Esteban Ocon-As you leave

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Tocar Música da Midia!

Esteban POV

A saudade é uma criatura traiçoeira. Apodera-se de nós de forma subtil, como um nevoeiro que se insinua pela madrugada, enchendo os espaços vazios com a sua presença. Foi isso que senti desde que S/N partiu. Não era apenas a ausência física dela, era o eco da sua risada, o perfume que ficava impregnado nas almofadas, a melodia da sua voz que preenchia os silêncios. Agora, esses mesmos silêncios tornaram-se ensurdecedores.

A primeira semana foi um torpor. O calendário insistia em avançar, mas cada dia parecia mais lento que o anterior. Estava no simulador, tentando focar-me nas voltas perfeitas, mas a mente escapava. Via S/N em cada curva, como se ela estivesse sentada ao meu lado no carro. Lembrava-me de como ela ria ao fazer piadas sobre os engenheiros, de como era impossível não sorrir com a sua energia contagiante. Mas agora... era apenas eu e o vazio.

No segundo dia após a sua partida, encontrei o caderno que ela sempre carregava. Estava ali, esquecido na nossa mesa da sala. Folheei as páginas lentamente, cada palavra dela era uma janela para o que ela sentia, pensava, sonhava. Ela escrevia sobre o mundo como se o observasse de um lugar onde tudo era mais belo, mais vivo. Havia um poema sobre mim, numa página cheia de desenhos de estrelas. "Esteban é como o céu noturno – cheio de mistérios, de constelações que nem sempre conseguimos entender, mas que, de alguma forma, fazem sentido quando o olhamos de perto."

As palavras dela ecoaram dentro de mim, e percebi o peso que carregava: a falta que ela fazia era maior do que eu podia explicar. Não era apenas a ausência de S/N; era como se uma parte de mim tivesse desaparecido com ela.

As pessoas tentavam ajudar. "Dá-lhe tempo," diziam. "Concentra-te na próxima corrida." Mas não era sobre tempo. Não era sobre as corridas. Era sobre ela. Era sobre a forma como ela transformava o ordinário em extraordinário.

Numa noite particularmente fria, fui até à varanda onde costumávamos passar horas a conversar. Olhei para o céu estrelado, algo que sempre me dava paz, mas dessa vez só senti uma solidão avassaladora. S/N era a minha bússola. Sem ela, sentia-me à deriva.

Perguntei-me, vezes sem conta, se devia ligar-lhe. A voz dela seria como um bálsamo para a alma. Mas o que diria? "Volta"? Não era tão simples. Ela tinha os seus motivos para ir, e quem era eu para pedir que ela abandonasse os seus sonhos, as suas razões, por mim?

O silêncio era a minha resposta. Então, fiz aquilo que sempre soube fazer: conduzir. Peguei no carro e percorri estradas vazias, como se o movimento pudesse preencher o vazio que sentia por dentro. A noite parecia interminável, mas, de alguma forma, o som do motor era reconfortante. Cada curva, cada aceleração, lembrava-me da vida que escolhi, mas também da que tive com ela.

Voltei para casa ao amanhecer. A luz suave do sol infiltrava-se pelas cortinas, banhando a sala com uma melancolia quase poética. Deitei-me no sofá e, pela primeira vez em dias, adormeci sem esforço, como se o cansaço tivesse finalmente vencido a luta contra a saudade.

Os dias seguintes foram uma tentativa de encontrar significado na rotina. Fui ao ginásio, treinei mais horas do que devia, e quando não estava ocupado, procurava algo para ler ou escrever. Qualquer coisa para silenciar a mente. Mas, inevitavelmente, tudo me levava de volta a ela.

Uma tarde, decidi organizar os meus pertences. No meio de tudo, encontrei uma caixa com fotografias nossas. Cada imagem era um momento congelado no tempo, uma memória que trazia tanto conforto quanto dor. Houve uma, em particular, que me paralisou: estávamos num piquenique, ela com uma flor no cabelo, a rir de algo que eu disse. Eu parecia tão feliz, como se não houvesse nada no mundo que pudesse estragar aquele instante.

Foi ali que percebi algo importante: a saudade não é apenas sobre a ausência; é sobre o amor que persiste, mesmo quando a pessoa se vai. É a prova de que o que tivemos foi real, foi significativo.

Decidi escrever-lhe. Não para pedir que voltasse, mas para agradecer. Agradecer por tudo o que ela me deu, por todas as formas como me transformou, por me mostrar que a vida é mais do que corridas e troféus.

"Querida S/N,
Sei que o tempo não para, e nós seguimos caminhos diferentes. Mas quero que saibas que o impacto que tiveste em mim é eterno. És o meu céu noturno, as minhas constelações. E, embora estejamos distantes, o teu brilho continua a guiar-me. Obrigado por seres tu.
Com todo o meu carinho,
Esteban"

Não sei se ela irá responder, e talvez isso nem importe. O ato de escrever foi libertador, como se ao colocar as palavras no papel eu estivesse a dar um lugar à saudade, reconhecendo-a sem deixar que me consumisse.

O que mais aprendi com tudo isto é que as pessoas deixam marcas em nós, e essas marcas são o que nos torna humanos. A dor, a saudade, o amor – tudo faz parte do mesmo caminho. S/N era o meu porto seguro, e agora, mesmo na sua ausência, ela continua a ser a bússola que me orienta.

E assim, a vida continua. Com as suas corridas, as suas conquistas, os seus silêncios. Mas, acima de tudo, com a certeza de que o amor que senti por ela foi real, e isso é algo que nunca se perde.

Olá pessoal!Espero que tenham gostado deste imagine.Se tiverem algum pedido, não hesitem em fazê-lo que irei com todo o gosto, amor, carinho e dedicação escreve-lo.

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