. Adorei.

— Eu sabia que você ia gostar... — Gabriel disse, me envolvendo num abraço enquanto contemplávamos juntos a imensidão da vista. — Você ama dançar.
O vento gelado nos enlaçava feito promessa de um fim de noite perfeito.

— Esse frio só me faz pensar em casa... e cama. — murmurei, com o rosto colado ao peito dele.

Voltamos para casa ainda embalados pela leveza daquele passeio. Uma das primeiras coisas que fizemos foi espiar nossos filhos, adormecidos, em paz.

— Você sabia que é uma das melhores mães do mundo? — ele disse, enquanto eu beijava a testa de Bento com delicadeza.

— E quem é a melhor, então? — perguntei, com um sorriso de dúvida.

— A sua mãe. Desde o dia em que voltamos do hospital, ela esteve aqui. Não largou você nem por um segundo.

— Ela é incrível, não é? — acariciei a cabecinha da nossa filha, sentindo aquele amor silencioso que só cresce. — Ela sabe o quanto tudo isso tem sido difícil...

Depois de um banho quente, respirei fundo, sentindo o dia pesar suavemente sobre meus ombros. E foi aí que Gabriel sussurrou:

— Tenho algo pra te mostrar...

Ele saiu do quarto, e minha mente foi direto à área externa.

— Vai querer vendar meus olhos? — provoquei, já deitada de bruços na cama.

— Como você preferir... — respondeu, puxando meu cabelo com leveza e logo o afagando com ternura.

— No escuro, com os olhos fechados. Assim é melhor...

Me levantei sorrindo e fui até o quarto de hóspedes do jardim, aquele onde o silêncio tem cheiro de flores.

— Como você sabia que era ali? — ele perguntou, divertido.

— Sinto o perfume das flores... — respondi, abrindo a porta devagar. Acendi as luzes e meu coração apertou. — Está tão lindo...

Um buquê me esperava, colorido e cheio de vida. Gabriel se aproximou e me entregou uma pequena caixa. Por um instante, meu coração gelou.

— Pode ficar tranquila... — disse, com um meio sorriso. — Não é outro pedido de casamento.

— Ufa! — soltei o ar num suspiro aliviado. — Já não tenho onde enfiar tanto anel...

Abri a caixinha e ali estava um pingente delicado, com uma foto dos nossos filhos e dos nossos cães. Um fragmento perfeito da nossa vida.

— Gabriel... isso é tão lindo. Coincidência ou não, também escolhi te dar algo hoje. A gente pensa parecido demais...

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