Pierre Gasly- Amnesia

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Tocar Música da Midia!

Pierre POV

A chuva cai em Paris como um sussurro melancólico. Cada gota que desliza pela janela do meu apartamento parece cravar-se em mim, abrindo cicatrizes invisíveis que nunca tiveram tempo de sarar. O mundo continua a girar, indiferente às batalhas que travo dentro de mim.

S/N. O nome dela paira sobre a minha cabeça como uma prece perdida. Como um segredo sussurrado entre os lençóis, entre os beijos trocados sob a luz pálida da madrugada. Como um fantasma que se recusa a partir.

A primeira vez que a vi, o tempo pareceu dobrar-se ao redor dela. O riso leve, o brilho nos olhos que faziam o mundo parecer mais suave. Nunca fui homem de perder o foco, de deixar as emoções levarem a melhor sobre mim. Mas com ela, o controlo era um conceito abstrato. Era como guiar um carro a alta velocidade sem medo da colisão.

E depois, tudo colapsou.

O amor nem sempre morre de forma explosiva. Às vezes, desvanece-se em silêncio, como um motor que perde força até parar. Pequenos desacordos, silêncios prolongados, mensagens vistas e não respondidas. Atravessámos essa estrada sem notar que já não havia volta. Quando a despedida finalmente chegou, foi como um corte limpo, sem anestesia, mas também sem gritos. Apenas um aceno de cabeça, um adeus sussurrado e a certeza de que não havia mais nada a ser dito.

Agora, meses depois, vejo-a seguir em frente.

É impossível escapar às memórias quando a cidade está cheia de rastos dela. Cada rua tem um vestígio do seu perfume, cada café me lembra as tardes passadas entre gargalhadas e conversas sussurradas. Mas nada me atinge tanto quanto vê-la com outro.

Não precisei de perguntar. As redes sociais fazem questão de atirar as verdades ao meu rosto sem piedade. Uma foto, um sorriso, uma mão pousada com confiança na cintura dela. Ele é tudo o que eu não sou. Talvez mais estável, mais prático, menos imprevisível. Talvez seja isso que ela sempre quis, mas que nunca encontrou em mim.

Aperto os punhos, tentando conter a maré de emoções que ameaça engolir-me.

Já a vi antes, depois do fim. Cruzo-me com ela de vez em quando em eventos, em festas, em lugares onde antes chegávamos juntos, mas onde agora existimos como estranhos. Ela sorri, educada, como se não houvesse um mundo inteiro de história entre nós.

Pergunto-me se me esqueceu. Se a minha voz ainda ecoa na sua memória quando a noite cai e o mundo se silencia. Se ainda se lembra de como costumínhamos fugir das câmaras, de como nos escondíamos do mundo para que nada contaminasse o que era nosso. Pergunto-me se já apagou as mensagens, se já substituiu as músicas que um dia foram nossas.

A verdade mais cruel de todas é que ela está feliz.

E eu? Eu continuo a correr.

Corro na pista, corro na vida, corro para escapar daquilo que me persegue. Mas, por mais rápido que seja, há coisas das quais não consigo fugir. O amor que um dia foi meu e que agora pertence a outro. A sombra de tudo o que poderíamos ter sido.

Fecho os olhos e inspiro fundo. O gosto amargo da saudade mistura-se com a chuva que ainda bate na vidraça. Digo a mim mesmo que também hei de seguir em frente. Que um dia, talvez, não doa tão fundo.

Mas hoje, deixo-me afundar nas memórias.

Hoje, permito-me sentir.

Olá pessoal! Espero que tenham gostado deste imagine. Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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