Logan Sargeant- Firework

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Tocar Música da Midia!

S/N POV

O fim do ano traz consigo um sabor agridoce, como uma brisa fria que se entrelaça com a promessa do recomeço. Sinto-o enquanto observo Logan, encostado à varanda de casa, o olhar perdido em algum ponto indefinido no horizonte. As suas mãos seguram uma caneca de chá que provavelmente já esfriou, mas ele não parece dar-se conta.

Há qualquer coisa na forma como ele olha o mundo que sempre me intrigou. É como se estivesse em constante balanço entre o peso do passado e a pressão do futuro. As luzes de Natal piscam devagar na sala atrás de nós, projetando reflexos cintilantes no vidro da janela. No entanto, ele não as vê. E eu também não vejo mais do que ele. Só o vejo a ele, preso àquela expressão entre o vazio e o desespero de quem sente que não foi o suficiente.

— Sabes que está frio lá fora, certo? — pergunto com um tom leve, embora o meu coração pese.

Ele mexe-se, finalmente consciente da minha presença, mas apenas encolhe os ombros.

— Nem senti.

É isso que mais me incomoda: a maneira como ele diz estas palavras, como se realmente não tivesse notado nada à sua volta. Como se nem sequer se notasse a si próprio. Sento-me ao seu lado na varanda, a madeira gélida a lembrar-me que estamos no inverno, mas a proximidade do corpo dele aquece-me o suficiente para ignorar o desconforto. Logan não olha para mim; mantém os olhos fixos, vãos, numa noite que ainda não se decidiu se quer ser estrelada ou nublada.

— O ano está a acabar — murmuro, sem saber muito bem o que o levou até este estado de melancolia. Mas suspeito.

Os anos não têm sido gentis com ele, não da maneira que ele esperava. A Fórmula 1 foi mais que um sonho: foi a definição de quem ele era, ou pelo menos quem ele pensava que tinha de ser. Às vezes, os sonhos são assim, ingratos. Consomem-nos.

Logan não responde, e isso diz-me mais do que qualquer palavra. Então, continuo:

— O fim do ano assusta-te?

Ele solta um riso seco, mas vazio.

— Não é o fim do ano que me assusta. É olhar para trás e ver... nada.

— Nada? — repito suavemente, como se a palavra pudesse ter outro significado se dita por mim. Ele não se apercebe de como me custa ouvi-lo falar assim.

— O que é que eu fiz este ano, S/N? Que impacto tive? Nada. — A sua voz treme ligeiramente, como se estivesse à beira de se partir. — Lutei tanto para chegar lá, para viver o sonho. E falhei.

É nesse momento que os seus olhos encontram os meus. O brilho azul, mesmo na penumbra, parece-me tão frágil quanto um vidro fino, prestes a estilhaçar-se. Mas não deixo que isso aconteça.

— Não falhaste, Logan. Nem sequer te permitiste perceber o que realmente conquistaste.

Ele desvia o olhar outra vez, murmurando:

— Fácil para ti dizeres isso. Não foste tu que estavas no carro. Não foste tu que falhaste tantas vezes. Que ouviste as críticas.

— Mas fui eu que estive ao teu lado. Que vi cada esforço teu. Que vi o que nem tu consegues ver agora.

Há silêncio entre nós. Um silêncio pesado, mas de alguma forma necessário. Preciso que ele sinta as minhas palavras, que não fuja delas. Então, continuo com a voz firme, mas terna:

— Sabes o que eu vejo? Vejo um rapaz que não desiste, mesmo quando o mundo parece desistir dele. Vejo um homem que carrega o peso das suas expectativas, mas que nunca baixa os braços. Vejo alguém que inspira sem saber, que é mais do que um resultado, mais do que um número num ecrã.

Logan suspira, quase como se quisesse acreditar no que estou a dizer, mas não conseguisse encontrar forças para isso. Porém, eu não desisto dele. Nunca desistiria. Pego na sua mão livre e entrelaço-a à minha. O toque é gelado, mas sinto a vida a pulsar ali, mesmo que ele não a reconheça.

— Não é o que acontece que te define, Logan. É o que fazes com isso.

Ele olha-me, confuso, mas atento. Sinto que tenho a sua atenção. Finalmente.

— O ano não acaba aqui. E tu também não acabas aqui. Quem eras quando começaste este ano? E quem és agora? Pode não ter sido o ano perfeito, mas foi um ano que te ensinou. Que te fez crescer. Tu não vês? Cada erro, cada dúvida, cada fracasso — todos eles estão a construir o homem que vais ser. E esse homem é mais forte do que alguma vez pensaste ser.

As lágrimas brilham nos olhos dele, mas ele não as deixa cair. Respiro fundo, sentindo a emoção também a embargar a minha voz.

— O mundo não se define apenas por vitórias, Logan. E tu também não. Estás aqui, não estás? Isso significa que ainda há tempo. Tempo para descobrires quem realmente podes ser. Para encontrares a melhor versão de ti mesmo. E eu... Eu estarei aqui. Sempre aqui. Para te lembrar de quem tu realmente és, mesmo quando te esqueceres.

Logan olha para mim como se ninguém nunca lhe tivesse dito isto. Como se, pela primeira vez, ele acreditasse que talvez há algo mais em si do que aquilo que perdeu. Ele aperta a minha mão e sorri — pequeno, tímido, mas verdadeiro.

— Obrigado, S/N.

Aquelas duas palavras são mais do que um agradecimento. São um compromisso silencioso de que ele tentará. De que, a partir daqui ele não se deixará definir apenas pelo que passou. O ano está a acabar, mas a história de Logan Sargeant está longe de terminar.

E eu sei que, quando o novo ano chegar, ele o enfrentará com um novo fogo no olhar. Um fogo que nunca se apagou — apenas esperava que alguém o reacendesse.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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