Tocar Música da Midia!
Pierre POV
O fim de ano sempre teve um sabor agridoce. Era como se cada dia de dezembro se enfeitasse com a melancolia e a esperança que competiam por espaço no coração. No meio do frio que apertava em cada rajada de vento, as luzes douradas espalhavam-se pelas ruas, dando às cidades uma ilusão de calor. Adorava esta época, mas havia algo em 2024 que parecia diferente. Talvez fosse o peso de um ciclo que se fechava ou a promessa do desconhecido que aguardava no horizonte.
Estava em casa, em Rouen, sentado no parapeito da janela com uma caneca de café quente nas mãos. A cidade ainda dormia sob o manto pesado de neblina. Naquela hora, o mundo pertencia apenas às almas inquietas. E era precisamente numa dessas horas, neste silêncio ameno, que S/N se aproximou de mim. Sentou-se no chão ao meu lado, puxando os joelhos contra o peito, como quem se acomoda para ouvir uma história.
— Ainda estás a pensar nisso? — perguntou, a voz doce a quebrar o silêncio.
Não precisei de lhe perguntar a que se referia. Ela sabia. Eu sabia. Era aquele pensamento insistente, aquele eco de vozes que sussurravam expectivas, pressões e exigências. O mundo nunca deixava de falar, de esperar, de cobrar.
— O que é que eles esperam que faça? Que seja um piloto perfeito? Que nunca falhe? — murmurei, pousando a caneca no parapeito. — Ou talvez esperem que siga um caminho que não é o meu.
S/N virou-se para mim, os olhos iluminados por algo que parecia uma chama teimosa.
— Mas tu sabes que não precisas de seguir o caminho que eles desenham, Pierre.
Sorri, quase sem querer. Ela tinha o talento raro de dizer a coisa certa na hora certa. Como se as palavras dela fossem um lembrete silencioso de que as nossas vidas nos pertencem.
— É mais fácil falar do que fazer. Toda a gente tem uma opinião sobre o que devíamos ser.
Ela assentiu, compreendendo. Depois de uns segundos, levantou-se e puxou-me pela mão.
— Vem comigo.
— Para onde? — perguntei, intrigado.
— Vais ver.
E segui-a, sem mais perguntas. Vestimos casacos quentes, enfrentando o frio cortante que nos aguardava do lado de fora. As ruas ainda estavam adormecidas, o chão brilhava com uma fina camada de gelo. Caminhámos em silêncio até chegarmos a um pequeno parque no alto da colina, um lugar que parecia esquecido por todos. Era dali que se podia ver a cidade inteira, com as luzes a perderem-se na neblina e o sol a ameaçar nascer no horizonte.
S/N parou e olhou para mim.
— Sabes o que mais gosto neste lugar? — perguntou, os olhos fixos no horizonte.
— Diz-me.
Ela respirou fundo, como se estivesse a escolher bem as palavras.
— Aqui em cima, tudo parece pequeno. A cidade, as ruas, as luzes... todas as vozes que nos dizem o que fazer parecem diminuir também. É mais fácil lembrar-me de que a vida é minha e que só eu posso decidir o que quero fazer com ela.
Fiquei em silêncio, a pensar naquelas palavras. Ela estava certa. A vida, por vezes, parecia um palco onde todos esperavam uma performance perfeita, mas nem sempre as nossas escolhas correspondiam às esperanças dos outros. E estava tudo bem.
— É assustador, não é? — perguntei, finalmente. — Escolher o nosso próprio caminho.
— Claro que é. Mas também é libertador. Não precisas de ser o que esperam de ti, Pierre. Podes ser o que quiseres. Um piloto, um sonhador... ou ambos.
Olhei para ela e senti algo a desatar-se dentro de mim. Era como se uma parte do peso que carregava estivesse a ser solta, pouco a pouco. Era difícil admitir, mas tinha medo. Medo de falhar, medo de desiludir, medo de seguir um caminho só meu e perceber que não era suficiente.
— Achas que vale a pena? — perguntei, quase num sussurro.
Ela sorriu. Um sorriso tranquilo, como se já soubesse a resposta.
— Não vale a pena viver uma vida que não é verdadeiramente tua.
As palavras dela pairaram no ar frio, entre nós. O sol começava a nascer, tingindo o céu de tons cor-de-rosa e laranja, como se o mundo estivesse a pintar uma tela apenas para nós. Por um instante, tudo pareceu fazer sentido. O ano estava a terminar, mas, em vez de um fim, senti que era apenas o início.
Voltei a olhar para S/N, que observava o horizonte com um brilho nos olhos. Ela era o tipo de pessoa que transformava momentos simples em algo grandioso. Era como se, ao lado dela, fosse possível acreditar em qualquer coisa.
— O que é que tu sonhas? — perguntei, curioso. — Qual é o teu caminho?
Ela virou-se para mim, pensativa, antes de responder.
— Quero viver de acordo com aquilo que me faz feliz. Sem medo, sem desculpas. Mesmo que isso signifique desiludir algumas pessoas pelo caminho.
Assenti, sentindo as palavras dela ecoarem dentro de mim. Era isso. Era sobre viver uma vida que nos pertence, mesmo que não se encaixe no molde que os outros criaram para nós.
— Obrigado por isto — disse-lhe, com sinceridade. — Preciso de me lembrar mais vezes.
Ela sorriu, encostando a cabeça ao meu ombro.
— Somos livres, Pierre. Sempre fomos. Só precisamos de ter coragem para o admitir.
Fiquei a olhar para o horizonte, onde o sol já brilhava, afastando a neblina que envolvia a cidade. O novo ano estava a chegar e, pela primeira vez em muito tempo, não senti medo. A estrada que me aguardava podia ser incerta, mas era minha. E isso bastava.
Ali, naquele momento, prometi a mim mesmo que seguiria o meu próprio caminho. Não o caminho que esperavam de mim, mas aquele que fazia o meu coração bater mais forte. Porque, no fim, é isso que importa.
Afinal, viver é a maior das corridas. E eu estava pronto para arrancar.
Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.
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F1 Imagines
Fanfiction*F1 Imagines* é um livro que mergulha na imaginação criativa dos fãs da Fórmula 1, oferecendo uma experiência única e imersiva. Cada página captura momentos vibrantes e intensos, permitindo aos leitores vivenciar histórias fictícias com seus pilotos...
