Esteban Ocon- Spring Day

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Tocar Música da Midia!

Esteban POV

O inverno trouxe consigo uma calma peculiar, como se o tempo estivesse a abrandar, ou talvez, a desistir de correr. Sentado junto à janela do meu apartamento em Genebra, o meu olhar fixava-se na neve que caía, silenciosa, pintando o mundo de branco. As árvores pareciam ter adormecido, os seus ramos desnudos estendendo-se como mãos vazias em direção ao céu cinzento. Dentro de mim, a sensação era semelhante: um vazio frio e suspenso, um espaço que apenas esperava ser preenchido.

Ela partiu há meses. Na altura, o final do verão parecia menos ameaçador; eu pensava que o tempo passaria depressa, que as semanas se acumulassem uma sobre a outra até nos encontrarmos de novo. Era quase ilógico pensar assim, como se pudesse domesticar o tempo, forçá-lo a ceder. Mas agora, cada dia era um espelho partido — pequeno e agudo — refletindo apenas a sua ausência.

S/N. O seu nome ecoava na minha mente como um segredo bem guardado, um sussurro que se recusava a dissipar-se. Lembrava-me do som da sua voz, suave como o vento que ondulava os campos em Annecy, onde tantas vezes caminhámos. Era nessas memórias que me refugiava, quando a saudade se tornava insuportável. Cada detalhe parecia esculpido na perfeição: a forma como o seu cabelo se iluminava ao sol, os olhos atentos que me observavam com uma ternura que nunca consegui merecer por completo.

"É só por um tempo, Esteban", disse-me ela naquela manhã de setembro, a sua mala já arrumada junto à porta. Tentei sorrir, mas o meu peito doía como se o ar me faltasse.

"Eu sei", respondi, mesmo que não soubesse nada. Não sabia o que faria com o espaço que ela deixaria, com os silêncios que se prolongariam sem a sua voz para os preencher.

Agora, conforme o ano se aproximava do fim, a esperança tornava-se o meu abrigo. Não era uma esperança ingénua, mas uma esperança que se agarrava à promessa que fizéramos: haveríamos de nos reencontrar. S/N tinha deixado uma parte dela comigo, e eu sabia que onde quer que estivesse, eu também era uma parte dela.

A última corrida da temporada, em Abu Dhabi, tinha terminado. Por mais que amasse a velocidade, o cheiro do asfalto quente e o rugir do motor, aquele vazio seguia-me de paddock em paddock. Nunca lhe contei, mas nos momentos mais solitários, quando o capacete abafava o mundo lá fora, pensava nela. Quando a visão se tornava apenas a curva seguinte, era o rosto dela que surgia por instantes, uma imagem fugaz que me trazia consolo e saudade na mesma medida.

"Quando voltar...", dizia-me a mim mesmo, as palavras uma promessa silenciosa. Às vezes, a minha esperança misturava-se com medo. E se o tempo nos transformasse em estranhos? E se, ao olharmos um para o outro, não nos reconhecêssemos mais? Mas depois lembrava-me dela — do jeito que dizia o meu nome, da forma como a sua mão encontrava a minha, como se fosse o lugar natural onde deveria estar. O amor tem um jeito estranho de nos ancorar, mesmo quando o mundo parece prestes a naufragar.

Peguei no telemóvel e passei pelas fotografias que tiráramos juntos. Uma delas, tirada numa tarde em Monza, fez-me sorrir. Estávamos encostados à vedação do circuito, os rostos iluminados pelo sol a pôr-se, a minha camisola manchada com as marcas da jornada de treino daquele dia. Ela rira-se de mim, dizendo que mesmo coberto de poeira, eu continuava a ser o seu piloto favorito. Às vezes, penso que ela via em mim uma versão melhor do que aquela que eu realmente sou. E era por isso que esperá-la valia a pena. Porque não importava o quão desgastante fosse a espera, no final, ela era o meu lugar seguro.

A noite foi caindo lentamente, os tons laranja e lilás desaparecendo no horizonte. Liguei a lâmpada do candeeiro e deixei que a luz dourada inundasse a sala. O apartamento estava silencioso, mas pela primeira vez em dias, esse silêncio não me pareceu tão pesado. Fechei os olhos por um momento e imaginei-a a atravessar a porta, o casaco pesado sobre os ombros, um sorriso de regresso estampado no rosto.

"Demoraste", diria eu, a voz trémula, incapaz de esconder a emoção.

"Mas estou aqui", responderia ela, encurtando o espaço entre nós, como sempre fez.

Abri os olhos e respirei fundo. Ainda não era real, mas em breve seria. Pelo menos, era isso que escolhia acreditar. Porque quando se ama alguém, mesmo o ato de esperar torna-se um gesto de coragem.

Amanhã seria véspera de Ano Novo. As ruas já estavam enfeitadas com luzes brilhantes e o mundo preparava-se para celebrar um novo ciclo. Eu também celebraria — não pelo que tinha terminado, mas pelo que ainda estava por vir. Há uma beleza no recomeçar, mesmo que o caminho esteja coberto de neve.

Sentei-me junto à minha secretária e tirei um caderno, aquele que usava para guardar os meus pensamentos mais privados. Abri uma nova página e, com uma letra firme, comecei a escrever:

"Querida S/N, O inverno chegou e, com ele, trouxe-me a esperança de que em breve, estaremos juntos. Tenho guardado as nossas memórias como um mapa que me guia. Quando as noites são longas, é a tua presença que sinto, mesmo que apenas em pensamento. Espero que, onde quer que estejas, saibas que continuo aqui. A esperar. A acreditar. Porque nós somos feitos de encontros, mesmo que por vezes, tenhamos de atravessar desertos de saudade. Com amor, sempre, Esteban".

Fechei o caderno e deixei-o sobre a mesa. A minha esperança era inquebrantável. E talvez, no silêncio da noite, S/N estivesse também a pensar em mim, a olhar para a mesma lua que agora brilhava lá fora. Até nos reencontrarmos, eu esperaria. Porque amar é também saber esperar.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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