Daniel Ricciardo- Late Night

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Tocar Música da Midia!

Daniel POV

O som do vento a bater contra as janelas era a melodia constante que me acompanhava naquela noite. Sentado no sofá da minha sala, com as luzes reduzidas a uma lâmpada tímida no canto, apertei a caneca quente de chá entre as mãos. O vapor que subia era uma pequena dança de memórias, e cada respiração parecia puxar-me de volta à tua presença.

É estranho como a saudade não segue lógica. Aparece sem aviso, ataca nos momentos mais comuns. Hoje foi a tua gargalhada que ecoou na minha memória enquanto dobrava uma camisola tua que ficou esquecida. Podia jurar que o som dela encheu a casa por uns instantes, como se fosses surgir à porta, com aquele sorriso malandro que sempre trazia luz aos meus dias. Mas quando levantei os olhos, a realidade golpeou-me com o vazio da tua ausência.

Por vezes, pergunto-me como seria se nunca tivessemos cruzado caminhos. Essa ideia, ainda que dolorosa, parece menos pesada do que esta falta incessante de ti. Desde que deixei a Fórmula 1, tenho aprendido a lidar com a pausa, com o silêncio das pistas e a calmaria das manhãs que não começam com motores a rugir. Mas o silêncio que vem de não te ter ao meu lado é insuportável.

Lembro-me de como preenchias todos os momentos com a tua energia. Mesmo nos dias em que eu chegava derrotado de uma corrida ou frustrado com um mau desempenho, tu encontravas uma forma de me fazer esquecer. Com um gesto, uma palavra, ou até o simples toque da tua mão no meu ombro, tinhas o poder de transformar um dia pesado numa lembrança leve.

E agora, é essa leveza que me faz falta. O peso do mundo é diferente quando não temos com quem partilhá-lo. Descubro-me perdido em pensamentos sobre nós, revisitando as memórias como quem folheia um álbum de fotografias. As nossas viagens espontâneas, os jantares em restaurantes escondidos que encontrávamos sem querer, e aquelas noites em que ficávamos a ouvir música no sofá, as tuas pernas sobre as minhas, enquanto ríamos sem motivo aparente.

Há um momento que me visita frequentemente: uma tarde em que estávamos numa praia isolada, a areia quente sob os nossos pés e o mar a sussurrar segredos antigos. O sol pintava o céu de tons dourados, e tu corrias à minha frente, os teus cabelos a dançar com o vento. Chamaste-me para te seguir, e eu corri. Sempre corri para ti, S/N.

Agora, não sei para onde correr. A vida tornou-se um caminho sem direção, uma pista sem meta. Tento ocupar-me, preencher os dias com atividades e pessoas, mas nada tem a tua essência. Nada tem aquele brilho especial que trazias a tudo. Até o meu riso – algo que sempre foi tão meu, tão natural – soa diferente. Menos genuíno, talvez.

As noites são as piores. Quando o mundo desacelera e o silêncio se torna ensurdecedor, é quando os pensamentos me assaltam. Fecho os olhos e quase posso sentir-te. O toque suave da tua mão na minha, o calor do teu corpo encostado ao meu. Sinto falta de como me olhavas, como se fosses capaz de ver através de todas as minhas defesas, todas as minhas inseguranças. Contigo, eu era apenas Daniel – sem capacete, sem escudos. Apenas eu.

Questiono-me se sentes o mesmo. Se, nas tuas noites silenciosas, as memórias também te invadem. Pergunto-me se, quando passas por aquele café onde costumávamos ir, pensas em mim. Ou se, ao ouvir aquela música que dançámos numa noite de chuva, sentes um aperto no peito como eu sinto agora.

Às vezes, tento convencer-me de que isto é temporário, que o tempo vai suavizar esta dor. Mas a verdade é que não quero que o tempo te leve de mim. Prefiro carregar a saudade do que esquecer-te. Prefiro sentir esta dor do que perder as memórias. Porque, apesar de tudo, tu foste – e ainda és – a melhor parte de mim.

Amanhã, talvez o sol brilhe de forma diferente. Talvez encontre uma forma de lidar com esta ausência sem que ela me consuma. Mas hoje, permito-me sentir. Permito-me mergulhar na saudade, na reminiscência, na dor. Porque cada emoção que sinto é um reflexo do quanto significas para mim.

Coloco a caneca vazia sobre a mesa e deixo-me afundar no sofá. A tua camisola dobrada ainda está ao meu lado. Levo-a ao rosto, respirando o teu perfume que ainda insiste em permanecer. E, por um instante, quase consigo acreditar que estás aqui.

Afinal, a saudade não é apenas uma dor. É também uma prova de que amei, de que fui amado. E enquanto essa saudade existir, tu continuarás a viver em mim. Sempre.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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