Tocar Música da Midia!
George POV
O ar gélido de dezembro cortava a pele, mas havia algo reconfortante naquela sensação. Acordei cedo, como de costume, e fui até a sala, onde as luzes da árvore de Natal piscavam de forma suave. O dia ainda não tinha nascido por completo, e uma penumbra azulada banhava o apartamento. S/N dormia no quarto, o rosto provavelmente aconchegado contra a almofada. Não quis acordá-la. Este era o tipo de momento que eu precisava a sós — comigo e com os pensamentos que nunca paravam de sussurrar.
Sentei-me no sofá e respirei fundo. O ano estava a terminar, e parecia que todos os fantasmas de 2024 tinham decidido visitar-me ao mesmo tempo. Era impossível não revisitar mentalmente as críticas, os olhares de desaprovação, os comentários desnecessários que vinham de todos os lados. Para muitas pessoas, eu não era suficiente — ou era demais. Em pista, fora dela, nas redes sociais... até os gestos mais pequenos eram analisados como se fossem peças de um quebra-cabeças. Aparentemente, eu nunca sabia onde encaixar.
Mas e se o problema fosse mesmo esse? A vontade de encaixar?
Enquanto olhava para as luzes da árvore, ouvi passos suaves atrás de mim. S/N apareceu, ainda com os olhos semi-cerrados e uma camisola oversized que lhe caía pelos ombros. "Estás a pensar outra vez, não estás?" — disse ela, sentando-se ao meu lado.
Sorri, sem responder de imediato. Conhecia-me demasiado bem.
"O que é que fizeste agora? Tentaste salvar o mundo e alguém reclamou do método?" Ela tentou brincar, mas havia um cansaço genuíno na sua voz.
"Nem sei bem", admiti. "É como se todas as vozes exteriores fossem amplificadas. Às vezes, pergunto-me se estou mesmo a viver a minha vida ou a vida que esperam de mim."
O olhar de S/N encontrou o meu, e por um momento tudo o que senti foi compreensão. "Talvez seja uma pergunta que devíamos fazer os dois", disse ela, surpreendendo-me.
Os dias que se seguiram foram uma espécie de redescoberta. Decidimos que não íamos passar o resto de dezembro a carregar o peso das opiniões alheias. Não sabíamos exatamente como fazê-lo, mas o primeiro passo parecia ser ouvir-nos um ao outro.
Lembro-me de um passeio que fizemos numa tarde fria, em que o sol lutava para se impor por entre as nuvens. Caminhávamos por um trilho junto ao rio, o ar cheio do cheiro das árvores molhadas pela chuva. S/N estava especialmente pensativa, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco.
"Sabes," começou ela, "a minha vida também é um espetáculo, de certa forma. Há pessoas que acham que sabem mais sobre mim do que eu mesma. É cansativo. Às vezes, pergunto-me se estou a tomar decisões que realmente quero... ou se só estou a tentar não desiludir ninguém."
Houve um silêncio pesado antes de ela continuar. "Mas, George... acho que tenho medo de descobrir o que é viver só para mim."
Fiquei a pensar nisso durante o resto do dia. Não era só sobre deixar de lado as opiniões dos outros. Era sobre enfrentar o vazio que ficava depois — o espaço onde as nossas verdadeiras vontades deviam estar, mas que, por vezes, estava vazio porque nunca tivemos tempo para nos ouvir.
À medida que o Natal se aproximava, decidimos fazer algo diferente. Desligámos os telemóveis, afastámo-nos das redes sociais e passámos a maior parte dos dias em casa ou na natureza. A vida desacelerou. Não era fácil. Cada silêncio parecia ser uma provocação, um convite para confrontar partes de nós mesmos que não gostávamos de encarar.
Certa noite, enquanto preparávamos o jantar, S/N falou sobre um sonho antigo que tinha abandonado porque alguém lhe tinha dito que "não fazia sentido". A forma como os seus olhos brilhavam enquanto falava fez-me perceber que aquele pedaço dela nunca tinha desaparecido. Só tinha sido enterrado.
"E tu, George?", perguntou ela, a voz suave mas firme. "Há alguma coisa que queiras fazer, mas que tens medo de admitir?"
A pergunta ficou a ecoar em mim durante horas. Não sabia responder de imediato. Talvez porque sempre fui tão disciplinado, tão focado, que esqueci o que significava querer algo apenas porque sim, sem uma razão lógica ou um objetivo pré-definido.
No dia 31 de dezembro, decidimos sair para um lugar especial. Subimos até uma colina nos arredores da cidade, onde o céu parecia maior e o mundo lá em baixo parecia distante. Levámos um cobertor, termos com chá quente e as nossas reflexões acumuladas ao longo do mês.
Sentados lado a lado, observámos as luzes da cidade que tremeluziam ao longe. O relógio ainda marcava 22h, mas parecia que a mudança já estava a acontecer dentro de nós.
"Sabes o que percebi?" — comecei, quebrando o silêncio. S/N virou-se para mim, atenta. "Não importa o que eu faça, as pessoas vão sempre falar. Seja bom ou mau. Não há como evitar isso."
Ela assentiu, mas ficou em silêncio, dando-me espaço para continuar.
"Então... talvez seja hora de eu começar a correr uma corrida diferente. Não aquela que os outros criam para mim, mas a que eu escolho para mim mesmo."
S/N sorriu, e o brilho nos seus olhos era diferente. Não era apenas felicidade por mim; era algo mais profundo, como se ela também estivesse a encontrar a sua própria direção.
"E tu?" — perguntei, puxando-a para mais perto de mim.
"Eu?" Ela riu-se suavemente. "Eu vou dar-me a liberdade de falhar. Sempre quis que tudo fosse perfeito, mas isso só me aprisiona. Acho que é hora de aprender a viver com as imperfeições."
O vento soprou mais forte, e ambos nos encolhemos debaixo do cobertor. Lá em baixo, os sons da cidade começaram a misturar-se com as primeiras celebrações do Ano Novo.
Quando a meia-noite chegou, vimos os fogos de artifício iluminarem o céu. Por um momento, não havia vozes externas, apenas o som das explosões coloridas e os nossos corações, batendo num ritmo que parecia mais leve.
Naquele momento, prometi algo a mim mesmo: que, em 2025, iria viver mais por instinto e menos por aprovação. Era uma promessa simples, mas poderosa. Olhei para S/N, e ela parecia ter feito uma promessa semelhante, embora não precisássemos de palavras para confirmar isso.
Enquanto os fogos de artifício desapareciam e o silêncio voltava, dei-me conta de algo importante. S/N e eu não estávamos apenas a aprender a deixar de lado as opiniões dos outros. Estávamos a aprender a confiar em nós mesmos. E isso, no fim das contas, era a vitória mais importante de todas.
Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.
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F1 Imagines
Fiksi Penggemar*F1 Imagines* é um livro que mergulha na imaginação criativa dos fãs da Fórmula 1, oferecendo uma experiência única e imersiva. Cada página captura momentos vibrantes e intensos, permitindo aos leitores vivenciar histórias fictícias com seus pilotos...
