George Russell-Hello

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Tocar Música da Midia!

George POV

A noite caía como um véu pesado, envolvendo a cidade num manto de silêncio cortado apenas pelo som ritmado da chuva contra as janelas. O apartamento estava mergulhado em penumbra, iluminado apenas pelo brilho bruxuleante de uma vela que insisti em acender sempre que o meu coração parecia inquieto. Hoje não era exceção.

Sentei-me no sofá, as mãos entrelaçadas, os pensamentos a correr num turbilhão descontrolado. S/N estava atrasada. Não era incomum, mas, hoje, uma pontada de desconforto tinha-se instalado em mim, crescendo a cada minuto que passava. O relógio marcava as horas com precisão cruel, e cada segundo parecia uma eternidade.

Tentei distrair-me. Peguei num livro que ela tinha deixado na mesa de café — um romance qualquer que ela adorava —, mas as palavras desfocavam-se na minha mente, incapazes de competir com as imagens que o meu cérebro insistia em criar. S/N, sozinha na chuva, vulnerável. Cada possibilidade parecia mais insuportável do que a anterior.

Ela tinha um jeito único de me fazer sentir. Era como se eu estivesse sempre em equilíbrio numa corda bamba, dividido entre a felicidade absoluta de tê-la ao meu lado e o medo paralisante de a perder. Porque é isso que o amor faz, não é? Expõe-nos, deixa-nos nus perante as nossas maiores inseguranças, e, ao mesmo tempo, preenche-nos de uma forma que nada mais consegue.

Peguei no telefone. A minha mão hesitava, os dedos pairando sobre o ecrã. Ligar? Enviar uma mensagem? Mas o que diria? Não queria parecer sufocante. Ela sempre valorizou a sua liberdade, e eu respeitava isso mais do que qualquer coisa. Ainda assim, o meu coração insistia em bater mais rápido, cada pulsação uma lembrança de que algo podia estar errado.

"Estou a exagerar," sussurrei para mim mesmo, mas a voz parecia vazia, sem convicção.

Levantei-me e fui até à janela. A chuva caía em cascatas, desenhando padrões caóticos no vidro. Lembrei-me das vezes em que caminhámos juntos sob a chuva, ela a rir enquanto eu tentava proteger-nos com um guarda-chuva inútil. "Deixa, George," dizia ela, os olhos brilhando com uma luz que só ela possuía. "A chuva faz parte da vida. É preciso senti-la para viver verdadeiramente."

Era isso que a tornava tão especial. Ela tinha uma visão do mundo que eu nunca conseguiria compreender completamente, mas que adorava com todas as fibras do meu ser. E, talvez por isso, o medo de a perder fosse tão avassalador.

Finalmente, o telefone vibrou na minha mão, arrancando-me do meu transe. Era uma mensagem dela.

"Desculpa o atraso, amor. Estou quase a chegar."

Suspirei de alívio, mas a tensão no meu peito não desapareceu completamente. Fui até à cozinha e preparei-lhe uma chávena de chá — o dela, o preferido, com um toque de mel e limão. Era um gesto pequeno, quase insignificante, mas ajudava-me a canalizar a preocupação para algo tangível.

Quando a porta finalmente se abriu, o meu coração deu um salto. Ela entrou, encharcada, mas com aquele sorriso que derretia todas as minhas ansiedades.

"Desculpa, George," disse ela, tirando o casaco molhado. "O trânsito estava impossível."

"Estás bem?" perguntei, tentando disfarçar a preocupação na minha voz.

"Claro que sim," respondeu ela, mas os seus olhos procuraram os meus, lendo-me como um livro aberto. "O que foi? Pareces tenso."

Balancei a cabeça, tentando afastar os pensamentos que me assombravam. "Nada. Só fiquei preocupado. Estava a chover tanto..."

Ela aproximou-se, colocando as mãos frias nos meus braços. "Oh, George. Estou aqui. Estou bem."

E era verdade. Ela estava ali, à minha frente, segura e sorridente. Mas a inquietação no meu peito não desapareceu completamente. Porque, no fundo, sabia que a vida era imprevisível, que o mundo podia ser cruel, e que o amor, por mais poderoso que fosse, não era um escudo contra todas as adversidades.

Mais tarde, enquanto estávamos deitados na cama, ela adormeceu rapidamente, exausta do dia. Eu, no entanto, fiquei acordado, observando-a. A forma como a luz fraca da lua desenhava sombras suaves no seu rosto, como o seu peito subia e descia num ritmo calmo e constante. Ela era o meu mundo. E era esse pensamento que me aterrorizava.

Como se pudesse sentir os meus pensamentos, ela mexeu-se ligeiramente, murmurando algo num sonho. Peguei na sua mão, apertando-a gentilmente. "Amo-te," sussurrei, embora soubesse que ela não podia ouvir.

O amor é uma força poderosa, mas também é frágil. É um paradoxo que me desafia todos os dias. A sua presença na minha vida é um presente, mas também uma lembrança constante de que tudo o que vale a pena pode ser perdido.

Mas, no fundo, sei que não a trocaria por nada. Porque, mesmo com todas as dúvidas, todos os medos, o amor que sinto por ela é maior do que qualquer insegurança. E, enquanto ela estiver ao meu lado, vou fazer tudo o que puder para a proteger, para a fazer sentir-se amada, para a fazer sorrir, mesmo nos dias mais cinzentos.

E, talvez, isso seja suficiente.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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