Oscar Piastri- Who

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Tocar Música da Midia!

Oscar POV

A chuva cai em finas cortinas sobre a cidade, desenhando sombras líquidas nos vidros da janela. A luz do candeeiro na esquina vacila sob o peso do vento, e eu fico ali, imóvel, a observar as gotas a deslizarem pelo vidro, seguindo caminhos imprevisíveis, tal como os meus pensamentos. Tal como os meus sentimentos por S/N.

Nunca fui alguém de grandes gestos ou palavras dramáticas. Sempre preferi a clareza, a lógica, a previsibilidade de uma curva bem traçada, de uma estratégia bem delineada. Mas com S/N... nada é previsível. Nada é simples. Há momentos em que tudo nela parece um mapa cuidadosamente desenhado, cada linha e traço a levar-me para um destino seguro. Mas há outros em que tudo se dissolve numa névoa, numa miragem fugidia que nunca consigo agarrar por completo.

A minha mão aperta a chávena de café já frio sobre a mesa. Tento organizar os pensamentos, alinhá-los como faço com os dados da telemetria depois de cada corrida. Mas os sentimentos não têm lógica, não se deixam traduzir em números, não se deixam domar por estratégias. E é isso que me assusta.

As memórias dos últimos meses passam pela minha mente como flashes de uma corrida desenfreada. O riso fácil dela numa tarde de sol, os silêncios que deixavam perguntas suspensas no ar, os olhares que se perdiam nos meus, como se procurassem algo que nem eu próprio sei se consigo oferecer.

A verdade é que não sei onde estou nesta relação. Não sei o que ela espera de mim. Não sei o que eu espero de mim mesmo.

Há dias em que tudo parece encaixar. Quando estou com ela, quando as nossas conversas fluem como a linha perfeita de uma volta rápida, quando os toques casuais carregam uma eletricidade que faz o tempo abrandar. Mas há outros em que a dúvida instala-se como um nevoeiro espesso. Será que sinto o suficiente? Será que sou suficiente?

Talvez seja o peso das expectativas. No paddock, estou habituado a saber exatamente o que esperam de mim. Sei o que preciso de fazer para melhorar, para ser mais rápido, para me tornar a versão mais forte de mim mesmo. Mas no amor... não há dados concretos, não há referências claras. Não há um tempo de volta ideal que me diga que estou no caminho certo.

Ela percebe que algo me inquieta. Nos últimos tempos, o brilho nos olhos dela oscila entre a ternura e a preocupação. Como se esperasse que eu dissesse algo que não sei como formular. Como se temesse que a minha hesitação fosse o prelúdio de uma despedida.

Mas eu não quero ir embora. Não quero perdê-la. Só queria conseguir explicar-lhe este nó no peito, esta hesitação que não significa falta de carinho, mas sim um medo paralisante de não saber corresponder.

Levanto-me e caminho até à janela. O reflexo dela surge atrás de mim, uma sombra delicada no vidro embaciado. Não preciso de me virar para saber que os braços estão cruzados, que os lábios estão ligeiramente franzidos numa mistura de paciência e incerteza.

"Oscar." O meu nome na voz dela soa como um eco de algo que já ouvi antes. Um pedido silencioso para que eu a deixe entrar nesse espaço caótico dentro da minha mente.

Viro-me devagar, os olhos a encontrar os dela na penumbra do quarto. Quero dizer-lhe tudo. Quero dizer-lhe que o meu coração se acelera quando ela está por perto, mas que ao mesmo tempo o medo me aperta o peito. Quero dizer-lhe que nunca fui muito bom a lidar com sentimentos, que sempre fui melhor a calcular distâncias do que a interpretá-las. Mas as palavras não vêm. Ficam presas, como um carro atolado na gravilha, incapazes de avançar ou recuar.

Ela suspira e aproxima-se, os dedos frios a tocarem os meus. "Estás aqui, mas ao mesmo tempo, não estás."

Desvio o olhar, porque sei que ela tem razão. Porque sei que estou preso numa incerteza que não sei como dissipar.

"Eu só..." Faço uma pausa, tentando encontrar a frase certa. "Não sei bem como me sentir."

A sinceridade pesa entre nós como um segredo partilhado. Mas, para minha surpresa, ela não se afasta. Em vez disso, os dedos dela apertam os meus com mais força, como se me segurassem à realidade.

"Nem sempre temos de saber tudo, Oscar." O tom dela é suave, mas firme. "Nem tudo tem uma resposta imediata. Às vezes, só precisamos de sentir."

Fecho os olhos por um momento. Inspiro fundo. Sinto o cheiro dela, a mistura leve de perfume e chuva. Sinto o calor da pele dela contra a minha. E percebo que talvez esteja a complicar algo que, na essência, é simples.

Não preciso de ter todas as certezas agora. Não preciso de prever cada curva deste percurso. Preciso apenas de estar presente, de permitir-me sentir, de confiar que, de alguma forma, encontraremos juntos o caminho.

Quando volto a abrir os olhos, encontro os dela ainda fixos nos meus. Desta vez, não há medo, não há hesitação. Apenas a compreensão silenciosa de quem está disposta a esperar.

E, pela primeira vez em muito tempo, sinto que talvez essa seja a única certeza de que preciso.

Olá pessoal! Espero que tenham gostado deste imagine. Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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