Tocar Música da Midia!
Lando POV
O som do mar era o pano de fundo perfeito para esta noite, como uma melodia constante que nunca perde o ritmo. Estávamos numa pequena vila costeira de Portugal, escolhida por S/N numa tentativa deliberada de fugir à agitação do fim do ano. E eu tinha concordado, porque, no fundo, sabia que precisava de um lugar assim: quieto, honesto, sem pressões, onde o tempo parece deslizar ao invés de correr.
O céu estava pintado em tons de laranja e púrpura, o sol a despedir-se devagarinho no horizonte. Estávamos sentados na varanda da pequena casa que alugámos para a semana, uma garrafa de vinho tinto pousada na mesa entre nós. S/N tinha um casaco grande e macio sobre os ombros, e os seus olhos percorriam a linha do mar com um misto de melancolia e serenidade.
Sabia que algo a preocupava, porque conhecia aquele olhar — um olhar que parecia buscar respostas em lugares onde talvez elas nunca tivessem estado. E, se fosse sincero comigo mesmo, eu também sentia o peso do mesmo silêncio.
— Sabes, Lando — começou ela, a voz suave como o vento que nos rodeava. — É estranho pensar que estamos a chegar ao fim de mais um ano. Parece que... tudo passou tão depressa.
Assenti, mas fiquei quieto, deixando-a continuar.
— Sinto que passei tanto tempo este ano a olhar para trás, a tentar agarrar coisas que já não existem, que nem me apercebi do que estava mesmo à minha frente. É como se... como se eu estivesse presa entre quem fui e quem deveria ser.
As palavras dela atingiram-me como um eco do que eu próprio tinha sentido tantas vezes. O desporto, a vida na Fórmula 1, era tão implacável. Não havia espaço para hesitações, para dúvidas, mas elas existiam, mesmo que nunca fossem mostradas. Havia dias em que sentia a falta da simplicidade de quando tudo começou. Os kartings, o cheiro da borracha queimada, as risadas com amigos que não queriam nada mais além de correr. Às vezes, parecia que a versão de mim que começou esta jornada estava a desaparecer, dissolvida em expectativas e responsabilidades.
— Também me sinto assim, sabes? — respondi finalmente. — Às vezes penso no miúdo que começou tudo isto, e pergunto-me se ele ficaria orgulhoso de mim ou se me acharia um estranho. E depois olho para o futuro, e fico... assustado. Porque não sei o que vem a seguir, e não sei se estou preparado para deixar certas coisas para trás.
Ela virou-se para mim, o olhar dela encontrando o meu. Havia algo reconfortante nos seus olhos, como se ela compreendesse exatamente o que eu estava a dizer, porque sentia o mesmo.
— Mas talvez... — continuei, hesitante. — Talvez não se trate de deixar para trás, mas de aprender a levar o que importa connosco. E aceitar que algumas coisas vão mudar, porque têm de mudar. Não podemos ser as mesmas pessoas para sempre, certo?
Ela sorriu, um sorriso pequeno, mas genuíno.
— Sim... acho que tens razão. Mas às vezes é difícil não sentir saudades do que era mais simples. Do que era familiar.
Ficámos em silêncio por um momento, o som das ondas a preencher o espaço entre nós. Peguei no copo de vinho e dei um gole, deixando o líquido quente espalhar-se pelo meu corpo como um abraço. O vento tinha começado a arrefecer, e puxei o meu próprio casaco mais para cima, cruzando os braços sobre o peito.
— Lembro-me de quando me disseram que a vida na Fórmula 1 nunca seria fácil — disse eu, num tom mais leve, tentando afastar a gravidade da conversa. — Mas nunca imaginei que fosse tão complicado fora da pista também.
Ela riu-se, e o som era como música para os meus ouvidos. Era tão raro ouvir a risada dela ultimamente, e senti-me orgulhoso por ter conseguido arrancá-la.
— És tão dramático, Lando. — Ela abanou a cabeça, ainda a sorrir. — Mas acho que entendo o que queres dizer. E, para ser justa, também nunca imaginei que seria tão complicado ser adulta.
— Achas que alguma vez vamos perceber o que estamos a fazer? — perguntei, fingindo um tom sério, mas com um brilho de brincadeira nos olhos.
— Provavelmente não. Mas talvez o segredo seja mesmo esse — respondeu ela, encolhendo os ombros. — Talvez o importante seja continuar a tentar, mesmo quando não temos a certeza.
Olhei para ela, e algo dentro de mim ficou mais leve. Havia uma sabedoria simples nas palavras dela, uma que parecia tornar tudo mais claro. Talvez não precisássemos de todas as respostas. Talvez fosse suficiente estar aqui, neste momento, com ela, a aprender a aceitar as mudanças que viriam.
Levantei-me e estendi a mão para ela.
— Anda, vamos caminhar na praia antes que fique demasiado escuro.
Ela olhou para mim com uma sobrancelha levantada, mas acabou por aceitar a minha mão. Caminhámos lado a lado, os pés enterrando-se na areia fria. O mar continuava a murmurar, e as luzes distantes da vila começavam a brilhar como pequenos faróis.
— Sabes, S/N — disse eu, enquanto olhava para as ondas. — Acho que o que mais me assusta não é o futuro, mas a ideia de não estar a viver o presente como devia.
Ela parou de andar e olhou para mim.
— Estás a viver, Lando. Estamos aqui, agora. E isso é o presente. Talvez seja isso que importa.
Sorri para ela, sentindo-me mais leve do que me tinha sentido em meses. Era um alívio perceber que não precisava de ter tudo resolvido, que podia simplesmente estar aqui, neste momento, com ela.
O relógio estava prestes a marcar o início de um novo ano, mas pela primeira vez, isso não me assustava. Porque, ao aceitar que o passado era parte de mim, mas não o meu todo, estava finalmente a abrir espaço para o futuro. E ao lado de S/N, sentia que qualquer mudança seria mais fácil de enfrentar.
— Feliz quase Ano Novo, S/N.
Ela riu-se novamente, e a melodia do riso dela misturou-se com o som do mar.
— Feliz quase Ano Novo, Lando.
E, enquanto o horizonte começava a escurecer, senti que Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.
Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.
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F1 Imagines
Fanfiction*F1 Imagines* é um livro que mergulha na imaginação criativa dos fãs da Fórmula 1, oferecendo uma experiência única e imersiva. Cada página captura momentos vibrantes e intensos, permitindo aos leitores vivenciar histórias fictícias com seus pilotos...
