Lewis Hamilton- Don't Stop Me Now

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Tocar Música da Midia!

Lewis POV

O ano estava a morrer em silêncio. Dezembro tinha um frio tímido, quase transparente, como se o mundo se preparasse para um renascimento inevitável. A luz do dia encurtava-se, e a noite, que se demorava, parecia lembrar-nos do tempo que já passa. Em Abu Dhabi, o sol não se escondia facilmente, mas eu conseguia sentir a sua desistência à medida que 2024 chegava ao fim. Era uma despedida.

Estava sentado no capot do meu carro, não muito longe da pista, com o olhar perdido no horizonte. A minha mente dançava entre memórias, entre vitórias e derrotas, entre momentos em que me tinha sentido invencível e outros em que quase acreditei que estava quebrado. Em cada pedaço de reflexão, havia a presença dela.

S/N estava ali, ao meu lado, como sempre. Ela nunca precisou de grandes gestos para me apoiar; era uma presença que bastava por si mesma. Estava sentada na areia, de pernas cruzadas, os cabelos a baloiçarem ao sabor de um vento ligeiro. Observava-me como se conseguisse ver além do que os meus olhos tentavam esconder.

— Lewis, no que estás a pensar? — perguntou-me, a voz suave a interromper o silêncio denso que nos rodeava.

Não respondi de imediato. O vento empurrava o som do mar para nós, como se a própria natureza estivesse a tentar consolar-me.

— Em tudo e em nada, — murmurei, com um meio sorriso, sem lhe devolver o olhar. — Já alguma vez sentiste que o peso do mundo estava a tentar puxar-te para baixo?

Ela riu baixinho — um som leve, como o tilintar de vidro fino.

— Todos os dias, Lewis. Mas o que importa não é o peso do mundo; é o que fazemos com ele.

Olhei finalmente para ela. Havia algo de inabalável no seu olhar — como se fosse capaz de abraçar todas as minhas inseguranças sem se quebrar. Ela tinha essa força silenciosa que poucos compreendem, uma força que me fazia acreditar, mesmo quando as vozes exteriores tentavam convencer-me do contrário.

— Sabes, às vezes tenho a sensação de que nunca é suficiente. De que nunca eu sou suficiente.

Ela não se mexeu, mas os seus olhos tornaram-se mais intensos.

— Isso é porque estás sempre a correr. Sempre a querer mais. Mas a verdade, Lewis, é que já fizeste tanto. Não é o próximo troféu que te vai definir. Tu já estás definido.

Suspirei, deixando a cabeça cair ligeiramente para trás, com os olhos fechados. Ela tinha razão, mas havia sempre aquela voz pequena — aquela que me fazia correr mais depressa, que me obrigava a pressionar sempre mais. E se não bastar?

— O que é que tu vês quando olhas para mim, S/N? — perguntei, sem abrir os olhos.

Houve uma pausa, mas não me incomodou. Senti-a levantar-se e, segundos depois, a sombra dela cobria-me do sol. Abri os olhos e encontrei-a lá, com um sorriso pequeno — tímido, mas cheio de convicção.

— Vejo um homem que não desiste. Vejo um homem que luta por aquilo em que acredita. Mas também vejo um homem que precisa de se perdoar mais. De se permitir viver, Lewis. Não é sempre uma corrida.

Aquelas palavras acertaram-me em cheio. Não era sempre uma corrida, mas eu, na minha obsessão, esquecia-me disso. O mundo à minha volta gritava exigências, e eu respondia com vitórias. Porque, para mim, parar parecia sempre uma derrota. Mas ela... Ela fazia-me questionar o que significava realmente viver.

— E tu? O que é que vêem quando olham para ti? — devolvi a pergunta, observando-a com atenção. S/N era um mistério para muitos, mas para mim era uma casa onde podia descansar.

Ela encolheu os ombros, olhando para o horizonte.

— Muitas vezes, só o que eles querem ver. Mas sabes o que eu aprendi contigo? Que não importa o que eles pensam. Importa o que eu escolho ser. E eu escolho viver a minha vida inteira. Sem medo.

— Sem medo, é?

Ela sorriu, um brilho maroto nos olhos.

— Sem medo de errar. Sem medo de ser julgada. Sem medo de perder. Porque a verdadeira perda é nunca tentar. Tu ensinaste-me isso, Lewis.

Aquelas palavras aqueceram-me mais do que o sol. Sem medo. Quantas vezes me tinha deixado consumir por ele? Pelo receio de falhar, de desiludir, de me perder no caminho. Mas ela estava certa. A perda verdadeira era deixar de tentar, deixar de acreditar.

Levantei-me e olhei para o horizonte com ela. O sol estava baixo agora, tingindo o céu de tons cor-de-rosa e laranja. Era bonito de uma forma cruel, porque me fazia sentir pequeno. Mas naquele momento, ao lado dela, não me importava.

— Prometes-me uma coisa? — perguntei, a voz baixa.

Ela virou-se, o rosto suavizado pela luz dourada.

— Prometo.

— Que nunca vais deixar o mundo dizer-te quem és. Que nunca vais deixar que te parem. Que vais sempre... sempre lutar para viver, nem que seja apenas um pouco mais.

O sorriso dela abriu-se, radiante, como se eu lhe tivesse dado uma chave que ela já possuía.

— Prometo, Lewis. Mas tu tens de me prometer o mesmo.

Olhei para ela, para a luz nos seus olhos, e soube que não era apenas uma promessa. Era um pacto. Um compromisso com a vida, com a nossa própria liberdade. Nós éramos feitos para mais. Não de troféus, nem de estatísticas, mas de momentos que nos tiram o ar e nos fazem sentir vivos.

— Prometo. — respondi, sem hesitação.

Ficámos ali, a ver o sol desaparecer. O mundo continuaria a girar, o tempo continuaria a fugir, mas naquele instante, parecia que tínhamos conseguido algo precioso: a pausa.

E quando o sol finalmente cedeu ao escuro, olhei para ela e sorri. Porque 2024 podia estar a acabar, mas nós estávamos apenas a começar. Juntos, sem medo, prontos para abraçar a vida, acontecesse o que acontecesse.

Afinal, não era sempre uma corrida.

Às vezes, era apenas viver.

E isso era mais do que suficiente.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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