Tocar Música da Midia!
Lance POV
O pôr-do-sol tingia o paddock de um laranja suave, mas a beleza do cenário contrastava com o peso que apertava o meu peito. O ruído dos motores que tantas vezes me trazia calma era, naquele momento, apenas um fundo indistinto para os meus pensamentos desordenados. Não conseguia parar de pensar nela.
S/N. O nome dela ecoava na minha mente como uma melodia que se repete, ora doce, ora amarga. Nos primeiros tempos, tudo entre nós parecia simples, fluido, quase perfeito. O sorriso dela iluminava as noites mais escuras, e a sua presença era um lembrete constante de que havia mais no mundo para além de corridas e contratos. Mas, ultimamente, as coisas tinham mudado.
Senti um frio na espinha ao lembrar-me da nossa última conversa. Ou melhor, do último confronto. As palavras dela ainda queimavam na minha pele. "Não podes estar sempre a fugir, Lance. Tens de decidir o que é mais importante." Fugir. Era isso que ela achava que eu fazia? Talvez tivesse razão. O meu mundo era uma constante fuga: da pressão, das expectativas, e agora, parece, também dela.
Encostei-me à parede do motorhome e fechei os olhos, tentando encontrar algum tipo de calma no meio do caos interno. Mas, em vez disso, fui transportado para momentos que preferia esquecer. A maneira como os olhos dela brilhavam de frustração quando discutíamos. A forma como a voz dela falhava quando tentava fazer-me compreender algo que eu não estava pronto a ouvir.
A verdade é que eu amava S/N. Isso nunca esteve em questão. Mas amar alguém nem sempre é suficiente, pois nós dois estávamos presos numa espécie de labirinto emocional. O meu estilo de vida exigia tudo de mim. Havia dias em que sequer conseguia responder a uma mensagem. As viagens constantes, os treinos intermináveis, as reuniões... Era como se todo o meu tempo fosse engolido pela velocidade.
E ela? Ela também tinha os seus sonhos, as suas ambições. Mas parecia que, para que ficássemos juntos, ela acabava por sacrificar muito mais do que eu. Era como se o mundo dela orbitasse em torno do meu, enquanto eu nem sempre conseguia perceber o impacto que as minhas escolhas tinham sobre ela. Ou talvez percebesse, mas não quisesse admitir.
Passei a mão pelos cabelos, num gesto mecânico. Como se isso pudesse desfazer o nó que se formava no meu estômago. Lembrei-me do momento em que tudo começou a desmoronar. Era uma noite de verão, em Mônaco. Estávamos sentados na varanda, o som do mar ao longe e uma garrafa de vinho entre nós. Ela perguntou-me onde eu me via em cinco anos. A pergunta parecia inocente, mas a minha resposta – ou a falta dela – desencadeou algo.
"Não é isso que eu quero ouvir, Lance. Eu preciso de saber se estamos a construir algo juntos, ou se estou apenas a acompanhar-te nesta jornada sem fim."
Na altura, não soube o que dizer. Como podia explicar-lhe que, para mim, o futuro era um conceito nebuloso? Cada temporada era um desafio. Cada corrida podia ser a última. Era assim que funcionava o meu mundo. Mas percebo agora que, para ela, aquilo soava a indiferença.
Olhando para o horizonte do paddock, apercebi-me de que estava a evitá-la. Mais uma vez. Não era a primeira vez que adiava a conversa que sabía ser inevitável. Ela era paciente, mas também tinha os seus limites. E talvez eu os tivesse ultrapassado. Talvez fosse tarde demais.
Os meus colegas passavam por mim, alguns atirando piadas ou palavras de incentivo, mas eu mal registava as suas presenças. Sentia-me como se estivesse a pilotar no meio de um nevoeiro denso, sem saber se estava a aproximar-me de uma curva ou de um muro.
Havia tantas coisas que queria dizer-lhe. Queria explicar-lhe que, mesmo quando estava longe, ela era o meu porto seguro. Que as mensagens não respondidas não eram sinal de desinteresse, mas de exaustão. Que os momentos em que parecia distante eram, na verdade, momentos em que estava a lutar para equilibrar dois mundos que raramente coexistem.
Mas também sabia que as palavras não bastavam. Não desta vez. Ela precisava de mais do que promessas vazias e desculpas. Ela merecia mais.
O som de passos suaves trouxe-me de volta à realidade. Virei-me e vi-a. S/N. O coração deu um salto involuntário no peito. Ela estava ali, com uma expressão séria, mas com um olhar que ainda carregava um vestígio de esperança. Por um momento, nenhum de nós disse nada. O silêncio era pesado, mas também carregado de significado.
"Podemos falar?", perguntou ela, a voz suave, mas firme.
Assenti, sentindo o coração acelerar. A composição que mantinha no circuito parecia desaparecer diante dela. Era vulnerável, cru. Talvez fosse isso que o amor fazia: despia-nos de todas as nossas defesas.
Enquanto caminhávamos para um canto mais reservado, tentei organizar os meus pensamentos, mas nada parecia suficiente. Ela merecia mais do que desculpas apressadas ou justificativas vazias.
"S/N...", comecei, mas ela ergueu a mão, pedindo que esperasse.
"Eu só quero saber uma coisa, Lance," disse ela, os olhos fixos nos meus. "Tu vês um futuro connosco, ou estou a lutar sozinha por algo que não existe?"
A pergunta dela atingiu-me como um soco no estômago. E, pela primeira vez em muito tempo, não tentei fugir. Não havia mais espaço para evasões ou meias-verdades. Respirei fundo, sentindo o peso de cada palavra antes de as dizer.
"Eu vejo um futuro, S/N. Mas sei que não tenho feito o suficiente para te mostrar isso. E lamento. Lamento por cada momento em que te fiz sentir que não eras a minha prioridade, porque tu és. Mesmo que eu não saiba sempre como demonstrá-lo."
Ela olhou para mim, estudando-me, como se tentasse determinar se as minhas palavras eram genuínas. E, ao fim de um momento que pareceu uma eternidade, vi os ombros dela relaxarem ligeiramente.
"Eu não quero promessas, Lance. Quero ações. Quero sentir que somos uma equipa, não duas pessoas a lutar em direções opostas."
Assenti, sabendo que ela estava certa. E, pela primeira vez em muito tempo, senti algo que se assemelhava a esperança. Tínhamos muito a resolver, mas talvez ainda houvesse um caminho para nós. Juntos.
Quando ela estendeu a mão, peguei nela, apertando-a com firmeza. Porque, naquele momento, prometi a mim mesmo que faria o que fosse preciso para não a perder. Afinal, até o piloto mais experiente sabe que às vezes é preciso desacelerar para encontrar o caminho certo.
Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
F1 Imagines
Fiksi Penggemar*F1 Imagines* é um livro que mergulha na imaginação criativa dos fãs da Fórmula 1, oferecendo uma experiência única e imersiva. Cada página captura momentos vibrantes e intensos, permitindo aos leitores vivenciar histórias fictícias com seus pilotos...
