George Russel- More Than This Part 2

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Parte 2 pedida por yaskaew :)

Tocar Música da Midia!

S/N POV

As noites em Mónaco sempre tiveram um encanto peculiar. O silêncio misturava-se ao distante burburinho da cidade, e a luz das estrelas refletia-se no mar, como um tapete de diamantes que nunca terminava. Mas, para mim, aquela noite tinha um peso diferente. Era como se o universo me desafiasse a encarar a minha própria verdade, algo que eu não estava pronta para fazer.

Os dias que se seguiram ao jantar no apartamento do Lando tornaram-se um jogo de equilíbrio. George continuava a aparecer, sempre com aquele sorriso caloroso, sempre gentil, e Carmen, elegante e graciosa, estava a seu lado. Era impossível não reparar na harmonia entre eles, no código silencioso que partilhavam. No entanto, havia momentos — pequenos, fugazes — em que os olhos do George encontravam os meus por tempo demais, como se ele procurasse algo que não conseguia nomear. Ou talvez fosse apenas a minha imaginação, a mente a pregar-me partidas cruéis.

Uma tarde, semanas depois, o Lando sugeriu um passeio de barco. Era uma daquelas ideias espontâneas tão típicas dele, e, antes que me pudesse esquivar, já me tinha incluído nos planos. O grupo era pequeno: eu, Lando, George e Carmen. Era para ser um dia descontraído, longe das pressões e dos holofotes.

O barco balouçava suavemente sobre as ondas enquanto navegávamos para longe da costa. O Lando estava ao leme, completamente absorvido na tarefa, enquanto Carmen descansava num dos sofás exteriores, um livro na mão. George estava ao meu lado, a poucos metros de distância, a ajudar a ajustar uma das velas. O vento despenteava-lhe o cabelo, e o sol realçava os seus traços — a linha firme do maxilar, os olhos tão incrivelmente azuis.

"Estás muito calada outra vez," disse ele de repente, com um sorriso que fez o meu coração vacilar. Encostou-se ao corrimão do barco, cruzando os braços, o olhar fixo em mim. "O que é que se passa na tua cabeça?"

"Nada de importante," menti, forçando um sorriso. Era a mesma resposta vaga que lhe dava sempre, mas George parecia menos inclinado a aceitá-la desta vez.

"Não parece," respondeu, baixando ligeiramente a voz, como se quisesse garantir que ninguém mais ouvia. "Sabes que podes falar comigo, certo? Seja o que for."

O calor na sua voz, a sinceridade nos seus olhos, eram quase demasiado para suportar. Por um momento, pensei em dizer-lhe tudo. Mas não podia. Não aqui, não agora. Então limitei-me a acenar, fingindo que aquelas palavras não me afetavam.

O dia continuou, mas eu estava presa numa espiral de pensamentos. Havia momentos de pura beleza — como quando saltámos para a água cristalina e nadámos até um pequeno recife, ou quando o Lando tentou, sem sucesso, apanhar um peixe com as mãos. Mas também havia momentos de agonia silenciosa, como quando vi George e Carmen juntos, as suas cabeças inclinadas numa conversa privada que parecia excluir todo o resto do mundo.

Mais tarde, quando o sol começava a desaparecer no horizonte, voltámos para o barco. Carmen e Lando ficaram no convés superior, ocupados a preparar uma refeição simples. George e eu ficámos sozinhos no convés inferior. O som das ondas contra o casco era hipnotizante, e o silêncio entre nós parecia quase palpável.

"Porque é que me parece que tens algo por dizer, mas não dizes?" perguntou George de repente, quebrando o silêncio. Estava sentado num dos bancos, os cotovelos apoiados nos joelhos, a olhar para mim com uma intensidade que me deixou sem ar.

Desviei o olhar, fingindo interesse nas águas escuras lá fora. "Estás a imaginar coisas," disse, mas a minha voz traiu-me, um pouco mais trémula do que pretendia.

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