Tocar Música da Midia!
Esteban POV
O som das gotas de chuva a bater suavemente contra o vidro do hotel era quase melancólico, mas de uma forma reconfortante. Naquele quarto pequeno e acolhedor em Lisboa, rodeado pelo crepitar das luzes da cidade, encontrei-me sozinho com os meus pensamentos. Era uma noite como tantas outras, mas havia algo no ar – talvez o cheiro a terra molhada ou a memória subtil de uma conversa perdida no tempo – que me puxou para um lugar dentro de mim que raramente visitava.
Sentei-me na poltrona ao lado da janela, a olhar para o horizonte onde o Tejo se fundia com o céu cinzento. Foi ali, naquele cenário quase cinematográfico, que o teu rosto me veio à memória, S/N. O teu sorriso, a maneira como os teus olhos brilhavam quando falavas de algo que te apaixonava... tudo voltou como uma onda que me atingiu de surpresa.
Lembro-me do início – aquele momento em que os nossos mundos colidiram de forma inesperada, quase como uma curva apertada numa pista que exige reflexos rápidos. Estávamos em universos tão diferentes, tu e eu. Eu, sempre a correr, sempre a perseguir milésimos de segundo, enquanto tu parecias tão enraizada, tão presente em cada momento. Conhecemo-nos numa tarde de outono, e algo na forma como o vento mexia no teu cabelo fez-me querer parar pela primeira vez em muito tempo.
"Estás sempre a correr," disseste-me uma vez, rindo, enquanto observavas a forma como a minha mente nunca descansava, mesmo nos momentos mais calmos. "Deves ser mesmo assim dentro do carro, não é?" A tua voz tinha uma leveza que me desarmava, uma honestidade crua que, no fundo, me assustava. Mas era um medo bom, um que me fazia querer ficar, mesmo sabendo que a nossa história já tinha as suas limitações escritas nas estrelas.
E, claro, havia o peso do meu mundo. O ritmo incessante do calendário, as viagens intermináveis de um circuito para o outro, a pressão que se agarra à pele como uma segunda camada. Eu tentava compensar – prometia telefonemas que às vezes não conseguia cumprir, enviava mensagens entre reuniões e treinos, trazia pequenos presentes que encontrava em aeroportos e hotéis. Mas sabia, no fundo, que não era suficiente. Tu merecias mais. Sempre mereceste.
Havia uma tarde em particular que ainda me assombra. Estávamos juntos num pequeno café numa ruela escondida de Paris, e enquanto me contavas algo sobre a tua infância – uma história cheia de riso e nostalgia – percebi que a minha mente tinha divagado para outra coisa qualquer. Talvez um problema com o carro, uma estratégia para a próxima corrida. Quando voltei a focar-me em ti, vi a desilusão nos teus olhos, aquele brilho a apagar-se ligeiramente. Foi aí que percebi que, mesmo sem querer, estava a afastar-me daquilo que era mais importante.
Depois, vieram as discussões. Não muitas, mas suficientes para deixar marcas. Tu querias presença, eu só conseguia oferecer fragmentos. Eu dizia que estava a fazer o meu melhor, e tu acreditavas em mim, mas também sabias que, às vezes, o "melhor" não é suficiente. Era como tentar manter um carro com pneus gastos na pista – sabemos que vamos perder aderência mais cedo ou mais tarde.
O fim chegou numa noite fria, numa varanda que parecia demasiado grande para nós dois. Olhaste para mim com aquele olhar de quem já tinha decidido, mas ainda carregava o peso da dúvida. "Esteban," disseste, a voz quase a quebrar. "Amo-te, mas não consigo viver assim. Não consigo viver na sombra da tua velocidade." Eu não soube o que dizer. Não houve raiva, não houve gritos. Apenas um silêncio que dizia tudo.
E agora, aqui estou eu, anos depois, a olhar para as luzes de Lisboa e a pensar em ti. Pergunto-me como estás, se ainda te lembras de mim quando vês um carro a passar rápido na estrada. Pergunto-me se algum dia poderíamos ter feito as coisas de forma diferente, se eu poderia ter desacelerado um pouco para te acompanhar no teu ritmo. Mas sei que o passado não pode ser reescrito, apenas recordado.
O que aprendi contigo, S/N, foi a beleza de estar presente, mesmo que por breves momentos. Apesar de tudo, não trocaria o que tivemos por nada. Porque, por mais breve que tenha sido, tu ensinaste-me algo que nenhuma corrida poderia: a importância de parar e apreciar a vista, mesmo quando o mundo parece um borrão à nossa volta.
A chuva abrandou, e as luzes de Lisboa pareciam brilhar mais intensamente agora. Peguei no telemóvel e por um instante pensei em escrever-te, talvez dizer-te o que estava a sentir. Mas guardei-o de novo no bolso. Talvez haja coisas que devem permanecer no silêncio, como um segredo partilhado entre dois corações que uma vez bateram em uníssono, mesmo que por pouco tempo.
E, no entanto, S/N, quero que saibas que, onde quer que estejas, uma parte de mim estará sempre contigo. Tal como uma marca na pista, deixaste a tua impressão no meu coração. E isso, tal como a velocidade que tanto amo, nunca se apaga.
Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.
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F1 Imagines
Fanfiction*F1 Imagines* é um livro que mergulha na imaginação criativa dos fãs da Fórmula 1, oferecendo uma experiência única e imersiva. Cada página captura momentos vibrantes e intensos, permitindo aos leitores vivenciar histórias fictícias com seus pilotos...
