Lance Stroll- I'll Be Home for Christmas

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Tocar Música da Midia!

Lance POV

Enquanto o inverno se fechava à minha volta, as luzes cintilantes do aeroporto mal conseguiam apagar a sensação gelada que o silêncio trazia. Era estranho sentir-me assim, quando a época festiva geralmente me trazia uma energia leve, quase mágica. Este ano, porém, essa magia parecia tão distante quanto as pistas em que passei os últimos meses.

Não que eu não goste do que faço — pelo contrário. Correr é tudo o que sempre quis, mas há momentos em que o silêncio que chega depois de uma corrida é ensurdecedor. Os aplausos desaparecem, os motores calam-se, e fica um vazio que só o calor de casa consegue preencher.

As pessoas apressadas à minha volta eram sombras quase indistintas, mas mesmo assim o cenário despertava-me uma nostalgia profunda. Quando era miúdo, o aeroporto era o início de uma aventura; agora, era um lugar entre o que deixei para trás e o que ansiava reencontrar. Pensei em S/N, nas suas mãos suaves, nos seus olhos que sempre pareciam entender-me mesmo quando eu próprio me perdia. Ela era, em todos os sentidos, o lar que eu tanto desejava.

Voltar para casa não era só reencontrar o conforto físico, mas encontrar-me a mim mesmo nos gestos que me faziam falta. Como o sorriso da minha mãe ao me ver entrar, aquele sorriso que aquecia o coração. O abraço do meu pai, sempre firme, sempre presente. As conversas que fluíam naturalmente, sem pressa, sem expectativas, e que me recordavam quem eu era para além do volante.

O toque do telemóvel arrancou-me dos meus pensamentos. Era uma mensagem de S/N:
"Estás quase a chegar?"

Senti o coração acelerar. Uma coisa era pensar nela, outra era ler aquelas palavras e saber que do outro lado alguém me esperava. Era a simplicidade daquela mensagem que me deixava a sorrir. Havia algo reconfortante em saber que, independentemente do mundo caótico que me rodeava, ela estava ali, ansiosa para partilhar momentos que tornavam tudo mais suportável.

Respondi:
"A caminho. Sinto tanto a tua falta."

A sua resposta foi quase imediata:
"Tenho uma surpresa para ti. Vais gostar."

Passei o resto do voo a imaginar o que ela teria preparado. S/N sempre conseguia surpreender-me com a forma como celebrava o nosso tempo juntos. O Natal com ela era mágico, não pelas decorações ou pelas luzes, mas pelo seu cuidado, pela maneira como me fazia sentir em casa, no lugar onde realmente pertencia. Ao lado dela, qualquer lugar ganhava um brilho especial, uma calma que se tornava o meu refúgio.

Ao aterrarmos, a minha ansiedade misturava-se com uma euforia crescente. Caminhei pelo corredor, olhos fixos na área de chegadas, onde eu sabia que ela estaria. E ali estava ela, de cachecol vermelho, a sorrir como se todo o seu mundo tivesse ficado à minha espera. Naquele momento, todo o cansaço desapareceu, e tudo o que restava era a alegria de tê-la nos braços.

"Finalmente," sussurrei, abraçando-a com força.

Ela riu, um som leve que me acalmava, e disse:
"Vamos para casa, tenho uma surpresa para ti."

Durante o caminho, não consegui parar de olhá-la, como se precisasse de recordar cada detalhe para os dias que ainda teria longe. A cidade parecia enfeitada apenas para nós, as luzes nas ruas pareciam acompanhá-la, realçando o brilho que ela trazia à minha vida.

Quando chegámos, o ambiente era acolhedor e íntimo. A casa estava decorada de forma simples, mas tudo tinha o toque dela. No canto, uma árvore de Natal com enfeites que eu sabia que tinha escolhido com cuidado. No sofá, uma manta dobrada, pronta para nos envolver, e sobre a mesa, o aroma quente do chocolate espalhava-se no ar.

"Espero que gostes," disse ela, observando-me com expectativa.

"Está perfeito," respondi, segurando o seu rosto entre as mãos. "Tu fazes-me falta todos os dias."

S/N sorriu, e foi então que me ofereceu o presente, uma pequena caixa embrulhada com carinho. Ao abri-la, encontrei uma fotografia nossa, uma que tinha tirado quase sem pensar, durante um dia comum que, para mim, representava tudo o que nos unia. Na imagem, estávamos abraçados, rindo, e eu senti o mesmo calor ao olhar para ela.

"Quero que a leves contigo," sussurrou ela. "Assim, nunca estarás realmente longe."

Por momentos, não consegui responder. O nó na garganta era tanto de felicidade quanto de saudade antecipada, mas ela parecia entender o que as palavras não conseguiam dizer.

Mais tarde, quando nos sentámos no sofá, aninhados sob a manta, senti que o tempo quase parava. O mundo, as corridas, as viagens — tudo parecia distante, como se a vida verdadeira estivesse ali, no calor daquele abraço. Partilhámos histórias, rimos das pequenas coisas, e enquanto a noite avançava, percebi o quanto ansiava por momentos como aquele. Aquela simplicidade, aquele amor silencioso mas constante, era o que me fazia sentir realmente completo.

Enquanto a neve caía lá fora, embrenhei-me na sua presença, absorvendo cada instante, cada toque, como se pudesse guardar um pedaço dela para levar comigo nas próximas aventuras. E naquele momento, soube que a distância nunca conseguiria apagar o que tínhamos.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.
E Bom Natal!

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