Zhou Guanyu- Dally

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Tocar Música da Midia!

Zhou POV

O silêncio entre mim e S/N tornou-se um hábito, um espaço vazio onde antes existia cumplicidade. Já não era apenas o fim de uma conversa, mas o eco do que deixámos por dizer. Ela está ali, sentada à janela do nosso apartamento, as pernas dobradas contra o peito, a cabeça encostada ao vidro. Lá fora, Xangai vibra com as suas luzes, o ruído distante de buzinas e passos apressados, uma cidade que nunca dorme. Mas aqui dentro, tudo parece suspenso, um quadro a preto e branco sem vida.

Sempre soube que as despedidas não acontecem num único momento, mas em fragmentos. Pequenas rachaduras que se acumulam até que um dia nos damos conta de que já não sabemos como regressar ao que éramos. A verdade é que ambos temos estado a evitar esta conversa há demasiado tempo, como se ao ignorarmos o problema pudéssemos fingir que ainda existe uma solução. Mas sei que essa ilusão se quebrou há muito.

Dou um passo hesitante em direção a ela, as mãos nos bolsos do casaco. O peso no meu peito torna-se insuportável, e respiro fundo antes de falar:

— Precisamos de falar, S/N.

Ela não se vira de imediato, apenas fecha os olhos por um breve momento antes de soltar um suspiro cansado. Quando finalmente se volta para mim, os seus olhos estão carregados de tristeza, mas sem surpresa. Como se já soubesse o que vou dizer.

— Eu sei, Zhou — responde, a voz baixa, quase um sussurro. — Também tenho sentido.

E só essa frase faz com que o nó na minha garganta se aperte ainda mais. Porque se ela sente, se ela reconhece a mesma distância, então significa que não há mais nada que possamos salvar. Um último fio rompe-se dentro de mim, e sento-me no sofá, passando as mãos pelo rosto.

— Não sei em que momento nos perdemos — confesso. — Mas sei que não podemos continuar assim.

Ela mexe os dedos nervosamente sobre o joelho, como se tentasse agarrar palavras que não vêm. O relógio na parede marca onze e meia da noite, e sinto que este é o instante em que tudo termina de verdade.

— Eu amo-te, Zhou — diz, e vejo nos seus olhos que é sincero. Mas há algo de resignado na forma como o diz, como se o amor por si só não fosse suficiente para nos manter juntos. — Só que já não somos felizes. Tentámos... tentámos tanto, mas estamos sempre presos entre o que fomos e o que não conseguimos voltar a ser.

Desvio o olhar para a janela, observando os reflexos da cidade nas gotas de chuva acumuladas no vidro. Sinto-me exausto. De tudo. Das discussões silenciosas, dos abraços que se tornaram mecânicos, da forma como nos transformámos em estranhos partilhando o mesmo espaço. Queria que houvesse uma forma de resgatar o que um dia fomos, mas sei que a verdade está a encarar-nos nos olhos.

— Talvez a resposta seja seguir em frente — digo, com um peso que me afunda no sofá. — Não porque deixámos de nos amar, mas porque esse amor já não nos salva.

S/N desvia o olhar para as mãos, e sei que está a lutar contra as lágrimas. Sempre detestou chorar diante de mim, como se a vulnerabilidade fosse uma fraqueza. Mas não há fraqueza em aceitar o fim. Apenas coragem.

Ficamos assim por alguns minutos, absorvendo a despedida sem pressa, porque sabemos que este momento não voltará. Quando finalmente nos levantamos, não há discussões, não há recriminações. Apenas um último olhar, carregado de tudo o que já fomos e do que não conseguimos continuar a ser.

Ela pega na mala que já estava preparada há dias no canto do quarto. Como se, de alguma forma, soubesse que este momento ia chegar mais cedo ou mais tarde. Quando passa por mim, as pontas dos nossos dedos roçam uma última vez. Uma carícia fantasma de tudo o que fomos.

— Vou sentir a tua falta — murmura, a voz trémula.

— Eu também — respondo, e sei que é verdade.

A porta fecha-se atrás dela, e a ausência preenche o apartamento como um vazio físico. Não há lágrimas nos meus olhos, apenas um silêncio pesado que se instala na alma. Olho em volta, para o sofá onde nos aninhávamos nos dias frios, para as chávenas de chá esquecidas sobre a mesa, para as pequenas memórias espalhadas por cada canto.

E sei que amanhã a dor ainda estará aqui. Mas também sei que um dia, por mais distante que pareça agora, ambos vamos aprender a viver sem este peso. Porque o amor, por mais intenso que tenha sido, às vezes não basta. E, por mais que doa agora, seguir em frente é a única escolha que nos resta.

Olá pessoal! Espero que tenham gostado deste imagine. Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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