Lewis Hamilton- One More Sleep

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Tocar Música da Midia!

S/N POV

A lareira crepitava no canto da sala, preenchendo o espaço com um calor acolhedor, mas nem isso parecia dissipar a inquietação que se apoderava de mim. Era uma ansiedade quase doce, misturada com aquele toque de nostalgia que só o Natal conseguia despertar em mim. Sentada na poltrona que parecia abraçar-me com uma tranquilidade que eu só encontrava em casa, olhava a árvore de Natal com as luzes cintilantes, cada piscar um lembrete do quão perto — e ao mesmo tempo distante — estava o dia em que finalmente o veria.

O pensamento de Lewis trazia-me um sorriso automático, mas também um aperto no peito. Havia algo quase irónico naquela sensação de antecipação que me deixava dividida entre a euforia e a saudade. Ele era o sol que aquecia os meus dias e a estrela que iluminava as minhas noites. Mas nos últimos meses, tínhamo-nos visto tão pouco que, por vezes, a realidade parecia desvanecer-se nas horas que passavam devagar.

Sabia que o nosso amor era como uma dança, uma espécie de coreografia improvisada entre aeroportos, horários apertados e as exigências implacáveis da vida de um piloto de Fórmula 1. Lewis sempre foi apaixonado pelo que fazia, e esse era um dos motivos pelos quais o amava. No entanto, à medida que o Natal se aproximava, o desejo de tê-lo ao meu lado tornava-se quase insuportável. O simples pensamento de vê-lo a entrar pela porta, envolto no frio de dezembro, com aquele sorriso caloroso que sempre trazia, era uma imagem que voltava a cada instante, alimentando a esperança e ao mesmo tempo tornando a espera quase dolorosa.

Aproximava-me da janela, onde o ar frio da noite fazia as minhas mãos tremerem ligeiramente. Lá fora, as luzes da cidade cintilavam como estrelas caídas na Terra, e eu perdia-me em pensamentos. Perguntava-me se ele estaria a sentir o mesmo, se em algum lugar entre os carros e a adrenalina, também ele ansiava por esta noite de Natal, por este abraço que parecia eternamente adiado.

As noites tornavam-se mais longas sem ele, e com cada dia que passava, mais me afundava numa melancolia gentil, enquanto o relógio insistia em arrastar-se. Sabia que ele viria — ele tinha prometido. E Lewis nunca quebrava uma promessa. Mas parte de mim temia que algo o impedisse. As corridas, os compromissos, as mil responsabilidades que carregava nos ombros eram pesos que muitas vezes o afastavam de mim. E, mesmo assim, cada palavra sua, cada promessa sussurrada ao telefone, dava-me a força para continuar a esperar.

Lembro-me de uma noite recente em que falámos ao telefone, a sua voz um murmúrio suave, cansado mas doce. Contou-me sobre a última corrida, sobre os pequenos detalhes que só ele percebia, sobre a emoção e a pressão. E, no fim, prometeu que estaria comigo no Natal. "Não há lugar onde eu queira estar mais do que aí," dissera ele, a voz num tom baixo, quase vulnerável. Era essa a memória que guardava no coração, um fragmento de calor para aquecer as noites frias de dezembro.

Com o passar dos dias, a cidade enchia-se de música e risos, de cores e cheiros que evocavam lembranças da infância. E eu, como uma criança à espera de um presente especial, contava os dias para o seu regresso. O meu coração acelerava ao imaginar a primeira troca de olhares, o primeiro toque depois de tanto tempo. Sabia que não haveria palavras para expressar tudo o que sentia, mas também sabia que ele entenderia. Porque, apesar da distância, havia uma ligação entre nós que ia além das palavras, algo tão profundo e intocável como a própria essência do Natal.

Na véspera, a casa estava perfeitamente decorada — a árvore adornada com pequenos enfeites que escolhêramos juntos no último Natal, as velas acesas, o aroma a canela e pinho que impregnava o ar. Fizera questão de preparar tudo como ele gostava, um reflexo do carinho que colocava em cada detalhe. Queria que, ao entrar, ele se sentisse em casa, como se nunca tivesse estado longe.

No entanto, as horas passavam, e o som da campainha não chegava. O telefone permaneceu em silêncio, e eu via o céu escurecer lá fora, a neve caindo suavemente, como uma dança silenciosa que aumentava a quietude da noite. As luzes da árvore piscavam, mas começavam a parecer um consolo triste.

Finalmente, quando a noite já ia longa e o cansaço começava a embalar-me num torpor inquieto, ouvi o ruído da porta a abrir. O coração bateu descompassado, e antes de perceber, já estava a correr para o corredor. Lá estava ele — Lewis, o olhar exausto mas brilhante, o sorriso que me devolvia a vida, e o abraço que há tanto esperava.

"Desculpa a demora," murmurou, a voz abafada pelo meu ombro enquanto me apertava contra ele. Senti o cheiro familiar do seu casaco, aquele aroma inconfundível que era tão dele, misturado com o frio da rua.

"Estás aqui," respondi, num suspiro que carregava todo o alívio, toda a alegria e a saudade que se haviam acumulado nos dias de espera. E ali, naquele abraço, as palavras tornaram-se irrelevantes.

Sentámo-nos juntos na sala, as mãos entrelaçadas e os olhares trocados num silêncio confortável. O fogo da lareira refletia-se no seu rosto, e a paz que emanava dele parecia preencher cada recanto da casa. O Natal era mais do que um dia especial; era um estado de espírito que ele trazia consigo, um sentimento de pertença que se manifestava no brilho dos seus olhos e na doçura dos seus gestos.

E, enquanto o observava, sabia que todos os momentos de espera, de saudade e de desejo, tinham valido a pena. Porque, no fim, ele estava ali, e isso era tudo o que precisava para que o Natal fosse completo.


Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.
E Bom Natal!

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