Tocar Música da Midia!
Carlos POV
A noite estava fria. Os tons de inverno envolviam a cidade com uma suavidade quase melancólica, enquanto as luzes natalícias brilhavam nas ruas de uma Madrid que eu já não conseguia ver com os mesmos olhos. Cada canto da cidade parecia trazer uma memória de nós, de mim e da S/N, e isso era cruel. É como se cada rua e cada canção de Natal fossem agora partes de uma dor que me acompanhava.
Sinto o ar frio cortar-me o rosto enquanto as memórias daquela noite específica voltam, cruas e impiedosas. A última vez que a vi... o último Natal. Naquela época, ainda acreditava que estaríamos juntos para enfrentar todos os invernos que viessem. Mas, ao recordar a forma como as palavras dela ecoaram pelo apartamento, percebo que já havia muito mais dito no silêncio que dominava os momentos antes.
Ela olhou para mim com os olhos que tantas vezes tinham brilhado ao me ver, mas dessa vez havia algo diferente – uma tristeza profunda, um cansaço. No momento, tentei desviar o olhar, tentando fingir que não percebia o que estava a acontecer. Mas o silêncio entre nós falava mais alto do que qualquer palavra. Eu sabia, no fundo, que algo estava errado.
Passámos a noite juntos, mas foi como se estivéssemos a quilómetros de distância. Era Natal, o nosso último, e nem sequer sabíamos disso. A árvore iluminada, o cheiro das velas, tudo parecia normal, mas havia uma sombra entre nós, uma dúvida que começou a erguer-se como uma parede invisível. As conversas, que antes fluiam naturalmente, agora pareciam forçadas, vazias.
Acho que ambos sabíamos o que estava para vir, mas nenhum de nós teve coragem de dizer isso em voz alta. E talvez tenha sido essa a maior traição, o facto de não sermos capazes de sermos honestos com o que sentíamos. Aquela noite, percebi que o amor pode morrer devagar, sem explosões, sem gritos, apenas numa sucessão de silêncios cada vez mais longos e desconfortáveis.
Lembro-me de ter acordado na manhã seguinte com um nó no peito. Olhei para o lado e ela ainda estava ali, a dormir com um semblante sereno. Perguntei-me como algo tão bonito, tão puro, poderia estar a acabar. Havia uma parte de mim que queria agarrar-se a isso, mas ao mesmo tempo sentia-me a afundar num abismo que nem conseguia nomear.
O dia avançou, com risos forçados e sorrisos quebrados. Trocaram-se presentes, promessas de um "feliz Natal", mas havia uma amarga ironia em tudo isso. E então, antes mesmo que pudesse perceber, as palavras saíram-lhe da boca. "Carlos, eu... não posso continuar."
O mundo parou. Não queria acreditar, mas ali estava, nua e crua, a verdade que ambos havíamos tentado esconder. Perguntei-lhe por quê, mas no fundo já sabia. Estávamos a viver em caminhos que, a certa altura, deixaram de se cruzar. Ela não aguentava mais a vida de incertezas e ausências que a minha carreira trazia. E, por mais que eu quisesse gritar, lutar contra aquilo, sabia que ela estava certa.
A conversa foi breve, e talvez fosse melhor assim. Tudo o que precisava de ser dito foi dito com um olhar, uma lágrima silenciosa que desceu pelo seu rosto. Ela despediu-se, e eu senti o peso do vazio a tomar conta de mim.
Agora, a cada dia que passa, tento encontrar uma forma de entender, de aceitar. O Natal, que sempre foi uma época de alegria e esperança, tornou-se numa recordação dolorosa de algo que nunca voltará. Ainda me lembro do sorriso dela, dos nossos planos de futuros, mas agora são apenas sombras, sussurros de uma felicidade que parece distante.
As pessoas dizem que o tempo cura, mas até agora só tenho sentido o contrário. Cada dia parece trazer uma nova camada de dor, uma saudade que corrói lentamente. Tento focar-me na pista, nos treinos, mas há sempre um momento, um segundo de distração, em que o pensamento volta para ela. A pergunta que permanece: e se? E se tivesse lutado mais? E se tivesse mostrado de outra forma o quanto ela significava para mim?
As luzes de Natal ainda estão espalhadas pela cidade, mas já não têm o mesmo brilho. Parecem meras recordações de um amor que, embora tenha sido real, também se tornou numa ferida que ainda não sei como fechar.
Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.
E Bom Natal!
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F1 Imagines
Fanfiction*F1 Imagines* é um livro que mergulha na imaginação criativa dos fãs da Fórmula 1, oferecendo uma experiência única e imersiva. Cada página captura momentos vibrantes e intensos, permitindo aos leitores vivenciar histórias fictícias com seus pilotos...
