Max Verstappen-Still the one

81 1 2
                                        

Tocar Música da Midia!

Max POV

Era um final de tarde em Silverstone. O sol, quase a despedir-se, pintava o paddock com tons de ouro e carmim. Sentado no banco de um dos motorhomes, com o capacete ainda pousado na mesa ao meu lado, deixei que o ambiente ao redor se dissipasse num silêncio que apenas eu podia ouvir. A realidade dos motores, das equipas em correria e das celebrações açucaradas do pódio parecia uma memória distante. Naquele momento, estava sozinho comigo mesmo. E com as minhas memórias.

A pista tinha sido cruel hoje, mas não era isso que me apertava o peito. Já aprendi a lidar com a derrota, a transformar a raiva em foco e a frustração em motivação. Mas havia uma derrota que eu nunca consegui aceitar, uma batalha perdida que carregava como cicatriz: nós.

Os pensamentos vinham como flashbacks. Lembro-me da tua risada nos dias mais simples, quando nada mais importava além do instante. Dos nossos olhares cómplices enquanto as luzes vermelhas apagavam, o mundo parado por um breve segundo antes de explodir em movimento. Havia algo no teu olhar que sempre me fazia sentir invencível, mesmo fora do cockpit.

Mas a pressão é uma besta faminta, não é? Consome tudo ao seu redor. E eu deixei que me consumisse. Cada curva perfeita, cada volta mais rápida, cada troféu erguido — era como se estivesse a provar algo a mim mesmo, talvez ao mundo. Mas a que custo? Havia momentos em que eu olhava para ti e via algo a desvanecer-se. Era como se estivesses ali, mas ao mesmo tempo a milhas de distância. Eu dizia a mim mesmo que haveria tempo depois. Sempre haveria um "depois". Até que não havia.

Passo a mão pelo cabelo, tentando afastar o peso desse arrependimento que se tornou o meu companheiro silencioso. O que me atormenta não é apenas a perda, mas a minha incapacidade de ter dito o que realmente importava.

"Desculpa."

Nunca consegui dizer essa palavra com todo o peso que ela merece. Porque desculpa implica vulnerabilidade, e eu estava tão obcecado em ser forte que nunca percebi que ser forte também significa ser sincero.

Às vezes, penso no que dirias se me visses agora. Será que te orgulharias? Ou verias através das vitórias e dos recordes, percebendo que há uma parte de mim que ainda está presa no passado? Pergunto-me se sentes a minha falta da mesma forma que eu sinto a tua. Não sou bom com palavras, mas se pudesse voltar atrás, prometo que tentaria ser melhor. Melhor para ti, melhor para nós.

Olho para o telemóvel pousado na mesa. O teu número ainda está guardado, mesmo que nunca mais tenha tido coragem de o usar. Já escrevi dezenas de mensagens, mas nunca enviei nenhuma. Como se essas palavras digitadas fossem pequenos ensaios de uma redenção que nunca chega.

Mas hoje é diferente. Hoje, algo me impele a enfrentar esse medo. Não sei se é o peso acumulado dos anos ou a simples esperança de que talvez, apenas talvez, ainda haja uma porta entreaberta. Pego no telemóvel, e antes que a coragem me abandone, escrevo:

"Há coisas que nunca tive coragem de te dizer. E não sei se estas palavras vão significar algo para ti agora, mas preciso que saibas: sinto a tua falta. E lamento por tudo o que não fiz. Por todas as vezes que te deixei à espera, por todas as palavras que ficaram por dizer. Espero que estejas bem. Espero que sejas feliz. Mas se houver uma parte de ti que ainda acredita em nós, eu estou aqui."

Leio a mensagem uma, duas, três vezes. O meu coração bate como se estivesse prestes a arrancar para uma corrida. E então, com um simples toque no ecrã, envio-a. O som do "enviado" ecoa como o disparo de uma pistola de partida.

Agora, resta esperar. Ou talvez não esperar nada. Talvez o acto de enviar a mensagem seja, por si só, uma forma de libertar-me. Mas uma pequena chama de esperança permanece acesa, dançando ao ritmo de uma música que eu não consigo ouvir, mas que sinto profundamente.

Lá fora, o sol desaparece completamente, e as luzes artificiais do paddock tomam o seu lugar. A noite chega, trazendo consigo um ar fresco que parece renovar-me. Independentemente do que venha a acontecer, sinto-me mais leve. Pela primeira vez em muito tempo, não estou a correr contra nada. Estou apenas a ser.

E enquanto o mundo continua a girar ao ritmo das suas próprias corridas, permito-me fechar os olhos por um momento e imaginar. Imaginar um futuro em que o arrependimento é substituído pela redenção. Em que o som do teu riso volta a preencher os espaços vazios. E em que, juntos, encontramos uma nova forma de sermos nós.

Talvez seja apenas um sonho. Mas, por agora, é o suficiente.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

F1 ImaginesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora