Tocar Música da Midia!
Charles POV
O som do motor ainda ressoava dentro do meu peito quando saí do carro, o corpo quente da adrenalina a dissipar-se lentamente. O paddock fervilhava à minha volta, mas era como se eu estivesse a mover-me por um mundo à parte, ainda preso naquela fina linha entre o êxtase da velocidade e a exaustão do esforço. E foi então que a vi.
Havia algo nela que me capturou de imediato. Um magnetismo subtil, mas inescapável. Não era apenas a forma como a luz tocava o seu rosto ou a suavidade da sua expressão. Era o cabelo, longo, ondulando como uma promessa não dita, caindo sobre os ombros de um jeito quase poético.
Senti o coração tropeçar num batimento, como se a combustão perfeita que me fazia voar nas pistas falhasse por um segundo. Um sobressalto, uma hesitação impercetível. Nem sequer a conhecia, mas o efeito era inegável – um feitiço que se teceu silenciosamente à minha volta.
Ela não me viu de imediato, e talvez tenha sido melhor assim. Deixou-me um instante para recuperar o fôlego, para me recompor antes de me perder outra vez. O desejo de falar com ela era tão forte que me senti ridículo, quase adolescente, hesitante entre dar um passo em frente ou permanecer a observar de longe.
Fingi estar distraído, conversando com alguém cujo rosto já não me lembro, os olhos sempre a ser puxados para ela como se houvesse uma força invisível a guiar-me. Cada movimento seu parecia ter um ritmo próprio, uma leveza quase etérea. E o cabelo... aquele cabelo longo que caía num deslizar hipnotizante, como se fosse feito para provocar devaneios em homens tolos como eu.
Foi quando os nossos olhares finalmente se cruzaram que soube que estava perdido.
O impacto foi imediato – uma colisão silenciosa, mas devastadora. Não foi um olhar passageiro, daqueles que se dissipam no segundo seguinte. Foi algo que me fez prender o ar nos pulmões, um instante suspenso onde me vi refletido nos seus olhos, como se por um momento eu fosse transparente, despido de qualquer pretensão.
Sorri, num reflexo automático, mas havia algo na intensidade daquele instante que me fez sentir desconfortável. Como se ela me tivesse apanhado desprevenido, como se tivesse lido no brilho dos meus olhos aquilo que eu ainda tentava compreender. Ela inclinou ligeiramente a cabeça, uma sombra de curiosidade no rosto, e depois desviou o olhar.
O momento quebrou-se, mas o estrago já estava feito.
Durante o resto da noite, tentei enganar-me, distrair-me, afogar aquela inquietação no burburinho das conversas, nos sorrisos forçados e nas atenções que normalmente me alimentavam. Mas era inútil. Cada vez que o seu cabelo se movia ao sabor de um gesto, cada vez que o rasto do seu perfume me tocava sem permissão, um nó apertava-se no fundo do meu peito.
Não sabia o seu nome, e ainda assim sentia que já a conhecia de outra vida.
O que é que se faz quando o desejo se mistura com uma espécie de melancolia? Quando o querer vem acompanhado de um medo inexplicável de o concretizar?
Nunca fui de hesitar, nunca fui de perder oportunidades. A minha vida foi sempre feita de decisões rápidas, de impulsos certeiros. Mas havia algo nela que me fazia desacelerar, que me fazia querer ficar ali, no limiar da possibilidade, a prolongar o doce sofrimento da incerteza.
No final da noite, quando me preparava para sair, vi-a mais uma vez. Estava de costas, a falar com alguém, e por um momento considerei simplesmente ir embora. Mas depois, como se soubesse que eu estava ali, ela virou-se.
O olhar encontrou o meu outra vez, e nesse instante, tudo pareceu abrandar. O mundo tornou-se um borrão indistinto à nossa volta, e só restámos nós dois.
O meu corpo moveu-se antes que a minha mente pudesse processar. Dei um passo em frente, hesitei apenas o suficiente para me amaldiçoar por ser tão transparente, e então avancei de vez.
Ela olhou para mim com uma expressão neutra, mas os olhos contavam uma história diferente. Uma história de curiosidade, de perguntas não feitas.
– És sempre assim tão sério? – A sua voz era suave, mas carregava um brilho de provocação.
Pisquei os olhos, apanhado desprevenido pela forma como conseguiu desfazer, num instante, o nó de tensão dentro de mim. Um sorriso formou-se nos meus lábios antes mesmo de eu ter tempo de pensar numa resposta.
– Só quando estou a pensar demasiado – confessei.
– E agora? Em que estás a pensar? – Os seus olhos brilharam, e eu soube que ela já sabia a resposta antes mesmo de eu a dizer.
Não menti.
– No teu cabelo. – As palavras escaparam antes que eu pudesse medi-las, mas não me arrependi. A verdade tem uma força própria, e a minha já não podia ser contida.
Ela riu-se, um som leve que me fez sentir ridiculamente triunfante.
– Nunca ouvi essa abordagem antes – admitiu.
– Talvez porque nunca quis dizê-la antes. – Os nossos olhares permaneceram presos por um instante mais longo do que o aceitável.
E ali estava de novo aquele sentimento, aquela inquietação misturada com fascínio, com desejo, com o receio irracional de que, se quebrasse aquele momento, ela poderia desaparecer.
Por fim, ela inclinou ligeiramente a cabeça e, num gesto tão simples quanto devastador, passou os dedos pelo cabelo, puxando-o para trás do ombro.
Foi o golpe final.
O peito apertou-se-me num anseio que não soube nomear, e percebi, com uma clareza desconcertante, que não ia conseguir esquecê-la. Que o seu nome, a sua voz, a sensação do seu olhar sobre mim, tudo isso se iria entranhar debaixo da minha pele, como um segredo que eu nunca conseguiria arrancar.
E, no entanto, soube que estava perdido de bom grado.
Olá pessoal! Espero que tenham gostado deste imagine. Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.
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F1 Imagines
Fanfiction*F1 Imagines* é um livro que mergulha na imaginação criativa dos fãs da Fórmula 1, oferecendo uma experiência única e imersiva. Cada página captura momentos vibrantes e intensos, permitindo aos leitores vivenciar histórias fictícias com seus pilotos...
