Daniel Ricciardo-It was always you

45 0 0
                                        

Tocar Música da Midia!

Daniel POV

O silêncio entre nós era o peso que eu carregava desde que as palavras começaram a falhar. Não era um silêncio vazio; era cheio, pulsante, como se cada respiração que dávamos fosse um grito abafado do que não dizíamos. Estávamos sentados no sofá da sala, frente a frente, e o ambiente parecia tão grande quanto os quilômetros que nos separaram nos últimos meses.

Ela mexia nas mãos, um gesto nervoso que eu já conhecia bem. S/N sempre fazia isso quando sentia que estava prestes a entrar em território sensível. Queria dizer algo, mas não sabia por onde começar. Eu estava tão perdido quanto ela, talvez até mais.

"Há coisas que... acho que nunca dissemos um ao outro," ela começou, a voz baixa, quase um sussurro. O som ecoou no meu peito como o rugido de um motor, algo que eu entendia de olhos fechados. "E isso... isso tem ficado entre nós."

Os meus olhos fixaram-se nos dela. Não era a primeira vez que sentia o peso da verdade por dizer. Mas ali, naquele momento, parecia impossível desviar. Eu sabia do que ela falava. Sabia das noites em que desligava o telefone sem coragem de atender. Sabia dos olhares vazios quando os nossos corpos estavam no mesmo espaço, mas as nossas almas, não.

"S/N," comecei, mas a voz falhou. Era estranho – eu, que passei anos a lidar com perguntas difíceis em frente a milhões, não conseguia encontrar as palavras certas quando mais importavam.

"Não faças isso, Daniel," ela interrompeu. Não havia raiva, só cansaço. "Não me dês desculpas ou me digas que vai ficar tudo bem. Quero saber o que realmente sentes."

O que eu sentia? Deus, como era suposto eu colocar aquilo em palavras? Era como tentar explicar o som do vento a alguém que nunca saiu de um quarto fechado.

"Eu sinto... que te falhei," confessei, as palavras saindo mais rápidas do que eu previa. "Sinto que te deixei a carregar o peso de... nós, enquanto eu estava longe a tentar encontrar algo que nem sei se existe."

Ela inclinou-se ligeiramente para a frente, os olhos fixos nos meus. "Por que nunca me disseste isso? Passaste tanto tempo a tentar ser forte, a fingir que tudo estava bem, enquanto eu... enquanto eu sentia que estava a perder-te."

"Porque..." Respirei fundo, tentando organizar os pensamentos. "Porque sempre achei que era o meu papel ser o estável, o que mantém tudo em pé. Mas a verdade, S/N, é que eu estava a cair aos pedaços por dentro."

Ela ficou em silêncio, processando. Depois, falou, e as suas palavras foram como uma faca afiada. "E achaste que esconder isso de mim era a solução? Daniel, como é que eu podia ajudar-te se nem sabia que precisavas de ajuda?"

Houve uma longa pausa. Olhei para o chão, para as minhas mãos, qualquer coisa para evitar os olhos dela. Mas, no fundo, sabia que ela estava certa. Sempre fui bom a esconder as partes feias de mim. Mostrava ao mundo o sorriso, a energia, mas nunca a vulnerabilidade. Nem mesmo a ela.

"Eu não queria que visses o lado feio," admiti. "Não queria que te sentisses responsável por algo que era meu para resolver."

Ela riu, mas era uma risada amarga. "Daniel, uma relação não funciona assim. Não se trata de proteger o outro de quem realmente somos. Trata-se de partilhar isso, mesmo quando é difícil, mesmo quando dói."

As palavras dela atingiram-me como um murro no estômago, porque eram verdadeiras. Eu tinha-me convencido de que estava a protegê-la ao esconder as minhas lutas, mas, na verdade, estava a criar um fosso entre nós.

"Eu sei," murmurei. "E lamento. Lamento por ter deixado que isto crescesse até ao ponto em que parece impossível resolver."

Ela respirou fundo, como se estivesse a tentar decidir se valia a pena continuar. "Eu também não sou inocente, Daniel. Houve momentos em que quis desistir, momentos em que pensei que talvez fosse melhor... seguir caminhos diferentes. Mas cada vez que pensava nisso, algo em mim dizia que ainda havia algo a salvar."

Os olhos dela estavam brilhantes agora, não com lágrimas, mas com uma força que eu admirava. Ela nunca desistiu de mim, mesmo quando eu desistia de mim mesmo. E era isso que me doía mais. Eu tinha a mulher mais incrível ao meu lado, e, ainda assim, permiti que as nossas feridas ficassem sem tratamento, como cortes que infectam lentamente.

"Eu quero que tentemos," disse, a voz rouca. "Mas não podemos continuar assim. Não podemos ignorar as partes difíceis."

"Eu sei," respondi, e pela primeira vez, senti-me honesto, vulnerável. "Prometo que não vou fugir disso. Não vou fugir de ti."

Ela inclinou-se para trás, exalando um suspiro longo, como se aquele momento fosse um pequeno alívio numa longa tempestade. "E eu prometo que também vou ser mais honesta contigo. Sobre as minhas dúvidas, as minhas frustrações. Sobre tudo."

Ficámos sentados ali, o silêncio a preencher o espaço, mas desta vez não era um silêncio pesado. Era quase reconfortante, como se ambos tivéssemos dado um passo em direção ao outro.

"Sabes," disse ela depois de algum tempo, um leve sorriso a formar-se nos lábios, "sempre achei que o teu sorriso era o teu maior trunfo. Mas acho que a tua vulnerabilidade é ainda mais bonita."

Ri, apesar de mim mesmo. "Então estás a dizer que devia sorrir menos e chorar mais?"

Ela revirou os olhos, mas havia humor ali, uma leveza que não sentíamos há muito tempo. "Estou a dizer que, talvez, seremos mais fortes juntos se pararmos de fingir que temos de ser perfeitos."

E com isso, percebi que estávamos a recomeçar. Não era um final feliz de conto de fadas, mas também não era o fim. Era um começo, um que exigiria trabalho, paciência, e, acima de tudo, honestidade.

"Obrigada por não desistires," disse ela, quebrando o silêncio mais uma vez.

Olhei para ela, e pela primeira vez em meses, senti-me em paz. "Obrigada por me deixares tentar."

E, com isso, o espaço entre nós tornou-se um pouco menor.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

F1 ImaginesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora