Alex Albon- Paper Hearts

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Tocar Música da Midia!

Alex POV

As noites no paddock são sempre ruidosas, cheias de engenheiros a correr de um lado para o outro, os motores a ronronar em ensaios incessantes e as luzes fluorescentes a projetarem sombras alongadas no asfalto. Mas há momentos, raros e quase impercetíveis, em que o silêncio se infiltra por entre as frestas de toda essa agitação. E é nesses momentos que os fantasmas do passado se tornam mais audíveis.

Encostado a uma barreira metálica, observo a linha de boxes adormecer pouco a pouco. O frio da madrugada infiltra-se no meu fato, mas não o sinto verdadeiramente. A minha mente está algures muito longe daqui. Está num verão passado, num país distante, num amor que se perdeu entre as curvas de um circuito que nunca consegui domar.

S/N. O nome dela ainda me assombra, deslizando pelos cantos esquecidos da minha memória como um eco suave que nunca desaparece. Sempre fui bom a controlar a velocidade, a manter a concentração, a calcular cada risco com precisão. Mas nunca soube como segurar o que tínhamos. Talvez porque sempre soube que, de alguma forma, o destino nos levaria por caminhos separados.

Lembro-me da primeira vez que a vi. Foi num dia de testes, quando o sol castigava o asfalto e os engenheiros limpavam a testa suada com mãos manchadas de óleo. Ela estava ali, de braços cruzados, com um sorriso que parecia deslocado no meio de tanta seriedade. Era como se não pertencesse àquele mundo, mas ao mesmo tempo, encaixava-se nele de uma maneira que me deixava desconcertado. Fiquei a observá-la de longe, curioso para entender o que a trazia ali. E depois, sem aviso, ela virou-se e apanhou-me a olhar.

"O que foi? Nunca viste uma mulher numa pista de corridas?"

Ri, encabulado, e tentei esconder o nervosismo por trás de uma piada qualquer. Mas ela não se deixou enganar. Nunca se deixou enganar. Foi essa clareza dela que me conquistou, essa maneira de me ver para além do capacete, para além dos tempos de volta, para além da personagem que eu vestia cada vez que subia para o monolugar.

Mas amar um piloto nunca é fácil. O amor exige presença, e a Fórmula 1 exige ausência. Entre voos, corridas e compromissos, os dias juntos tornavam-se cada vez mais raros. Os telefonemas começavam sempre cheios de promessas e terminavam num silêncio pesado, carregado de palavras que nenhum de nós queria dizer. "Tenho saudades tuas" tornou-se um estribilho sem resposta, um apelo que se dissolvia entre o ruído dos motores e as entrevistas apressadas.

Houve um dia em que percebi que estava a perder-lhe. Não foi numa grande discussão, nem num momento dramático. Foi num detalhe simples, quase insignificante. Estávamos num hotel qualquer, entre corridas, e ela contou-me uma história engraçada sobre o seu dia. Eu ri, mas a minha mente estava noutro lugar, preocupada com a estratégia da próxima corrida. Quando olhei para ela outra vez, vi nos olhos dela a compreensão silenciosa de alguém que percebeu que já não pertence ao mesmo mundo que a pessoa que ama.

Pouco tempo depois, veio o adeus. Não houve gritos, nem lágrimas excessivas. Apenas uma aceitação triste, como a despedida de uma estação antes do inverno chegar. Ela segurou o meu rosto com as mãos e olhou-me com aquela clareza de sempre.

"Tu pertences a este mundo, Alex. Mas eu não. E não posso continuar a tentar encaixar-me nele."

Não consegui dizer nada. Queria pedir-lhe para ficar, para me esperar, para acreditar que um dia encontraríamos uma maneira. Mas sabia que isso seria egoísmo. Eu próprio não sabia quando ou se algum dia conseguiria dar-lhe o que ela merecia. E então, deixei-a ir.

Desde então, o tempo passou, como sempre passa. Os dias transformaram-se em meses, os meses em temporadas, e eu continuei a correr. Porque é isso que sei fazer. Mas, às vezes, quando o silêncio se infiltra no ruído da minha vida, quando a madrugada se estende sobre os circuitos e o mundo parece suspenso por um instante, penso nela. Penso se ainda se lembra do som da minha voz, se alguma vez vê uma corrida e se pergunta se estou bem. Penso se alguma parte de mim ainda vive em algum canto da sua memória, assim como ela ainda vive na minha.

Um engenheiro passa por mim e dá-me uma palmadinha no ombro, puxando-me de volta à realidade. "Vamos, Alex. Está na hora de voltar."

Aceno, forçando um sorriso. Sim, está na hora de voltar. Porque a vida continua, porque as corridas nunca esperam por ninguém. Mas há um pedaço de mim que, mesmo sabendo que não pode, ainda espera. Espera que um dia, em algum lugar, em algum tempo, os nossos caminhos se voltem a cruzar.

E se isso nunca acontecer... então espero que, onde quer que esteja, ela esteja feliz. Porque apesar de tudo, apesar da dor, do adeus e da saudade, o amor que tivemos merece ser lembrado assim: com ternura, com gratidão, com a certeza de que, por um breve e precioso instante, fomos tudo um para o outro.

Olá pessoal! Espero que tenham gostado deste imagine. Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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