Zhou Guanyu- 4ever

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Tocar Música da Midia!

Zhou POV

A cidade parecia mais cinzenta naquele dia, como se o céu tivesse decidido partilhar da minha melancolia. Os arranha-céus, que antes se erguiam orgulhosos, agora eram apenas sombras no horizonte enevoado. Caminhei pelas ruas de Xangai com as mãos nos bolsos, protegendo-me do vento cortante de janeiro. Cada passo ecoava um peso que não era só físico; era a soma de meses de amor, riso e, agora, silêncio.

Era estranho pensar como as coisas tinham mudado. S/N tinha a capacidade de transformar o mundo num lugar mais leve. Até mesmo as corridas, com a pressão, o barulho ensurdecedor dos motores e a constante luta por segundos preciosos, pareciam menos pesadas quando sabia que ela estava à minha espera no paddock. Mas agora... Agora havia apenas o vazio.

O fim não foi um único momento. Não houve uma palavra ou um gesto que tenha marcado a separação definitiva. Foi um acumular de desencontros, uma teia de mal-entendidos e expectativas não verbalizadas. Recordo-me da última discussão, se é que posso chamar-lhe assim. Não foi aos gritos, nem com portas a bater. Foi um silêncio ensurdecedor, o tipo de silêncio que diz mais do que qualquer palavra. Estávamos sentados frente a frente, eu com as mãos cruzadas sobre a mesa e ela a evitar o meu olhar.

"Não sei se isto ainda faz sentido," disse ela, com uma voz que tremia entre a certeza e a dúvida.

Eu quis responder. Quis agarrar-lhe as mãos, dizer que podíamos superar tudo. Mas as palavras ficaram presas na garganta, como se a minha mente não conseguisse encontrar a lógica num coração que implorava para não a deixar ir.

Hoje, o apartamento parece maior do que nunca. O sofá onde ela se sentava a ler, com os pés descalços e uma chávena de chá na mão, está vazio. A prateleira onde os nossos livros se misturavam agora tem lacunas que denunciam a sua ausência. Não tive coragem de preencher esses espaços; talvez, inconscientemente, ainda espero que ela volte para os ocupar.

As noites são as piores. Durante o dia, há sempre algo que me distrai – treinos, entrevistas, compromissos – mas, à noite, o silêncio torna-se um companheiro implacável. Lembro-me das vezes em que ficávamos acordados até tarde, a falar de tudo e de nada. Ela tinha o dom de me fazer sentir visto, compreendido, como se o mundo fosse menos complicado quando ela estava por perto.

Agora, o mundo parece um puzzle com peças em falta.

Decidi ir ao café onde costumávamos passar as tardes. Era um daqueles lugares escondidos, longe do burburinho da cidade, com uma vista discreta para o rio. Quando entrei, senti uma pontada de nostalgia. A mesa no canto estava vazia, mas era como se ainda pudesse vê-la ali, com aquele sorriso que iluminava até os dias mais sombrios.

Pedi o habitual – um latte com um toque de canela, porque era isso que ela adorava. Quando o copo chegou à mesa, fiquei a olhar para ele por longos minutos. O aroma trouxe-me memórias tão vívidas que quase pude ouvir a sua voz a brincar sobre como eu era sempre demasiado sério.

"Relaxar não é desistir, Zhou," dizia ela, com aquele tom provocador que escondia a preocupação genuína. E eu ria, porque ela tinha razão.

As corridas têm sido o meu refúgio, mas mesmo ali, onde a adrenalina costuma sufocar qualquer emoção, sinto a falta dela. Antes, ao entrar no cockpit, sabia que, independentemente do resultado, haveria alguém que me olharia nos olhos e veria mais do que o piloto. Agora, tudo parece mais mecânico, mais vazio.

Na última corrida, quase fui falar com ela. Soube, através de amigos em comum, que estava na cidade. Mas faltou-me a coragem. Afinal, o que poderia dizer? Que sinto a falta dela? Que cada vitória parece incompleta sem a partilha? Que, por mais que tente seguir em frente, algo me puxa constantemente para trás?

Num impulso, decidi escrever-lhe. Peguei no telemóvel e comecei a digitar, mas cada palavra parecia insuficiente, trivial. Como se pudesse resumir tudo o que sinto numa mensagem. Acabei por apagar o texto, mas o gesto deixou-me inquieto. Fui até à janela, onde a vista da cidade se espalhava à minha frente, cheia de luzes e movimento, mas nada disso parecia real.

Pensei em todas as vezes em que discutimos sobre o futuro. Ela sempre quis simplicidade, enquanto o meu mundo é tudo menos simples. Pergunto-me se foi isso que nos afastou, se o peso da minha vida acabou por se tornar demasiado para ela.

Mas, no fundo, sei que não é justo culpar-me, nem a ela. O amor, por vezes, é como uma corrida – há curvas inesperadas, ultrapassagens arriscadas e momentos em que o carro simplesmente não responde como deveria. Nem sempre podemos controlar o desfecho.

A chuva começou a cair, fina e constante, como uma melodia triste que acompanha os meus pensamentos. Peguei num casaco e saí para a rua, deixando-me levar sem rumo. Talvez fosse isso que precisava – perder-me para, eventualmente, me encontrar.

Passei por lugares que me lembraram dela, e a cada passo senti o peso da saudade. Mas, ao mesmo tempo, percebi algo que nunca tinha admitido para mim mesmo: o amor que partilhámos, embora breve, foi real. E, mesmo que não estejamos juntos agora, isso não invalida o que significámos um para o outro.

Quando finalmente regressei a casa, senti-me diferente. Ainda há tristeza, claro, mas também uma espécie de aceitação. Nem todas as histórias têm finais felizes, mas isso não as torna menos bonitas.

Talvez um dia as nossas estradas se cruzem novamente. Talvez ela encontre a felicidade que merece, mesmo que não seja comigo. E, talvez, eu também encontre a minha. Afinal, as corridas continuam, e a vida... bem, a vida é como uma pista desconhecida – cheia de desafios, mas com a promessa de novas paisagens a cada curva.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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