Tocar Música da Midia!
Lando POV
Havia um vazio no meu peito que nem o rugir do motor conseguia preencher. A cada curva, a cada aceleração, eu tentava fugir do peso que carregava, mas ele estava sempre lá, sussurrando o teu nome entre os ecos do vento.
A primeira vez que te vi, o mundo parou, como se o tempo tivesse sido arrancado do espaço. Não foi um daqueles clichês, mas algo visceral, como se os nossos destinos já estivessem entrelaçados antes mesmo de nos conhecermos. Eu, preso no caos da velocidade e na glória efêmera das corridas, e tu... a personificação da calma e do equilíbrio que eu sempre procurei.
Mas agora... Agora só restam as sombras.
Naquela noite, deitado no meu quarto em Mónaco, as luzes da cidade filtravam-se pelas cortinas. O reflexo delas no teto parecia dançar ao ritmo da dor no meu peito. Tudo aqui tinha o teu cheiro, o teu toque, até o silêncio parecia ecoar a tua ausência. Levantei-me e caminhei até à janela, tentando encontrar um consolo no horizonte. Mas a vista era vazia. Como eu.
Lembro-me de como te apaixonaste pela ideia de liberdade que dizias que eu representava. Mas, ironicamente, foste tu que me ensinaste o que era ser livre. Livre de medos, de dúvidas, de máscaras que a vida pública me obrigava a usar. Contigo, eu era apenas Lando. Não o piloto, não a figura pública. Apenas eu.
Mas o amor também tem um lado cruel. Ensina-nos a voar e depois arranca-nos as asas.
Aquela última conversa entre nós ecoava na minha mente como um disco riscado, repetindo as mesmas palavras que rasgavam mais fundo a cada vez. Era tão nítida que, se fechasse os olhos, conseguia quase sentir a textura da tua voz, a raiva contida nas tuas palavras, e, pior ainda, o tremor da tua dor.
"Lando, eu não posso continuar assim. Não posso ser uma sombra numa vida que brilha tão alto."
Lembrei-me do aperto na garganta que senti ao ouvir isso, como se cada palavra tua fosse um murro no estômago. Quis dizer-te que estavas errada, que não eras uma sombra, mas a luz que me guiava. Mas as palavras não vieram, e tu foste embora, levando contigo partes de mim que eu nunca recuperei.
De volta à janela, encostei a testa ao vidro frio. A sensação era quase reconfortante, um contraste à turbulência que rodava dentro de mim. Lá fora, os iates balançavam suavemente no porto, alheios às batalhas internas que eu travava. E ali, no silêncio da madrugada, apercebi-me de que a saudade tinha um gosto agridoce.
Era engraçado como a tua ausência conseguia estar em todos os cantos da minha vida. No café que bebia todas as manhãs, agora amargo sem a tua risada. Nos circuitos que percorria, onde esperava ver-te na garagem a sorrir para mim, com o olhar que dizia que, independentemente do resultado, eu era suficiente. E nas mensagens que nunca te enviei, que ainda preenchiam a caixa de rascunhos do meu telemóvel.
Não sabia o que era pior: o silêncio ensurdecedor ou a memória da tua voz.
As semanas seguintes foram um borrão de corridas e compromissos. Os meus dias eram cronometrados ao segundo, preenchidos de entrevistas, estratégias e sessões de treino. Mas à noite, quando o mundo desacelerava, a dor instalava-se novamente, como um convidado indesejado que nunca ia embora.
Num fim de semana de corrida em Suzuka, depois de um dia exaustivo, encontrei-me sozinho no paddock. As luzes estavam quase todas apagadas, e o silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo som distante de grilos. Peguei no meu telemóvel e, sem pensar, abri o teu contacto.
"Sinto a tua falta."
Escrevi a mensagem e apaguei-a. Escrevi outra. E outra. Mas nada parecia suficiente. Porque como é que se resume a complexidade da saudade em palavras? Como é que se explica o vazio de acordar todos os dias sem ti?
Apertei os olhos, tentando afastar a frustração. Olhei para o céu, onde as estrelas cintilavam de forma desinteressada, e perguntei-me se tu também estarias a olhar para elas. Perguntei-me se pensavas em mim, se sentias a minha falta da mesma maneira que eu sentia a tua.
Mas no fundo, sabia a resposta.
Resiliência. Era uma palavra que eu ouvia frequentemente. Todos falavam da minha capacidade de recuperar após uma má corrida, de aprender com os erros e voltar mais forte. Mas ninguém falava da resiliência necessária para enfrentar a perda de alguém que amamos.
O processo de cura não é linear, descobri isso da forma mais dura. Há dias em que nos sentimos invencíveis, como se o pior já tivesse passado. Mas depois, algo tão simples como uma música, um perfume, ou até mesmo o som da chuva, consegue trazer de volta tudo o que pensamos ter superado.
Comecei a perceber que o amor não desaparece. Ele transforma-se. A dor da tua ausência começou, lentamente, a dar lugar a algo mais suave. Uma gratidão por ter tido a oportunidade de te amar, mesmo que por um tempo limitado. E uma aceitação de que algumas coisas não estão destinadas a durar para sempre.
Num dia particularmente bonito em Mónaco, sentei-me à beira-mar, deixando o som das ondas preencher o vazio dentro de mim. O sol refletia-se na água, criando padrões dourados que me lembravam o brilho dos teus olhos.
Ali, entre o sal do mar e o calor do sol, algo mudou.
Percebi que, embora ainda te amasse, era hora de deixar-te ir. Não no sentido de te esquecer – porque nunca poderia – mas no sentido de aceitar que o nosso capítulo tinha terminado. Que o amor que eu sentia por ti poderia coexistir com a necessidade de seguir em frente.
Fechei os olhos e deixei que o vento levasse os últimos resquícios do peso que carregava. Não era um fim, mas um novo começo. Um onde as memórias de nós seriam um ponto de luz, e não uma âncora.
E enquanto o sol se punha no horizonte, senti algo que não sentia há muito tempo. Paz.
Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.
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F1 Imagines
Fanfiction*F1 Imagines* é um livro que mergulha na imaginação criativa dos fãs da Fórmula 1, oferecendo uma experiência única e imersiva. Cada página captura momentos vibrantes e intensos, permitindo aos leitores vivenciar histórias fictícias com seus pilotos...
