Pierre Gasly- Castles

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Tocar Música da Midia!

Pierre POV

As luzes suaves da manhã infiltravam-se pelas persianas da janela do meu quarto, cortando a escuridão e desenhando linhas douradas sobre o chão frio de madeira. Paris estava coberta por uma névoa delicada, e o som distante dos carros na rua ecoava, abafado pelo peso dos meus pensamentos.

Naquele momento, o silêncio era o meu maior companheiro e o meu mais feroz inimigo. Sentei-me na borda da cama, as mãos entrelaçadas e os cotovelos apoiados nos joelhos, enquanto o olhar fixava o nada.

S/N.

O nome dela parecia dançar na minha mente, sussurrado por fantasmas que eu não conseguia afastar. Era como uma melodia que, apesar de repetida, nunca perdia o seu poder de me fazer tremer. Ela estava em tudo. No ar que eu respirava, nas paredes que me rodeavam, e até nas entrelinhas dos meus próprios pensamentos.

Arrependimento.

Talvez fosse essa a palavra que mais me assombrava. Não pelas coisas que fizemos juntos, mas pelas que não fiz. As palavras que ficaram por dizer, os gestos que deixei de lado, as promessas que, apesar de sinceras, não cumpri. Ela era a luz num mundo onde eu, frequentemente, me perdia na sombra.

Houve um tempo em que as corridas eram a única coisa que fazia o meu coração acelerar. Mas depois, ela apareceu. Lembro-me do som da sua risada, da forma como os olhos dela se iluminavam quando falava de algo que amava. Ela tinha a capacidade de me fazer sentir humano, de me trazer à terra quando a adrenalina das pistas ameaçava consumir tudo.

Mas a minha vida não era feita para pausas. O mundo da Fórmula 1 é um ciclo constante, uma máquina implacável que não espera por ninguém. E, no meio desse redemoinho, eu perdi o fio que nos unia. Não foram os gritos, nem as discussões, mas os silêncios que se tornaram demasiado pesados para suportar.

Ainda consigo recordar o momento exato em que percebi que ela ia embora. Estávamos no nosso café preferido, aquele com mesas pequenas e cadeiras desconfortáveis, mas que servia o melhor café que já provei. Ela estava sentada à minha frente, mexendo o café sem olhar para mim. O silêncio entre nós era diferente daquele que costumávamos partilhar. Antes, era confortável, cúmplice. Naquele dia, era vazio.

Ela ergueu os olhos e disse algo que ainda ecoa na minha cabeça:
"Pierre, eu não sei mais onde me encaixo no teu mundo."

O meu coração parou por um instante, mas o meu orgulho, esse maldito orgulho, não me deixou reagir como devia. Eu queria dizer-lhe que ela era o meu mundo, que cada vitória, cada derrota, só faziam sentido porque sabia que ela estava lá. Mas, em vez disso, fiquei em silêncio.

E ela foi embora.

Agora, sozinho neste quarto vazio, pergunto-me se algum dia vou conseguir preencher o vazio que ela deixou. Já tentei enterrar-me no trabalho, na velocidade e na adrenalina. Já tentei procurar consolo em outras pessoas, mas todas pareciam pálidas comparadas à luz dela.

Os dias transformaram-se em semanas, e as semanas em meses, mas o peso no meu peito não alivia. As redes sociais são cruéis, mostrando-me imagens dela a viver, a sorrir, a ser feliz sem mim. Parte de mim quer odiá-la por isso, mas outra parte, talvez a mais honesta, só deseja que ela seja feliz, mesmo que não seja ao meu lado.

Às vezes, pergunto-me se ela pensa em mim, se sente saudades dos momentos que partilhámos. Será que ela se lembra das noites em que ficávamos acordados até tarde, a falar sobre os nossos sonhos? Ou dos passeios à beira-mar, onde os nossos risos se misturavam com o som das ondas?

Uma parte de mim sabe que preciso de a deixar ir. Mas como se faz isso? Como se apaga alguém que marcou cada recanto da tua vida?

Hoje, decidi sair. A névoa em Paris dissipou-se, e o céu estava limpo, de um azul que parecia cruel na sua beleza. Caminhei pelas ruas que costumávamos percorrer juntos, cada esquina trazendo uma memória nova. O cheiro de croissants acabados de fazer, o som das crianças a brincar no parque, tudo parecia sussurrar o nome dela.

Parei diante do café onde tudo terminou. Entrei, como quem procura um pedaço do passado. Pedi um café, e sentei-me na mesma mesa onde ela me disse adeus. Fechei os olhos por um momento, tentando sentir a presença dela, mas tudo o que encontrei foi um vazio doloroso.

"Pierre, o passado é um lugar estranho, não é?"

Abri os olhos e olhei para a mulher que disse isso. Uma estranha, mas as palavras dela atingiram-me como se fossem da boca de S/N. Sorri, meio sem jeito, e acenei com a cabeça. Ela voltou para o seu mundo, e eu voltei para o meu café.

Talvez ela tenha razão. O passado é estranho, mas também é necessário. É onde aprendemos, onde crescemos, onde encontramos as partes de nós mesmos que queremos manter ou deixar para trás.

Ao sair do café, senti algo mudar dentro de mim. Não era um milagre, nem uma solução mágica, mas um pequeno passo. Talvez nunca consiga apagar S/N da minha vida, mas posso aprender a viver com as memórias, sem deixar que elas me consumam.

Enquanto caminhava pelas ruas de Paris, percebi que o amor, mesmo quando se transforma em dor, é uma prova de que vivemos. E, apesar de tudo, eu viveria tudo de novo, só para a ter na minha vida, mesmo que por um breve momento.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.


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